Ibá defende avanço em biotecnologia para aumentar resiliência das florestas

Presidente da entidade, Paulo Hartung, aponta mudanças climáticas, formação de mão de obra e infraestrutura como principais desafios para o setor de celulose e papel.
08/101/2026 - O setor brasileiro de árvores plantadas precisa avançar nas fronteiras da biotecnologia para aumentar a resiliência das florestas diante das mudanças climáticas. A avaliação é de Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que destacou o tema entre os principais desafios enfrentados atualmente pelo setor de celulose e papel.
Segundo Hartung, os efeitos das mudanças climáticas sobre as florestas que abastecem a indústria reforçam a necessidade de ampliar as alternativas de desenvolvimento genético e tecnológico.
“É bonita a trajetória que fizemos de melhoramento genético e de clonagem. Dá para avançar nessas rotas? Dá, mas não estamos na hora de ter receios de percorrer outras rotas. Está na hora de estudarmos as biotecnologias, conversar, convencer, articular inclusive as nossas boas agências internacionais”, disse o dirigente nesta terça-feira, 6, na abertura do Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).
FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS
Além da adaptação das florestas às novas condições climáticas, Hartung apontou a formação de mão de obra qualificada como outro desafio estratégico. De acordo com o presidente da Ibá, o atual ciclo de expansão do setor exige investimentos também na formação de capital humano.
“É ter capacidade de formar novos profissionais para esses novos tempos que estamos vivendo, de revolução tecnológica impactante no mundo, que muda tudo. Muda pela digitalização, pela inteligência artificial e precisamos de gente. Esse é o maior desafio do setor.”
Hartung citou como exemplos desse ciclo de investimentos a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), considerada a maior fábrica de celulose de linha única do mundo, e o projeto da Arauco em Inocência (MS).
Segundo o dirigente, o empreendimento da Arauco mobiliza 16 mil trabalhadores e terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose. Ele também mencionou o projeto da chilena CMPC no Rio Grande do Sul, que, segundo Hartung, tem avançado.
INFRAESTRUTURA E ATRAÇÃO DE CAPITAL
A infraestrutura também foi apontada como um dos gargalos para o desenvolvimento do setor. Hartung destacou a necessidade de avanços em rodovias, portos, ferrovias e conectividade rural, além da criação de condições para ampliar a atração de capital externo.
“Para trazer dinheiro e poupança alheia para dentro do Brasil, precisamos ter segurança jurídica, bons marcos regulatórios, [além de] agências regulatórias profissionalizadas e não capturadas por interesses menores.”
Durante o evento, o presidente da Ibá também antecipou dados que deverão integrar o relatório anual da entidade. Segundo ele, a área plantada no Mato Grosso do Sul aumentou 220 mil hectares no ano passado.
“Nossa área plantada aumentou 220 mil hectares no Mato Grosso do Sul no ano passado. Esse setor diariamente planta 2,2 milhões de árvores no nosso país. Estamos plantando em 10,7 milhões de hectares”, completou.
Fonte: Portal Celulose




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