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Mercado de celulose avança na recuperação e revisa projeções para 2026


Movimento de recuperação após o tarifaço dos EUA ocorre em um cenário de aumento da produção no Brasil e na China.


13/01/2026 - Após um início de 2025 melhor do que o esperado, os preços da celulose de fibra curta na China, principal mercado de referência da commodity, registraram forte recuo ao longo do ano, pressionados pela entrada de novos volumes e pelo anúncio de tarifas comerciais pelos Estados Unidos. Com esse movimento, a cotação chegou a US$ 495 por tonelada em julho. A partir de agosto, porém, os preços iniciaram um ciclo de recuperação e encerraram o ano em torno de US$ 540 por tonelada, segundo relatório do BTG Pactual divulgado em 23 de dezembro.


De acordo com analistas, a tendência de recuperação deve se estender ao longo deste ano. Ainda assim, as incertezas relacionadas ao equilíbrio entre oferta e demanda levaram à revisão do preço médio anual projetado para 2026. No primeiro semestre de 2025, a estimativa superava os US$ 600 por tonelada. Após ajustes realizados na segunda metade do ano, a previsão passou para cerca de US$ 570 por tonelada, em média.


Mesmo sem a entrada de novas fábricas, já se espera um aumento da produção global de celulose, especialmente no Brasil e na China, fator que deve continuar pressionando os preços em 2026. Para Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, embora o chamado “tarifaço” dos EUA tenha gerado instabilidade no comércio global em 2025, o principal vetor do cenário desafiador de preços foi a entrada de novos volumes no mercado.


A partir do anúncio das tarifas americanas, em abril, a cotação da celulose caiu de forma acentuada e, desde então, vem passando por um ciclo gradual de recuperação. Além do avanço do projeto Cerrado, fábrica da Suzano com capacidade anual de 2,55 milhões de toneladas, também houve a expansão de fábricas integradas na China, um movimento iniciado em 2021, em meio à crise do mercado imobiliário no país.


Com o excedente de madeira que antes seria destinado à construção civil, fabricantes de papel chineses passaram a investir em linhas próprias de produção de celulose. “Com essa flexibilidade, eles ganharam mais poder de barganha na negociação de preço com os produtores de celulose”, afirma Sasson. Segundo ele, embora a entrada de novas capacidades integradas deva ser menor em 2026, devido ao aumento dos custos da madeira, esse fator seguirá como uma preocupação relevante para o mercado nos próximos anos. “É um ponto para ficar de olho porque a nossa visibilidade sobre o que acontece na China é muito menor”, diz.


Os preços da commodity já vinham em processo de correção desde meados de 2024, com a entrada em operação do projeto Cerrado. Esse efeito, no entanto, foi parcialmente compensado no início de 2025 pela paralisação inesperada da gigante chinesa Shandong Chenming, em decorrência de uma grave crise financeira. Estimativas indicam que essa interrupção gerou uma demanda adicional de cerca de 200 mil toneladas de celulose por mês, volume praticamente equivalente ao que o projeto Cerrado vinha adicionando ao mercado no mesmo período. Nesse contexto, a cotação na China chegou ao patamar de US$ 600 por tonelada.


O cenário positivo, porém, foi interrompido em abril, com o anúncio das tarifas americanas, que trouxe incertezas e paralisou negociações. A partir daí, os preços da fibra entraram em forte queda, atingindo o piso de US$ 495 por tonelada. A celulose brasileira chegou a ser taxada em 10%, afetando pontualmente as vendas aos Estados Unidos. Após negociações, a medida foi revertida em setembro, limitando o impacto nas exportações totais do país.


“A maior surpresa foi por quanto tempo os preços ficaram baixos”, diz Rodolfo Schmauk, diretor de corporates da Fitch Ratings. Esse patamar pressionou produtores com custos mais elevados, sobretudo no hemisfério norte, que recorreram a paradas não programadas e, em alguns casos, a fechamentos definitivos. A retomada mais consistente das cotações ocorreu apenas a partir de agosto, com os preços alcançando cerca de US$ 540 por tonelada em dezembro.


Ainda assim, estimativas de mercado indicam que aproximadamente 15 milhões de toneladas, tanto de fibra curta quanto de fibra longa, seguem operando com margens negativas. “Em 2026, não devemos ter mais fechamentos de alguns ‘players‘, o que deve trazer algum alívio na oferta”, afirma Fernanda Rezende, diretora sênior de corporates para a América Latina da Fitch Ratings.


Do lado da demanda, a executiva avalia que uma recuperação mais consistente de mercados como China, Europa e Estados Unidos poderia acelerar o ritmo de retomada dos preços. “Seria um fator positivo, mas ainda temos pouca visibilidade. No momento, ainda vemos um cenário mais gradual”, diz.


Fonte: Portal Celulose

 
 
 

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