Setor de papel e celulose reduz uso de água em 75%

No passado, o setor era considerado gerador de poluentes e captador não regulamentado de água dos rios – cenário que vem mudando ao longo dos anos. A indústria de papel e celulose é uma grande consumidora de água, usada para o cultivo de florestas e no processo industrial, mas vem redesenhando sua relação com os recursos hídricos. No passado, o setor era considerado gerador de poluentes e captador não regulamentado de água dos rios – cenário que vem mudando ao longo dos anos. “Desde a década de 1970, a indústria reduziu em 75% o uso de água em suas unidades fabris”, diz o diretor executivo da Ibá.



29/03/2022 - A indústria de papel e celulose é uma grande consumidora de água, usada para o cultivo de florestas e no processo industrial, mas vem redesenhando sua relação com os recursos hídricos. No passado, o setor era considerado gerador de poluentes e captador não regulamentado de água dos rios – cenário que vem mudando ao longo dos anos. “Desde a década de 1970, a indústria reduziu em 75% o uso de água em suas unidades fabris”, diz José Carlos da Fonseca Jr., diretor executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).


“Com os avanços que tivemos ao longo dos anos, hoje, em média, 82% da água retorna ao corpo hídrico, e muitas vezes melhor do que captada na fonte, após utilizada no processo produtivo”, reforça Paulo Cassim, coordenador da comissão técnica de meio ambiente da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).


Considerando os últimos 40 anos, diz o especialista, a recirculação da água no processo (reaproveitamento) é de 5,2 vezes em grandes fábricas integradas, a partir de modernas tecnologias. Dentre elas, Cassim cita o fechamento de circuito com o uso de torres de resfriamento, o reciclo e o aproveitamento de filtrados nas lavagens.


Especialistas afirmam que, há 40 anos, a indústria consumia de 180 m³ a 200 m³ de água para produzir uma tonelada de celulose. Hoje, são 25 m³ por tonelada, em média. “Para 2030, as principais indústrias têm anunciado recuos entre 20% e 30% do consumo atual”, afirma o profissional, que também é especialista corporativo de saúde, segurança do trabalho e meio ambiente da Sylvamo.


Buscando a redução do consumo de água, o setor tem investido mais de R$ 600 milhões ao ano na parte industrial. Segundo o executivo da Ibá, a área de árvores cultivadas aplicou entre 2016 e 2019 R$ 18 bilhões. A área plantada pelas empresas é de 2,9 milhões de hectares. “Atualmente, há investimentos em andamento ou previstos de R$ 53,2 bilhões até 2024. São recursos que visam também aumentar a tecnologia e eficiência para uso ainda mais responsável e consciente de recursos naturais”, diz.


Algumas empresas vêm realizando ações com o objetivo de reduzir o consumo do recurso em suas operações, como a Klabin, que diminuiu, desde 2004, cerca de 48% o uso da água por tonelada produzida.


Já a Bracell devolve aos rios 85% da água captada, contra 82% da média do setor, além de a nova fábrica do grupo ser pioneira no tratamento terciário de efluentes.


A Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, estabeleceu como meta a redução de 15% na captação até 2030, tomando como base 2018. A meta de redução integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, que têm a adesão da companhia.


Fonte: Tissue Online