Suzano inicia 2021 com reajustes em todos os mercados

Aquecimento do mercado de tissue é um dos fatores que contribuem para a recuperação dos preços da celulose. Desde outubro de 2020, a Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, anunciou três reajustes nos preços da fibra para o mercado chinês. A fabricante inicia 2021 com um movimento que não se via há meses, com aumentos em todos os mercados.



07/01/2021 - Desde outubro de 2020, a Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, anunciou três reajustes nos preços da fibra para o mercado chinês. A fabricante inicia 2021 com um movimento que não se via há meses, com aumentos em todos os mercados.


No quarto semestre do ano passado, a recuperação dos preços da celulose ganhou força, impulsionada pela demanda chinesa e problemas na oferta de fibra longa, que também impactam na fibra curta.


Para o diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal de Almeida, a indústria entra em 2021 com condições “bastante favoráveis” tanto para a fibra curta quanto para a fibra longa. As perspectivas positivas permanecem para os próximos meses. “A demanda está aquecida em todas as regiões”, defendeu o executivo.


Em 18 de dezembro, a companhia reportou a seus clientes na China um novo aumento, de US$ 30, para janeiro, o que levou a fibra a ser negociada a US$ 530 por tonelada. No mesmo dia, a Fastmarkets Foex afirmou que o preço líquido da fibra curta foi elevado em US$ 17,80 em uma semana no mercado chinês, para US$ 485,29 a tonelada, apontando que os reajustes estavam sendo implantados.


A empresa já havia anunciado aos seus clientes na Europa e nos Estados Unidos novos preços para celulose a partir de 1º de janeiro de 2021. Com isso, o preço efetivo no mercado europeu chegou a US$ 750 por tonelada e a US$ 970 na América do Norte.


Segundo os analistas do J.P. Morgan, Márcio Farid, Rodolfo Angele e Lucas F. Yang, a recente tendência surpreendeu e as condições atuais significam um “risco de alta” para as projeções de preço. A estimativa de preço do banco é de US$ 520 por tonelada de fibra curta e de US$ 630 por tonelada de fibra longa neste ano.


De acordo com Aníbal, uma combinação de fatores tem levado à recuperação dos preços mais rápida do que o esperado. Na América do Norte, a produção de tissue cresceu 4,7% no ano até outubro, aumentando a demanda por matéria-prima.


O mercado de tissue também está aquecido na Europa, onde mais recentemente, houve recuperação no consumo de papéis para imprimir e escrever e especiais, que voltaram a níveis próximos aos vistos antes da pandemia.


Já na China, todos os tipos de papel têm mostrado forte desempenho, com destaque para a produção de cartões, que teve alta de 6% no ano até outubro, impulsionada pelo movimento crescente de substituição do plástico por materiais renováveis. A proibição da importação de aparas de papel a partir deste ano leva a crer que a demanda por fibra virgem seja ainda maior, o que pode dar sustentação às cotações.


Outro fator que aponta para a recuperação dos preços é a valorização de diferentes moedas frente ao dólar. Ao passo em que aumenta o poder de compra dos chineses (no caso da valorização do yuan), também sobe a pressão para os produtores europeus por mais reajustes.


O comportamento de preços, especialmente da fibra longa, ainda é influenciado pela falta de contêineres, que provocou desequilíbrio entre oferta e demanda. Com a valorização da fibra longa, há reflexos também na fibra curta, já que esta é mais barata – o que estimula a migração para o segundo tipo de matéria-prima.


A agência de classificação de risco Moody’s acredita que as perspectivas para a indústria de celulose e papel do Brasil e da América Latina em 2021 são positivas. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) dos fabricantes de celulose latino-americanos deve ter um avanço de mais de 10%.


Fonte: Tissue Online