Suzano prepara nova alta da celulose na China e vê cenário mais favorável no curto prazo

Companhia conseguiu implementar o reajuste anunciado em setembro e pretende elevar o preço da fibra curta para US$ 600 por tonelada na China, segundo o BTG Pactual.
08/10/2026 - A Suzano conseguiu implementar o aumento de preços da celulose anunciado em setembro e prepara um novo reajuste para outubro, sinalizando uma melhora no ambiente de curto prazo para o produto. Segundo relatório do BTG Pactual após reunião com executivos da companhia em Nova York, a empresa pretende elevar o preço da celulose de fibra curta para US$ 600 por tonelada na China.
O banco manteve a recomendação de compra para as ações da Suzano, com preço-alvo de R$ 72.
A perspectiva mais favorável é sustentada por estoques menores nos portos, pelo adiamento do projeto OKI II, pelo aumento dos custos de madeira na Ásia e pelo fechamento definitivo de capacidade de produção de celulose de fibra longa.
De acordo com o BTG, a Suzano formou uma carteira de pedidos saudável após o reajuste de setembro e demonstra confiança na implementação do aumento anunciado para outubro. Para o banco, esses fatores apontam para um mini-ciclo mais favorável para a celulose, embora a visibilidade sobre o comportamento do mercado no médio e longo prazo ainda seja limitada.
A oferta elevada, no entanto, permanece como um dos principais desafios para o setor. Nesse contexto, fechamentos de fábricas, paradas de produção motivadas pelas condições de mercado e eventuais atrasos em novos projetos podem contribuir para reduzir o excesso de oferta.
SUZANO REDUZ APETITE POR NOVOS PROJETOS
Diante de um cenário ainda marcado por incertezas na relação entre oferta e demanda, a Suzano mantém uma postura mais conservadora em relação a novos investimentos em capacidade de produção.
Segundo o BTG, a companhia demonstra pouco interesse em adicionar volumes relevantes de capacidade ou realizar grandes investimentos, diante da piora na economia de novos projetos de fábricas e de uma perspectiva mais desafiadora para o equilíbrio entre oferta e demanda.
A estratégia está concentrada em fatores sob controle da companhia, como custos, investimentos, redução da dívida e captura de valor dos ativos adquiridos recentemente.
DESALAVANCAGEM GANHA PRIORIDADE
No campo financeiro, a Suzano deve atingir o pico de alavancagem no terceiro trimestre de 2026, após a conclusão da transação com a Kimberly-Clark.
O BTG espera geração positiva de fluxo de caixa livre daqui para frente, combinada à redução dos investimentos e à possibilidade de venda de ativos não essenciais. A combinação desses fatores deve contribuir para acelerar o processo de desalavancagem da companhia.
A administração também identifica espaço para melhorar a rentabilidade da joint venture com a Kimberly-Clark ao longo dos próximos três anos.
Para o BTG, a integração e a execução da operação são prioridades da Suzano neste momento, enquanto a busca por novos projetos de expansão perde espaço na estratégia da companhia.
OFERTA CONTINUA NO RADAR
O equilíbrio entre oferta e demanda seguirá como um dos principais fatores para determinar a trajetória dos preços da celulose. A entrada de novas capacidades pode aumentar a pressão sobre o mercado, enquanto o fechamento de unidades e a postergação de projetos tendem a contribuir para limitar o excesso de oferta.
Nesse cenário, o BTG avalia positivamente a disciplina de capital adotada pela Suzano, com foco na redução da dívida e na melhoria operacional dos ativos existentes.
A análise considera como pontos positivos a escala da companhia, o controle de custos, a geração de caixa e o potencial de ganhos de eficiência nas operações recentes. Ao mesmo tempo, a ausência de grandes projetos de expansão reduz a exposição da Suzano aos riscos associados a novos investimentos em um mercado ainda marcado por incertezas.
Fonte: Portal Celulose




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