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Integração vertical chinesa pressiona demanda por celulose brasileira

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Avanço da produção doméstica e da base florestal na China reduz dependência de importações e acende alerta no setor.


28/04/2026 - A China já é o maior mercado de tissue do mundo, responsável por mais da metade da capacidade instalada global, estimada em cerca de 65 milhões de toneladas métricas. O que vem chamando cada vez mais a atenção de analistas, no entanto, não é apenas o tamanho desse mercado, mas a velocidade de sua reorganização interna. O país avança com integração vertical acelerada, amplia sua base florestal doméstica e reduz de forma consistente a dependência de celulose de mercado importada. Para os grandes exportadores brasileiros, esse movimento configura um risco estrutural de médio prazo que começa a se tornar mensurável.


Dados recentes indicam que a China adicionou 2,5 milhões de toneladas métricas de capacidade de tissue nos últimos dois anos, com 145 novas máquinas instaladas na Ásia desde 2022. Dessas, seis das nove máquinas mais avançadas estão em território chinês, todas comissionadas após 2022. Para Marcello Collares, diretor de Inteligência de Mercado da TTOBMA, esse avanço reflete uma decisão estratégica do governo chinês de reduzir a dependência de importações em setores considerados prioritários, incluindo papel e celulose.


O impacto mais relevante aparece na cadeia de insumos. Segundo Trip Jobe, VP de Vendas Globais da ResourceWise, a participação da celulose importada no consumo total de fibra da indústria chinesa de tissue já caiu para cerca de 30% e segue em trajetória de queda. “Essa porcentagem está diminuindo à medida que novas linhas de celulose entram em operação”, afirmou Jobe. “Isso vai continuar a declinar. As capacidades estão lá.” Essa tendência contraria a expectativa tradicional de que o aumento da capacidade produtiva elevaria proporcionalmente a demanda por celulose de mercado, o que não vem se confirmando.


O principal fator por trás dessa mudança é a integração vertical. De acordo com Jobe, a capacidade de fábricas de tissue integradas à produção própria de fibra virgem cresceu quase 50% nos últimos quatro anos, somando 2,5 milhões de toneladas. Enquanto essas plantas operam com custo próprio de fibra, as unidades não integradas continuam expostas ao custo da celulose adquirida no mercado. A diferença de competitividade entre esses modelos se torna cada vez mais evidente e orienta os investimentos chineses.


Outro vetor importante é o avanço da base florestal doméstica. Dentro de um planejamento de longo prazo, descrito por Jobe como um “plano de cinquenta anos”, a China tem expandido rapidamente suas plantações. Parte da madeira é destinada a setores como construção e mobiliário, mas o volume produzido também fortalece a posição estratégica do país. “Se você tem a fonte, não precisa necessariamente ir direto para celulose e papel; isso lhe dá capacidade de negociar, dá poder para pensar em todas as suas indústrias”, explicou. O portfólio inclui coníferas, pinus e folhosas tropicais, ampliando a flexibilidade de uso.


No contexto macroeconômico, Collares destaca que o crescimento líquido da celulose kraft de fibra curta branqueada deve girar em torno de 1,8 milhão de toneladas por ano na próxima década, concentrado no segmento de folhosas. Embora a China tenha expandido significativamente sua capacidade produtiva nas últimas décadas, a demanda interna sustentou o fluxo de importações até recentemente. Agora, os dados indicam que esse desequilíbrio está diminuindo mais rápido do que o esperado.


Um dado resume essa transformação. Mesmo com a expansão das máquinas de tissue, as importações de celulose não cresceram. “Essa curva está plana; não está caindo apenas um pouco. É por causa de sua integração, da fibra de madeira que chegou”, afirmou Jobe. A estabilidade das importações em um cenário de crescimento da capacidade reforça que a produção doméstica e a integração vertical estão substituindo, na prática, a celulose importada.


Para os principais exportadores brasileiros, como Suzano, Bracell e Klabin, o cenário aponta para uma possível compressão gradual de um de seus principais mercados. A China é destino relevante da celulose de eucalipto brasileira, e a redução estrutural dessa dependência pode significar menor volume exportado e pressão sobre preços. Jobe sintetiza o desafio: “Quais são as implicações se alguém é um grande exportador para a China hoje e esse mercado se fecha? Para onde vão? América Latina, Europa?” Ainda sem resposta definitiva, a tendência de queda nas importações chinesas já exige revisão estratégica por parte das empresas do setor.


Fonte: Portal Celulose

 
 
 

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