Apesar da recuperação nos preços da celulose, Suzano tem resultado pressionado no 1T26
- 5 de mai.
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05/05/2026 - A Suzano registrou EBITDA ajustado consolidado de R$ 4,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 18% em relação ao 4T25 e redução de 6% na comparação anual. O desempenho refletiu, principalmente, o menor volume vendido de celulose e papel no período, a apreciação do real frente ao dólar médio e, no caso do papel, a queda dos preços médios em reais. A margem EBITDA ajustada ficou em 42%, estável em relação ao 1T25 e 1 ponto percentual abaixo do trimestre imediatamente anterior.
A receita líquida totalizou R$ 11 bilhões no 1T26, retração de 16% frente ao 4T25 e de 5% em relação ao 1T25. Segundo a companhia, a queda trimestral foi explicada sobretudo pela redução dos volumes vendidos de celulose e papel, de 17% e 20%, respectivamente, além da desvalorização de 3% do dólar médio frente ao real médio. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo aumento de 4% no preço líquido médio da celulose em dólar.
Em teleconferência com jornalistas, o CEO da Suzano, Beto Abreu, afirmou que o primeiro trimestre evidenciou a resiliência do negócio, apesar do impacto cambial sobre os resultados. “O primeiro trimestre do ano mostra, sem sombra de dúvidas, a resiliência do nosso negócio. […] Já há uma recuperação de preços e, no entanto, um impacto importante em relação ao câmbio”, disse.
No negócio de celulose, o trimestre foi marcado pela continuidade dos anúncios de aumento de preços, em um ambiente de demanda mais aquecida por papel, especialmente na China, e de restrições do lado da oferta. De acordo com a companhia, o mercado chinês de fibra curta encontrou suporte tanto pela postergação de um projeto relevante de celulose de mercado quanto por restrições de produção relacionadas à disponibilidade de madeira na Indonésia. Pelo lado da demanda, a produção total de papel na China cresceu 14,7% frente ao 1T25, segundo dados da SCI citados pela empresa.
Os índices PIX/FOEX médios da celulose de fibra curta subiram 9,4% na China e 11,9% na Europa em relação ao 4T25. Apesar desse cenário de preços mais positivos, as vendas de celulose da Suzano somaram 2,835 milhões de toneladas no trimestre, queda de 17% ante o 4T25, em função da sazonalidade, com destaque para menores embarques para Ásia e América do Norte. Na comparação anual, o volume vendido cresceu 7%.
O preço líquido médio da celulose comercializada pela companhia foi de US$ 560 por tonelada, alta de 4% frente ao 4T25 e de 1% em relação ao 1T25. Em reais, o preço médio líquido foi de R$ 2.943 por tonelada, avanço de 2% no trimestre, mas queda de 9% na comparação anual, impactado pela valorização do real. Com isso, a receita líquida de celulose recuou 15% frente ao 4T25 e 3% ante o 1T25.
O EBITDA ajustado do segmento de celulose somou R$ 4,1 bilhões, queda de 15% na comparação trimestral e de 5% frente ao mesmo período do ano anterior. A retração trimestral foi explicada principalmente pelo menor volume vendido, pela apreciação cambial, pelo maior custo caixa de produção sem paradas e pelo maior impacto das paradas programadas de manutenção. Esses fatores foram parcialmente compensados pelo aumento dos preços em dólar e pela redução de despesas com vendas, gerais e administrativas. O EBITDA ajustado por tonelada de celulose foi de R$ 1.431/t, alta de 2% frente ao 4T25, mas queda de 11% em relação ao 1T25.
O custo caixa de produção de celulose sem paradas foi de R$ 802/t no 1T26, aumento de 3% em relação ao 4T25, devido ao maior consumo de insumos, sobretudo materiais auxiliares e energia comprada, maior custo com madeira e menor diluição de custos fixos. Na comparação anual, porém, o indicador caiu 7%, beneficiado pela valorização do real, menores custos com madeira, queda de preços de insumos como soda cáustica e gás natural, além de menor custo fixo.
