top of page

Papeleiras investem em tecnologias para enfrentar impactos das mudanças climáticas

Empresas têm adotado iniciativas que, além de garantir o suprimento futuro da matéria-prima, geram maior competitividade operacional. Com intuito de reduzir o impacto das mudanças climáticas em sua base florestal, as papeleiras sul-americanas têm adotado iniciativas que, além de garantir o suprimento futuro da matéria-prima, geram maior competitividade operacional. Nesse sentido, algumas das estratégias adotadas incluem “hedge” florestal, exploração de novas fronteiras de plantio, melhoramento genético, investimento.



22/02/2024 - Com intuito de reduzir o impacto das mudanças climáticas em sua base florestal, as papeleiras sul-americanas têm adotado iniciativas que, além de garantir o suprimento futuro da matéria-prima, geram maior competitividade operacional.


Nesse sentido, algumas das estratégias adotadas incluem “hedge” florestal, exploração de novas fronteiras de plantio, melhoramento genético, investimento em tecnologias de precisão, aprimoramento das técnicas de uso do solo – e outros recursos naturais – e redução do impacto das operações no meio ambiente. Adicionalmente, o monitoramento de pragas e doenças também recebe reforço.


A América do Sul é reconhecida por ter menor custo de produção de celulose no mundo. No entanto, os efeitos da crise climática já são observados na produtividade de florestas de pinus e eucalipto.


Diante desse cenário, a maior produtora global de celulose de mercado, a Suzano, passou a adquirir terras e cultivar eucalipto além de sua necessidade futura há cerca de três anos, numa espécie de “seguro”. “Estamos bastante preocupados, mas o setor está avançado porque há décadas já monitorava o clima”, diz Fernando Bertolucci, diretor de tecnologia e inovação da Suzano.


Outra gigante do setor, a Klabin redobrou os esforços para aumentar a produtividade de suas florestas, após um período de escassez de chuvas acompanhado de elevação das temperaturas médias, a partir de 2018. “Isso levou a um trabalho de avaliação de cada uma das áreas plantadas e de material genético específico, ao uso da silvicultura de precisão”, afirma Franscisco Razzolini, diretor de tecnologia industrial, inovação, sustentabilidade e projetos.


A Climatempo, como fornecedor do setor, observou também o crescimento na busca por dados detalhados sobre o clima por parte das empresas, com algumas indústrias investindo até mesmo em estações meteorológicas próprias, com objetivo de ajudar seus negócios.


SUZANO

A principal produtora de celulose do país planta a um ritmo recorde de mais de 1,2 milhão de mudas de eucalipto por dia. A Suzano possui 1,7 milhão de hectares plantados e mais de 1 milhão de hectares de preservação, mas não revela o percentual referente ao “hedge” contra a crise climática.


Todavia, segundo Fernando Bertolucci, essa não é a principal iniciativa da companhia – a estratégia foca primeiramente em ter uma base genética cada vez mais resistente, a partir da melhor combinação entre clone e área.


Para auxiliar nesse propósito, a Suzano conta com uma ferramenta própria, nomeada Tetrys, que combina inteligência artificial, big data e cruzamento de dados para estabelecer o melhor local, em termos de chuva, incidência de luz, solo e outras variáveis, para o plantio de determinado clone. A produtividade florestal cresceu 2% com a tecnologia.


“O que procuramos é a capacidade [do clone] de ser o mais estável possível diante das mudanças climáticas”, explica Bertolucci.


KLABIN

Dentro da Klabin, o pensamento é semelhante. A empresa instalou 66 estações meteorológicas, que fornecem previsões de curto, médio e longo prazo, com avaliação por microrregião – inclusive do clone a ser cultivado – a fim de intensificar o monitoramento climático nas suas áreas de plantio.


Conforme Franscisco Razzolini, a companhia vem colhendo os resultados do foco na silvicultura de precisão – dos 19 clones que possui, tem 15 em uso e detém a patente desses cultivares. “Não fomos tão afetados no momento da crise hídrica porque já estávamos fazendo esse trabalho”, conta o executivo.


Além disso, a empresa investiu na ampliação de sua base florestal, crescendo cerca de 30% nos últimos anos. Em 2023, alcançou o recorde de quase 88 milhões de mudas plantadas, ou o equivalente a 54 mil hectares. A Klabin encerrou o ano passado com 751 mil hectares de florestas, dos quais cerca de 40% de áreas de preservação, somando os 85 mil hectares adquiridos da Arauco, por US$ 1,16 bilhão.


“A produtividade à frente ainda será melhor, porque temos um estoque de florestas geneticamente melhorado”, afirma Sandro Ávila, diretor florestal.


CMPC

A chilena CMPC, por sua vez, possui uma estratégia de ampliação da base florestal associada à recente expansão de capacidade produtiva, de cerca de 350 mil toneladas de celulose por ano na fábrica de Guaíba (RS). Segundo o diretor de assuntos corporativos no Brasil, Augusto Robert, a expansão florestal não é diretamente ligada às mudanças climáticas.


“A atividade florestal segue normalmente seu planejamento de operações. Mas, como representante da bioeconomia, a empresa tem realizado grandes transformações no caminho da descarbonização”, apontou.


Assim como as outras companhias, a CMPC investe na busca das melhores espécies para plantio. Esses estudos levaram à descoberta de uma variante híbrida da espécie Corymbia, mais resistente às principais pragas e doenças que afetam o eucalipto e de maior rendimento.


Além disso, em razão dos incêndios que afetaram as florestas da empresa no Chile no ano passado, foi reservado US$ 40 milhões para seu plano de combate e prevenção de incêndios no país neste ano, 15% acima do ano passado.


PRODUTIVIDADE FLORESTAL

Entre 1960 e 2000, a produtividade das florestas plantadas no Brasil apresentou grande crescimento, alcançando posição de destaque mundial. A partir de 2010, no entanto, refletindo também novas condições climáticas, a produtividade média ficou estagnada.


Segundo a Ibá, a produtividade média do eucalipto – que representa em torno de 75% da área de árvores cultivadas no país – na década de 70 estava em 10 metros cúbicos por hectare/ano. Até os anos 2000, mais que triplicou, para 36 metros cúbicos por hectare/ano. Recentemente, porém, recuou a 33 metros cúbicos por hectare/ano. No total, hoje são mais de 10 milhões de hectares de árvores plantadas no país.


Fonte: FatosDeMinas


Comentários


bottom of page