Klabin prevê fim de ciclo bilionário de investimentos e mira maior geração de caixa a partir de 2027
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Companhia espera avanço na desalavancagem e melhora das margens após conclusão das obras na unidade Monte Alegre, no Paraná.
12/05/2026 - A Klabin informou, na última quinta-feira, 7, durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre, que concluirá em dezembro o ciclo de investimentos iniciado há quase uma década. Segundo a companhia, a redução dos desembolsos com expansão deve impulsionar a geração de fluxo de caixa livre a partir de 2027, abrindo espaço para desalavancagem e maior retorno aos acionistas.
A expectativa mais positiva para os próximos trimestres está ligada ao avanço das obras e à perspectiva de recuperação dos preços globais. A modernização da caldeira da unidade Monte Alegre, no Paraná, considerada a etapa final de um ciclo de investimentos de quase nove anos, atingiu 80% de execução no primeiro trimestre, acima do previsto no cronograma.
De acordo com o diretor-geral da Klabin, Cristiano Teixeira, a companhia deverá ter capacidade de gerar entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões de fluxo de caixa livre por ano, em condições normais de mercado, assim que a pressão dos investimentos diminuir no próximo ano.
A empresa também trabalha para recompor margens em 2026. A Klabin confirmou reajuste de 6,6% no papel-cartão no mercado interno a partir do segundo semestre, buscando repassar a inflação acumulada desde maio de 2024, em um cenário de demanda aquecida, principalmente no setor de bebidas.
No primeiro trimestre, a companhia praticamente dobrou as vendas de papel “carrier” para o mercado cervejeiro na comparação anual. O desempenho ajudou a compensar parcialmente a menor oferta para exportação, diante da prioridade dada ao mercado doméstico de papelão ondulado, segmento no qual a Klabin detém cerca de 20% de participação.
Teixeira afirmou ver recuperação de preços em “praticamente todos os mercados”, movimento que deve compensar a pressão de custos com energia e logística registrada no primeiro trimestre. O executivo também destacou a expectativa de reajustes mais efetivos para a celulose fluff, utilizada na produção de fraldas descartáveis e absorventes, a partir do segundo trimestre.
No período, a Klabin registrou receita líquida de R$ 4,9 bilhões, alta de 2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, impulsionada pelo crescimento de 12% no volume vendido. Apesar disso, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 497 milhões, impactado principalmente pela variação cambial sobre a dívida e pela reavaliação de ativos biológicos.
Do lado operacional, os custos seguem sob monitoramento. A diretora financeira da Klabin, Gabriela Woge, afirmou que os efeitos climáticos severos registrados em 2025 ainda mantêm os custos de fibras em níveis elevados. Além disso, o conflito no Oriente Médio pressionou o preço do diesel, item que representa cerca de 40% das tarifas de frete rodoviário e florestal.
A executiva reiterou o compromisso da companhia com a meta de custo caixa total entre R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil por tonelada em 2026, apostando em ganhos de eficiência para compensar o aumento do combustível.
Para acelerar a redução da alavancagem, encerrada em 3,3 vezes na relação dívida líquida/Ebitda em dólares, a Klabin adotou postura mais conservadora em relação a novos investimentos. O projeto de expansão em Santa Catarina, que previa uma nova máquina de celulose fluff, foi oficialmente suspenso.
Segundo Teixeira, o projeto está “absolutamente em espera” e não será levado ao conselho em 2026. “Seguiremos desalavancando a companhia e nenhum investimento será proposto ao conselho este ano”, afirmou o executivo.
Woge destacou ainda que a estrutura de capital da companhia permanece fortalecida, com liquidez de R$ 11,5 bilhões e recentes iniciativas de gestão da dívida que reduziram o custo médio dos compromissos em moeda estrangeira para 5,1% ao ano. “A companhia segue focada em sua trajetória decrescente de alavancagem, fortalecendo a estrutura de capital”.
Fonte: Portal Celulose
