Suzano pretende captar recursos por meio de bônus ambiental

Trata-se de um novo instrumento internacional de dívida, no qual a empresa faz a captação de recursos atrelada ao cumprimento de metas ambientais.


08/09/2020 - A Suzano, maior produtora global de celulose de eucalipto, anunciou uma oferta de recompra de até US$ 1 bilhão de títulos de dívida internacional. A companhia deve lançar, na próxima semana, um “sustainable linked-bonds” para financiar essa operação.

Trata-se de um novo instrumento internacional de dívida, no qual a empresa faz a captação de recursos atrelada ao cumprimento de metas ambientais. Ele é diferente dos “green bonds” pois, nesses títulos verdes, o recurso levantado costuma ser carimbado para ser usado especificamente em determinado projeto. Até hoje, foi realizada uma única emissão de “sustainable linked-bonds”, pela italiana Enel, em outubro de 2019.

“Nesse tipo de papel, não interessa como a empresa vai usar o dinheiro, mas sim, se ela vai ou não atingir o objetivo. O ‘green bond’ vai olhar somente se os recursos foram para o projeto, se ele deu certo ou não, tanto faz”, explica Marcelo Bacci, diretor executivo de finanças e de relações com investidores da Suzano. “O aspecto ESG não está no uso do dinheiro, mas no compromisso que a empresa se compromete a atingir”, acrescenta.

De acordo com Bacci, o novo bônus terá um prazo de dez anos e o nível de taxa e o tamanho da emissão devem ser definidos na próxima semana, depois que a operação for apresentada a investidores. As operações internacionais de companhias do porte da Suzano costumam ser de, no mínimo, US$ 500 milhões. O conselho de administração da fabricante de celulose aprovou a captação de até US$ 2 bilhões em bônus externos, com um novo título e a reabertura de emissões, que vencem nos anos de 2030 e 2047.

O “sustainable linked-bond” da Suzano estará relacionado a metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa. Se o objetivo estabelecido pela companhia não for cumprido, o juro é acrescido de 25 pontos-base a partir de 2026, no quinto ano de vida do papel. Caso haja a penalidade, ela será mantida até o fim do prazo da emissão.

A companhia tem como meta reduzir em pelo menos 10,9% as emissões de gás carbônico, considerando a média de 2024 e 2025, comparada ao ano de 2015, quando foram emitidas 0,213 toneladas de gás carbônico. A meta é sobre as emissões do chamado escopo 1 e 2, ou seja, as emissões diretas da companhia em todas as suas operações e as emissões relacionadas à compra de energia elétrica. A averiguação do cumprimento da meta será feita por um auditor externo e independente. Vale salientar que a Suzano já é uma empresa com pegada negativa de carbono.

O executivo explica que a emissão é uma forma de a empresa assumir um compromisso de natureza ambiental e trazer um incentivo financeiro para atingir o objetivo. “No começo do ano, divulgamos uma grande lista de objetivos ESG (Environmental, social and corporate governance; em português, governança ambiental, social e corporativa) para a próxima década. Pegamos um deles e trouxemos para este ‘bond’. Dependendo do resultado dessa emissão, poderemos atrelar outros compromissos da lista a outros papéis”, declarou o diretor, salientando que a redução de emissões de gás carbônico foi escolhida primeiro por ser “relevante, fácil de medir e de compreender”.

A operação, cota Marcelo, também será relevante para que a Suzano acesse uma nova base de investidores, comprometidos com o ESG.

A recompra foi lançada para papéis de prazo mais curto, que têm vencimento em 2024, 2025 e 2026. As empresas J.P. Morgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, BNP, Crédit Agricole, MUFG, Santander, Rabobank, SMBC Nikko, Scotiabank e Mizuho coordenam a oferta do novo bônus.

Fonte: Tissue Online

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