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Indicadores econômicos reacendem alerta para a desindustrialização, aponta CNI

  • há 24 horas
  • 2 min de leitura

Indústria de transformação acumula quinta queda nos últimos sete anos; cenário econômico exige prudência nas discussões sobre redução da jornada de trabalho.



05/03/2026 - A queda de 0,2% do PIB da indústria de transformação no ano passado reforça o processo de desindustrialização do país, alerta a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O setor passa pela quinta retração nos últimos sete anos e, se nada for feito, deve perder mais espaço na economia em 2026.


Após crescer 3,9% em 2024, o desempenho da indústria de transformação não se sustentou. Em 2025, o setor foi asfixiado pelos juros elevados e pela invasão de produtos estrangeiros no mercado nacional.


“A Selic desestimulou o investimento, encareceu o crédito aos consumidores e restringiu a demanda por bens industriais. Essa situação é agravada pela expansão das importações, que cresceram de forma generalizada e em ritmo muito superior ao da demanda”, afirma o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra.


Crescimento da indústria foi mais fraco e desigual que em 2024

A política monetária contracionista se refletiu em toda a cadeia produtiva. A construção, por exemplo, cresceu 0,5%. Não à toa, o PIB industrial, como um todo, subiu 1,4%, menos da metade do registrado em 2024. O resultado só não foi pior devido à alta de 8,6% da indústria extrativa, puxada pela produção de petróleo e gás.


Já a taxa de investimento fechou 2025 em 16,8% do PIB, aquém dos 20% verificados entre 2010 e 2013 e do necessário para sustentar taxas de crescimento mais elevadas na economia brasileira.


“O cenário preocupa, mas não é novo: desindustrialização e baixo investimento. As medidas para reverter esse quadro precisam ser tomadas de forma imediata; do contrário, o desempenho do PIB em 2026 será ainda mais modesto”, pontua Marcio Guerra.


Discussão sobre jornada de trabalho exige maior sobriedade

Nesse contexto, a CNI ressalta a falta de pragmatismo nas discussões sobre a redução da jornada de trabalho. A imposição de novos custos, neste momento, agravaria a saúde financeira das empresas.


Vale lembrar que a indústria:

  • Usa, proporcionalmente, mais mão de obra qualificada que a média do setor privado;

  • Está mais sujeita às elevações de custos do que outros setores, pois ocupa posição central nas cadeias produtivas;

  • Opera sob elevada exposição à concorrência internacional, o que amplia o impacto de aumentos de custos sobre produção e emprego no setor;

  • Possui setores e postos de trabalho em que a compensação de horas é inviável ou muito cara.


As incertezas em torno desse debate, por sua vez, afetam investimentos, que poderiam impulsionar a produtividade, condição que deveria ser tratada como prévia à redução da jornada e não consequência.


Fonte: CNI

 
 
 

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