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Sinpapel - Há 83 Anos!

  • há 1 dia
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20/08/2026 - Belo Horizonte, era uma cidade de 214 mil habitantes, equivalente à população atual da cidade de Santa Luzia, na Região Metropolitana, quando no dia 23 de agosto de 1943 o Syndicato dos Fabricantes de Papel e Artefactos de Papel de Bello Horizonte passou a existir oficialmente. O Ministério do Trabalho e Emprego emitiu, então, a Carta Sindical, que possibilitou o reconhecimento da entidade, cuja criação começou a ser articulada na década anterior. Liderada pelos empresários Lauro Gomes Vidal, nome influente no comércio e na indústria da capital, e Elpídio Lima Rosa, a entidade teve a homologação definida no momento em que Minas Gerais começava a buscar a diversificação de sua economia com o apoio do empresariado.


Um mês após a oficialização da entidade dos fabricantes de papel, Lauro Gomes foi notícia no jornal Estado de Minas. Em página inteira, o principal veículo de comunicação do estado descrevia o evento em que o empresário era homenageado pela Associação Comercial de Minas, onde foi presidente. Era o reconhecimento da relevância dele como um dos líderes mais importantes na condução de iniciativas e articulações entre os setores produtivo e público para viabilizar o crescimento da economia de Minas. Em especial, da industrialização.


A década de 1940 marca momentos importantes para a industrialização do país, sob o cenário da ditadura do governo de Getúlio Vargas e da segunda Guerra Mundial. Com problemas de importação de máquinas, insumos e produtos, inclusive gasolina, a economia brasileira começava um processo de modernização. Essencialmente agrícola, dependente de produtos importados e exportador de café, o Brasil tinha 80,5% da sua população de 41 milhões de pessoas morando em zonas rurais.


Em Minas, o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, depois governador, e o presidente Vargas apostaram na criação de empresas que trouxessem investimentos e empregos para o Estado. Um dos marcos da busca de modernização mineira e da capital foi dado em 1941, com a criação da Cidade Industrial, na região metropolitana da capital. Foi o primeiro distrito industrial planejado do país, em Contagem, com linhas férreas desviadas para atender às novas empresas que ali se instalavam.


Industrialização pioneira

No Brasil, a história da produção do papel tem um desenvolvimento tardio. As primeiras fábricas de papel nasceram a partir de subvenções de D. Pedro II, em 1986. Em 1893, já com o fim do império, a praça da Sé, na região central da capital de São Paulo, recebeu a Fábrica de Sacos São José. Foi uma iniciativa pioneira, seguida lentamente por outros empresários com um perfil comum de comerciantes com origens na produção de café.


A criação de indústrias de papéis no nosso Estado, particularmente na nova capital, começa ser viabilizada, na realidade, entre as décadas de 1920 e 1930, com a instalação das primeiras unidades fabricantes do produto. Criada em 1933, a Federação das Indústrias de Minas Gerais, a Fiemg, já tinha a Fábrica de Papel Cruzeiro S/A como associada. A indústria tinha escritório na rua Tamóios, 64, e a fábrica rua Santa Quitéria, 300, tendo como sócios os empresários José de Moraes, Pedro Giannetti e Américo Renê Giannetti, um dos principais industriais mineiros que, além de um dos fundadores da Fiemg e diretor da Associação Comercial de Minas, foi prefeito de Belo Horizonte na década de 1950. Outras quatro empresas integravam o grupo de pioneiras da federação representante dos industriais.


Articulação

Como o fundador e presidente da Fiemg Giannetti, Lauro Gomes Vidal, o primeiro presidente do Sinpapel, era uma típica liderança empresarial surgida no período. O documento “100 anos da Associação Comercial de Minas” destaca que, o estado vivia, na década de 1930, o atraso relativo de sua economia, comparada com as de São Paulo e do Rio de Janeiro. “Não foi, assim, por acaso, que desde 1903 o tema predominante em todos os congressos de representantes dos setores produtivos venha sendo a necessidade de formulação de projeto de desenvolvimento econômico para Minas”, relata o documento da ACMinas.

