Economia circular e a indústria gráfica - Two Sides

Um grande desafio para a economia mundial é compatibilizar crescimento com sustentabilidade ambiental. Esse desafio se desdobra em três questões... A simples redução do consumo, como muitos propõem, não resolve o problema. Essa atitude, embora louvável, pode implicar na redução da atividade econômica, pelo menos dentro do modelo dominante. Também não considera que centenas de milhões de pessoas pobres querem usufruir de um pouco mais de riqueza e conforto material.


Imagem Freepik


07/04/2022 - Um grande desafio para a economia mundial é compatibilizar crescimento com sustentabilidade ambiental. Esse desafio se desdobra em três questões:

  • Como garantir suprimento de matérias-primas para a produção crescente de bens de consumo?

  • Como garantir que os resíduos da produção e produtos descartados após o uso não contaminem o meio ambiente?

  • Como reduzir as emissões de gases do efeito estufa?

A simples redução do consumo, como muitos propõem, não resolve o problema. Essa atitude, embora louvável, pode implicar na redução da atividade econômica, pelo menos dentro do modelo dominante. Também não considera que centenas de milhões de pessoas pobres querem usufruir de um pouco mais de riqueza e conforto material.


No entanto, o assunto não pode ser deixado de lado e é urgente. É evidente que o planeta está sendo exaurido em seus recursos não renováveis e que a poluição tem levado a consequências muito graves, como a degradação de ecossistemas e as mudanças climáticas. Acrescente-se a isso o fato de que a exploração exagerada dos recursos naturais e a poluição também tendem a frear o crescimento econômico.


É nesse contexto que o conceito de economia circular foi desenvolvido. Essa abordagem é também representada pela expressão “cradle to cradle” (do “berço ao berço”). A pioneira dessa ideia foi a velejadora inglesa Ellen MacArthur, a partir de 2004. Em 2010 foi criada uma fundação com o seu nome e o tema passou a ser levado seriamente em conta por grandes empresas e estudiosos.


Essencialmente, a produção industrial está baseada no modelo: extração de recursos; produção de bens e, finalmente, descarte ou reciclagem de resíduos e de bens pós-consumo. Frequentemente o descarte é feito diretamente nos ecossistemas, sem tratamento, ou em depósitos de lixo. Em situações melhores, resíduos são tratados antes do descarte, para redução ou eliminação de sua toxicidade, e bens inservíveis são reciclados parcialmente (poucos são completamente reciclados).


A economia circular sugere a mudança do próprio modelo de produção. A proposta é que o processo de design dos produtos tenha como um objetivo a possibilidade de reciclagem total dos materiais utilizados na sua fabricação e/ou a reutilização de suas partes. Daí a expressão do “berço ao berço”, em substituição à fórmula do “berço ao túmulo”. Na economia circular nada morrerá, tudo será reaproveitado, transformado em novos bens. No limite, não haverá mais lixo oriundo da produção, apenas materiais a serem reciclados e reutilizados. O crescimento da economia deverá ser impulsionado no longo prazo porque a limitação dos recursos não renováveis será superada.


Segundo Léa Gejer e Carla Tennenbaum, do site https://ideiacircular.com/ - “O lixo é um erro de design”.


Parece impossível? Difícil sim, impossível não. Pelo menos muitas empresas importantes acreditam nesse conceito e estão investindo pesado em processos e tecnologias que possam realizá-lo.


Segundo Michael Braungart e William McDonough, a economia circular se baseia em três princípios:


  1. Os materiais não devem ter potencial de prejudicar a saúde dos seres vivos. Além disso, devem ser reutilizáveis e/ou recicláveis. Nesse sentido, distinguem-se os ciclos biológico e técnico. O primeiro é típico dos materiais biodegradáveis, sem componentes tóxicos, e que, de volta à natureza, possam ajudar a regenerá-la. Esse pode ser o caso, por exemplo, de materiais celulósicos e de tintas e vernizes formulados com essa preocupação. Já o ciclo técnico abrange os materiais que podem ser reciclados ou reutilizados repetidamente e, dessa forma, ter seu valor recuperado. Neste caso, deve-se levar em conta os possíveis impactos ambientais dos processos de reciclagem.

  2. Utilização de fontes de energia renováveis, idealmente de origem solar, mas também eólica e outras. No Brasil, os fabricantes de celulose e papel estão muito avançados na utilização de energia renovável gerada a partir de biomassa e de resíduos dos próprios processos de fabricação.

  3. Promoção da biodiversidade. Também aqui os suportes celulósicos (papel, cartão e papelão) mostram vantagens. As áreas de responsabilidade das indústrias de base florestal no Brasil, incluindo árvores cultivadas e florestas nativas preservadas e/ou recuperadas, representam menos de 2% do território nacional. Ainda assim, essa pequena extensão possui índices positivos de biodiversidade. O setor florestal trabalha com o plantio em mosaico, integrando vegetação natural e plantios comerciais, permitindo a formação de corredores ecológicos. Das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, 38% dos mamíferos e 41% das aves são encontradas nessas áreas.


A indústria gráfica não está tão longe de migrar para esse novo modelo. Os substratos celulósicos são oriundos de fonte renovável – árvores cultivadas. Os produtos impressos em papel, após seu uso, já são largamente reciclados. Já estão disponíveis tintas e vernizes com componentes renováveis e que possam passar pelo processo de reciclagem. À medida em que clientes e consumidores finais compreenderem o significado de economia circular espera-se que passem a preferir produtos projetados segundo esse conceito. Two Sides apoia e encoraja iniciativas que ajudem a fechar esse ciclo virtuoso.


Para saber mais:


Livro: “Cradle to Cradle - criar e reciclar ilimitadamente”. Michael Braungart e William McDonough. Editora Gustavo Gili Brasil, 2013.


Two Sides é uma organização global, sem fins lucrativos, criada na Europa em 2008 por membros das indústrias de base florestal, celulose, papel, cartão e comunicação impressa. Two Sides estimula a produção e o uso conscientes do papel, da impressão e das embalagens de papel, bem como esclarece equívocos comuns sobre os impactos ambientais da utilização desses recursos. Papel, cartão e papelão são provenientes de florestas cultivadas e gerenciadas de forma sustentável. Além disso, são recicláveis e biodegradáveis.


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Fonte: Two Sides