Suzano eleva preços da celulose e mercado de embalagens acompanha impacto nos custos

Novos reajustes entram em vigor em outubro e podem influenciar a estrutura de custos de fabricantes de papéis para embalagens, em meio a diferentes perspectivas sobre a sustentação das altas.
29/09/2026 - A Suzano anunciou novos reajustes nos preços da celulose de fibra curta de eucalipto para os principais mercados em que atua. Os aumentos entram em vigor em outubro e podem elevar os custos de matéria-prima para fabricantes de papel, com possíveis impactos sobre segmentos que utilizam a celulose na produção de papéis destinados a embalagens.
Para as Américas, que incluem América do Norte e América Latina, e para a Europa, o reajuste será de US$ 50 por tonelada. Com a nova alta, o preço de referência da celulose de fibra curta no mercado europeu deve chegar a US$ 1.360 por tonelada.
O aumento representa a segunda elevação de US$ 50 anunciada pela companhia para essas regiões em 2026. O reajuste anterior foi comunicado em abril e passou a valer em maio.
Na Ásia, por sua vez, o novo aumento será de US$ 20 por tonelada e também terá efeito a partir de outubro. O movimento ocorre menos de um mês após outro reajuste de US$ 20 destinado à região. Atualmente, a celulose de fibra curta é negociada entre US$ 570 e US$ 580 por tonelada na Ásia.
Para o mercado de embalagens de papel, a evolução dos preços da celulose pode representar uma variável relevante para a estrutura de custos das empresas produtoras. O efeito sobre os preços dos papéis, contudo, depende de fatores como demanda, estoques, capacidade produtiva e condições de comercialização em cada mercado.
MERCADO ASIÁTICO
A dinâmica de oferta e demanda tem contribuído para a recuperação recente dos preços da celulose de fibra curta. Em relatório divulgado nesta semana, analistas do Itaú BBA afirmaram que o mercado global da fibra se reequilibrou em ritmo mais rápido do que o previsto pelas próprias empresas do setor.
“Vários fatores convergiram. Os estoques caíram para cerca de 2,3 meses; quando os preços atingiram US$ 560 por tonelada, os produtores integrados de papel chineses começaram a comprar celulose de mercado; e o atraso do OKI II (projeto de uma concorrente na Indonésia) forçou os produtores chineses a recompor estoques antes do planejado. Isso permitiu a implementação do aumento de US$ 20 por tonelada em setembro, e mais US$ 20 estão sendo discutidos para outubro”, escreveram.
Segundo os analistas, a redução dos estoques e o aumento das compras por parte de produtores integrados de papel na China ajudaram a sustentar os reajustes recentes. O cenário asiático também é influenciado pelo cronograma de entrada de novas capacidades de produção de celulose na região.
PERSPECTIVAS PARA A CELULOSE
Apesar do movimento recente de alta, a sustentabilidade dos reajustes ainda é avaliada com cautela por parte do mercado. Analistas da XP Investimentos destacaram, em relatório divulgado na semana passada, fatores que podem limitar uma recuperação mais prolongada dos preços da celulose.
“Continuamos vendo espaço limitado para recuperação sustentada, dada a fraca rentabilidade dos fabricantes de papel, cerca de 6,8 milhões de toneladas de capacidade adicional de celulose integrada esperada na China até 2027 e novos projetos de celulose de mercado programados para começar no próximo ano”, disseram analistas do banco na última semana.
A combinação entre novas capacidades produtivas e a rentabilidade dos fabricantes de papel pode influenciar a trajetória dos preços nos próximos meses. Para a indústria de papéis para embalagens, a evolução desse cenário será relevante para a formação de custos e para as decisões comerciais ao longo da cadeia.
Fonte: Portal Packaging




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