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Setor de papel e celulose mantém resiliência operacional, mas câmbio pressiona resultados no início de 2026

  • 26 de mai.
  • 3 min de leitura

26/05/2026 - O setor brasileiro de papel e celulose encerrou o primeiro trimestre de 2026 com desempenho operacional considerado resiliente, embora os resultados financeiros tenham sido impactados pela valorização do real frente ao dólar. Os balanços da Suzano e da Klabin, maiores companhias do segmento no país, indicam que o segundo trimestre deverá seguir marcado pelos esforços de recomposição dos preços internacionais, em meio a desafios relacionados a custos e às diferentes dinâmicas de demanda entre mercados ocidentais e asiáticos.


Entre janeiro e março, a valorização da moeda brasileira foi o principal fator de pressão para as exportadoras do setor. A Suzano registrou receita líquida de R$ 10,9 bilhões, representando queda de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a Klabin reportou receita de R$ 4,9 bilhões, avanço de 2%.


Segundo análise do BB Investimentos (BB-BI), o desempenho reflete a retração da taxa de câmbio, que acumulou queda de 10,3% desde o início do ano, reduzindo a conversão para reais das vendas realizadas em dólar.


A Suzano apresentou Ebitda ajustado de R$ 4,6 bilhões no trimestre, retração de 6% frente ao primeiro trimestre de 2025. Conforme informou a companhia, a recuperação dos preços médios em dólar foi “mais do que compensada pela apreciação do real”.


Já a Klabin registrou Ebitda ajustado de R$ 1,7 bilhão, queda de 10% na comparação anual, resultado impactado também pela parada programada de manutenção da unidade Monte Alegre, no Paraná.


Para o segundo trimestre, as perspectivas variam conforme a região. De acordo com levantamento do Itaú BBA, os fundamentos da celulose de fibra curta permanecem mais favoráveis na Europa e nos Estados Unidos, impulsionados pela demanda do segmento de papéis sanitários, criando espaço para novos reajustes.


Nesse contexto, a Suzano informou ter implementado integralmente os aumentos de preços de US$ 50 por tonelada anunciados para abril e prepara novos reajustes para maio nos mercados ocidentais.


Em contrapartida, o cenário asiático segue mais desafiador. Segundo avaliação da Ativa Investimentos, a China apresentou reajuste limitado a US$ 20 por tonelada em abril e não registrou novos repasses em maio, diante da maior oferta de fibras alternativas e da redução dos preços da fibra longa, fatores que restringem o potencial de valorização.


No âmbito operacional, a Suzano sinalizou que deve priorizar a recomposição de estoques ao longo do segundo trimestre, após iniciar o ano com níveis reduzidos. O Itaú BBA projeta estabilidade nos volumes de vendas no curto prazo, enquanto um crescimento mais expressivo é esperado apenas para o segundo semestre de 2026, período tradicionalmente mais aquecido para o setor.


Do lado dos custos, o cenário permanece sob monitoramento. A Klabin alertou que o conflito no Oriente Médio pode pressionar despesas relacionadas ao petróleo, especialmente diesel e fretes internacionais. A Suzano estimou que, caso o barril do Brent permaneça em níveis elevados, próximos de US$ 104, o impacto negativo no caixa poderá alcançar cerca de R$ 810 milhões nos próximos dois anos, ainda que parte desse risco seja mitigada por mecanismos de proteção financeira.


Apesar das pressões, a Suzano manteve a meta de custo caixa de produção de celulose próxima de R$ 800 por tonelada em 2026. Na Klabin, a expectativa é de continuidade da disciplina de capital e do processo de desalavancagem, com o encerramento do atual ciclo de investimentos previsto para o fim de 2026.


As avaliações sobre o potencial das ações do setor permanecem divididas. O BB-BI mantém recomendação de compra para ambas as empresas, destacando que os papéis são negociados com desconto entre 20% e 22% em relação às médias históricas de valor de mercado sobre lucro operacional.


Por outro lado, a Ativa Investimentos segue com recomendação neutra para a Suzano, citando uma execução operacional “mista” e ausência de gatilhos de valorização no curto prazo. O Itaú BBA também adota postura cautelosa em relação à Klabin, priorizando a análise da capacidade de geração de caixa livre após a conclusão dos projetos de expansão.


Na avaliação dos analistas, o desempenho do setor no curto prazo continuará fortemente condicionado ao ambiente geopolítico e, principalmente, à volatilidade cambial, que permanece como o principal fator de incerteza para a rentabilidade das companhias.


Fonte: Portal Celulose

 
 
 
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