No negócio de papel, que inclui imprimir e escrever, papelcartão, tissue e a operação Suzano Packaging US, as vendas somaram 378 mil toneladas, queda de 20% frente ao 4T25 e de 3% em relação ao 1T25. No mercado brasileiro, as vendas atingiram 226 mil toneladas, retração de 24% na comparação trimestral, refletindo a sazonalidade típica dos segmentos atendidos. No mercado externo, os volumes totalizaram 153 mil toneladas, queda de 14% frente ao 4T25 e de 10% na comparação anual, principalmente pela menor venda de papelcartão nas operações da Suzano Packaging US.
A receita líquida de papel foi de R$ 2,6 bilhões no 1T26, redução de 19% em relação ao 4T25 e de 11% frente ao 1T25. O EBITDA ajustado do segmento somou R$ 524 milhões, queda de 33% no trimestre e de 14% na comparação anual. A retração trimestral foi atribuída principalmente ao menor volume vendido, parcialmente compensado por menor SG&A e menor CPV base caixa nas operações no Brasil. O EBITDA ajustado por tonelada ficou em R$ 1.385/t, queda de 16% frente ao 4T25 e de 12% em relação ao 1T25.
Apesar da queda operacional, a Suzano registrou lucro líquido de R$ 4,3 bilhões no 1T26, ante lucro de R$ 116 milhões no 4T25 e de R$ 6,3 bilhões no 1T25. A melhora frente ao trimestre anterior foi impulsionada pelo resultado financeiro líquido positivo de R$ 4,6 bilhões, decorrente principalmente da desvalorização de 5% do dólar de fechamento frente ao real, que impactou positivamente a variação cambial da dívida em moeda estrangeira e a marcação a mercado dos derivativos.
A geração de caixa operacional, medida pelo EBITDA ajustado menos capex de manutenção, foi de R$ 2,5 bilhões no trimestre, queda de 31% frente ao 4T25 e de 4% na comparação anual. Por tonelada, o indicador ficou em R$ 784/t, recuo de 17% no trimestre e de 9% em relação ao 1T25. Já o fluxo de caixa livre ajustado foi de R$ 586 milhões, redução de 83% frente ao 4T25 e de 77% na comparação anual, pressionado por menor EBITDA, maior desembolso de juros, consumo de capital de giro e ajuste caixa negativo de derivativos.
O CFO da companhia, Marcos Assumpção, destacou que a carteira de hedge de fluxo de caixa somava US$ 5,6 bilhões ao fim de março, cobrindo 61% da exposição cambial. “Se o câmbio continuar a R$ 5,00, esse ajuste caixa que a gente vai receber ficaria entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões”, afirmou.
Segundo o executivo, a política de hedge também tem contribuído para mitigar impactos de custos associados à volatilidade do petróleo. “Se o petróleo continuar a US$ 104 por barril, […] a gente vai receber ajustes caixa de R$ 810 milhões até o final de 2027”, disse.
A dívida líquida da Suzano encerrou março em R$ 68,1 bilhões, abaixo dos R$ 69,4 bilhões registrados ao fim de dezembro. Em dólares, porém, a dívida líquida subiu para US$ 13 bilhões, ante US$ 12,6 bilhões no 4T25. A alavancagem medida em dólar aumentou para 3,3 vezes, ante 3,2 vezes no trimestre anterior.
Assumpção afirmou que a alta marginal do indicador refletiu fatores concentrados no início do ano. “A gente continua super focado em reduzir o tamanho da nossa dívida líquida […] para reduzir a nossa alavancagem para perto de 2,5 vezes”, disse, acrescentando que esse movimento deve ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos trimestres, com horizonte mais provável em 2027.
A companhia encerrou o trimestre com posição de caixa de R$ 22,7 bilhões e liquidez imediata de R$ 31,9 bilhões, considerando linha de crédito rotativo. Os investimentos de capital somaram R$ 3,2 bilhões no período, com destaque para maiores desembolsos em terras e florestas e manutenção florestal.
Fonte: News Pulpaper