Enquanto a segunda Guerra Mundial de desenrolava, com fortes impactos sobre a economia brasileira e o cotidiano de sociedade, o jornal Estado de Minas relatava, na edição do dia 4 de junho de 1943, que os produtores realizaram uma reunião na Federação das Indústrias em que reclamavam das dificuldades de abastecimento de laminados e cimentos. Na realidade, durante todo o conflito as importações de produtos acabados, inclusive papel, e celulose foram muito afetados. O que teve o seu lado positivo, pois a escassez da oferta estimulou investimentos para reduzir a dependência da produção externa. Para os industriais, era, segundo o jornal, inadiável e imperiosa a criação de um Escritório Regional de Coordenação de Mobilização Econômica para viabilizar o fortalecimento da economia regional.


Função do papel

A década de 1940 foi um período importante para a transição do perfil econômico de Minas Gerais. E de Belo Horizonte, em especial. “As indústrias que vieram para Minas passariam a se concentrar na Cidade Industrial de Contagem, recém-instalada”, recorda o livro “100 anos de história da AC Minas. O comércio se ajustava, na região central da capital, sofrendo mutações e adaptações necessárias aos novos tempos, à dinâmica da economia e da ocupação do espaço urbano.


Mais lentamente do que outras partes do mundo desenvolvido, o mercado de consumo mantinha os traços da sociedade primeira etapa da revolução industrial. O consumo de massa, caracterizador da segunda revolução industrial, chegava ainda lentamente. A produção de papel era destinada a atender demandas semelhantes às do início do século passado. Pouquíssimos produtos eram embalados para a venda. Na época, os sacos de papel eram produzidos sem impressão e confeccionados à mão.


Pessoas com mais de 50 anos ainda têm alguma memória dos armazéns e dos açougues do passado, fenômeno ainda bastante presente até o final dos anos 1960. Os alimentos vendidos a granel, pesados no balcão e colocados em sacos de papel. Na década de 1950, o desenvolvimento das impressoras colaborou para o início da mudança, que propiciou a evolução das embalagens, além dos sacos tradicionais, com recursos de impressão. Inclusive porque o Brasil começou a ter as primeiras fabricantes de máquinas para a produção de sacos de papel e bobinas.


O segundo governo de Getúlio Vargas, que se matou em 1954, e a presidência de Juscelino Kubitschek, foram determinantes para o salto industrial do país, inclusive para a cadeia de produção de papel, papelão, celulose e embalagem. No pós-guerra e início da Guerra Fria, o capitalismo assumia novas feições na formação da sociedade do consumo. O plano de metas de Kubitschek, formatado na proposta de desenvolvimento de 50 anos em cinco, incluiu planos de estímulo para o setor de papel e de celulose.


Entre os industriais era crescente a percepção de que o Brasil poderia ser grande fornecedor de matérias-primas, particularmente de celulose. A meta do governo era de estimular a auto-suficiência na produção de papel, com uma produção de 260 mil toneladas ao ano, o triplo da capacidade contabilizada em 1955. Em 1956, o consumo interno de papéis diversos e de papelões atingia cerca de 910 mil toneladas anuais, completamente abastecido pela indústria nacional.


Avanços conquistados nos anos 1950, inclusive a consolidação do uso de papel ondulado para a fabricação de caixas, foram seguidos por grandes alterações no setor de papel e celulose nas duas décadas seguintes. Com apoio governamental e atração de investidores estrangeiros, a indústria do papel viabilizou a expansão no sistema produtivo nacional. Foi uma etapa de fortalecimento da rede de produção e, mesmo, de consumo.


Avanços da celulose

Tempo de instabilidade política, os anos 1960 e 1970 foram importantes pelas grandes transformações do setor de papel e celulose. O livro “A História da Indústria de Celulose e Papel no Brasil” constata que a indústria expandiu-se com o apoio estatal e aos poucos se consolidou, em bases muito sólidas, atraindo a atenção dos investidores internacionais, dispostos a assumir riscos com o empresariado nacional. Ao mesmo tempo, houve um esforço para ampliar a base geográfica onde se concentravam as unidades industriais mais importantes.


