Acordo Mercosul–UE pode ampliar a competitividade da celulose brasileira no mercado europeu
- Sinpapel
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Após mais de 25 anos de negociações, tratado é assinado em Assunção, no Paraguai.
20/01/2026 - Após mais de 25 anos de negociações, o tratado econômico entre os países do Mercosul e a União Europeia (UE) foi oficialmente assinado. A cerimônia ocorreu no último sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, reunindo autoridades sul-americanas e europeias.
Estiveram presentes Santiago Peña, presidente do Paraguai; Javier Milei, presidente da Argentina; Yamandú Orsi, presidente do Uruguai; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; José Raúl Mulino, presidente do Panamá; Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; e António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Para o Brasil, o acordo representa a possibilidade de ampliar exportações com maior valor agregado, especialmente para um mercado considerado sofisticado e com maior previsibilidade institucional. Já para a União Europeia, o desafio envolve equilibrar interesses geopolíticos, compromissos ambientais e pressões internas de produtores rurais.
UE MANTÉM PAPEL ESTRATÉGICO NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS
Mesmo sem o tratado em vigor, a União Europeia já ocupa posição relevante no comércio exterior brasileiro. Nos 11 primeiros meses de 2025, as exportações agropecuárias do Brasil para o bloco somaram US$ 22,89 bilhões, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura. O valor ficou abaixo dos US$ 27,71 bilhões registrados no mesmo período de 2024, mas ainda representou 48,5% de todas as vendas externas do setor.
As exportações de carne bovina para a UE alcançaram US$ 820,15 milhões entre janeiro e novembro, crescimento de 83,2% na comparação anual. No caso da carne de frango, o bloco foi o sexto principal destino, com US$ 457,99 milhões. Já o café verde teve na União Europeia seu principal mercado, com US$ 6,43 bilhões em vendas no período, avanço de US$ 1,22 bilhão em relação a 2024.No complexo soja, a UE ocupou a terceira posição entre os destinos, com quase US$ 6 bilhões em embarques.
A celulose, apesar de uma retração de 12,9% nas exportações, manteve a União Europeia como seu segundo maior mercado, respondendo por 21,1% do total exportado pelo Brasil e gerando receitas de US$ 1,98 bilhão.
Caso o acordo entre em vigor, está prevista a redução ou eliminação de tarifas para produtos como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja, café e celulose, o que tende a ampliar a competitividade da indústria brasileira, incluindo o setor de base florestal, no mercado europeu.
Após a assinatura, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nota oficial sobre o tratado. “Para o Mercosul, [o acordo] implica o acesso preferencial à UE, a terceira economia global, um mercado de 450 milhões de pessoas e cerca de 15% do PIB mundial”, destacou.
“A União Europeia eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul, no valor aproximado de US$ 61 bilhões. Além disso, concederá acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões, beneficiando assim quase a totalidade das exportações do bloco para a UE”, acrescentou a pasta.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou, estimando que o acordo pode ampliar o acesso brasileiro ao comércio mundial de 8% para 36%. “A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação da pauta exportadora e a integração internacional do país ao comércio global”, afirmou a entidade.
Apesar da assinatura, o tratado ainda não entra automaticamente em vigor. O texto precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos, etapa que pode enfrentar resistências e resultar em ajustes na versão final do acordo.
Fonte: Portal Celulose




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