Na prática, relatam os historiadores, os anos de 1960 e 1970 marcaram a consolidação da indústria de celulose e papel no Brasil com o surgimento de novas empresas e ampliação da capacidade de produção das já existentes. O ambiente favorável atraiu os grandes fornecedores mundiais de máquinas, equipamentos e produtos químicos, que se tornaram parceiros do setor de celulose e papel no país. Além disso, vários fabricantes nacionais ampliaram sua atuação vírgula, vezes desenvolvendo produtos para atender as dificuldades de importação e a redução de custos.


Em Minas, o avanço da indústria local ganhou força com apoio governamental, graças a uma nova infraestrutura de apoio ao desenvolvimento econômico. Com apoio da Federação das Indústrias e de entidades como o Sindicato das Indústrias de Papel, entre os anos 1960 e 1970 foram criados órgãos estratégicos como o Banco Desenvolvimento Econômico de Minas, a Fundação João Pinheiro e o Instituto de Desenvolvimento Industrial. A economia mineira comemorava, no início de 1962, a inauguração da Usiminas em Ipatinga, reforçando o interesse em se fortalecer. A Fiemg liderou uma campanha para assegurar a abertura da estrada que ligaria Belo Horizonte ao Vale do Aço, a atual BR-262.


Um dado importante do cenário de intervenção do setor público no setor de produção de papel foi a adoção de incentivos fiscais para iniciativas de reflorestamento. A partir da regulamentação da Lei 5.106, de 2 de setembro de 1966, que dispunha sobre incentivos fiscais concedidos para empreendimentos florestais, empresas e pessoas físicas poderiam descontar do Imposto de Renda até 50% do valor devido na atividade. “A iniciativa elevou grandemente o interesse pela atividade de reflorestamento”, atesta o livro “A História da Indústria de Celulose e Papel no Brasil”.

Um efeito prático dos estímulos ao reflorestamento em Minas foi a criação da Celulose Nipo-Brasileira - Cenibra. Fundada no dia 13 de setembro de 1973, a instalação da indústria em Belo Oriente, no Vale do Aço, foi o resultado da união da Companhia Vale do Rio Doce, a atual, Vale, com a Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development CO (JBP), grupo de empresas japonesas, de larga experiência no relacionamento com o Brasil. Em julho de 2001, com a decisão da CVRD de se desfazer de sua participação em empresas de base florestal, a JBP passou a ser detentora do controle acionário total da Cenibra.


Modernização do mercado de consumo

A década de 1980 foi marcante para as indústrias do setor de papéis no Brasil. Enquanto a economia brasileira vivia um período de estagnação, decorrentes de alta inflação e impactos da dívida externa, sob um contexto de crise global após o choque do petróleo, o setor de papéis vivia um momento de vitalidade, com crescimento médio anual de 4,8%. No período, a indústria de papel ocupou a posição de décima segunda maior produtora do mundo.


No segmento de embalagens, um dado importante foi a maturidade do mercado de consumo sob novas lógicas, focadas no marketing. A inauguração do BH Shopping em 1979, o primeiro centro de consumo de massa em Belo Horizonte, tem significados importantes para a produção. Um processo iniciado no exterior há décadas, com a criação dos supermercados e, posteriormente, dos supermercados, possibilitou a introdução de uma nova lógica da comercialização de produtos.


“Se antes a informação aos consumidores era feita por balconistas, a partir da criação do supermercado as próprias embalagens teriam que desempenhar a tarefa de vender os produtos”, atesta o boletim “A Evolução da Embalagem”, produzida pelo Sinpapel com o objetivo de resgatar a história do produto. Foi, segundo a publicação, uma verdadeira revolução no mundo das embalagens. “A partir desse momento, além de guardar, transportar, proteger e conservar o produto, elas passaram a ter que informar sobre o produto e vendê-lo.”

No final da década de 1990, os papéis para embalagens correspondiam a 84,86% do total ofertado pelas indústrias mineiras de papel. Com destaque para o papelão ondulado, em que o estado tinha a quarta maior produção do País, para bobinas de papel para embalagens e papelão e papel para embrulhos. O segundo tipo de papel em importância produzido pela indústria mineira era o sanitário.

Os dados fazem parte da pesquisa “Panorama da Indústria de Papel no Estado de Minas Gerais”, um estudo do setor realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (Indi) no início dos anos 2000.

Fonte: SINPAPEL

 
 
 

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