Queda do consumo e inflação preocupam o setor de embalagens

Para este ano, segmento em Minas não espera crescimento real. A embalagem é um termômetro da economia e um indicador seguro de sua performance, afinal boa parte da produção segue das empresas para o comércio em caixas de papelão. E se durante a pandemia a indústria de embalagens produziu menos por falta de papel, agora tem dificuldades para repassar o aumento dos custos e começa a sentir a queda da demanda, provocada pela redução do consumo.


Entre 2019 e 2020, a produção de embalagens teve queda de 35% em Minas Gerais

Crédito: Alisson J. Silva / Arquivo DC


19/07/2022 - A embalagem é um termômetro da economia e um indicador seguro de sua performance, afinal boa parte da produção segue das empresas para o comércio em caixas de papelão. E se durante a pandemia a indústria de embalagens produziu menos por falta de papel, agora tem dificuldades para repassar o aumento dos custos e começa a sentir a queda da demanda, provocada pela redução do consumo.


No início da pandemia, o setor de embalagens produziu menos pela falta de um insumo fundamental: o papel. Os novos hábitos da população – como as refeições por delivery – fizeram explodir a procura em todo o mundo, e quem produzia a matéria-prima preferiu fornecer para o mercado internacional.


Entre 2019 e 2020, a produção de embalagens teve queda de 35% em Minas Gerais, Estado que responde por 12% a 15% do mercado nacional. Os preços dos insumos dispararam: entre 2020 e 2021, o papel teve alta de 25% e as chapas de papelão aumentaram 150%.


E não pararam de subir desde então. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel), Alexandre de Miranda Gonçalves, o papel e o papelão já aumentaram 20% em 2022. Outros custos, como os de mão de obra, tintas e colas, estão pelo menos 15% mais caros.


“Enfrentamos esse contexto com extrema dificuldade, pois é impossível repassar os custos na totalidade. Conseguimos compensar somente uma parte e temos que absorver a outra, comprometendo totalmente as margens e o resultado operacional. Estamos com nada mais, nada menos que 35% de aumento, apenas este ano, em nossos custos de fabricação”, revela o dirigente.


A escassez de matéria-prima, que pressionou o setor durante a pandemia, não é mais um problema. Inclusive a que vem da reciclagem – Minas é um dos três principais recicladores de papelão ondulado, que é utilizado em caixas de embalagens para transporte de produtos. Na fase mais crítica das restrições sanitárias que fecharam o comércio, os catadores não tiveram o que recolher.


Agora com o fornecimento normalizado, já é possível notar uma queda na demanda, provocada, segundo Gonçalves, pelas questões macroeconômicas – como alta taxa de juros, inflação, endividamento –, que se refletem no mercado consumidor. “O setor alimentício, que sempre foi o maior cliente, é responsável por quase 50% da demanda atual de embalagens de papel, seguido pelo de bebidas, cosméticos e e-commerce. O consumidor está adequando o seu orçamento em função dos aumentos e do endividamento”, aponta Gonçalves.


Diante deste cenário, as perspectivas dos empresários do setor para 2022 não são otimistas. “Não há expectativa de crescimento real, já que não conseguimos crescer acima da inflação em função de uma queda na demanda, que se junta à dificuldade de reajustar os preços”, resume o presidente do Sinpapel.


NOVA DIREÇÃO

O Sinpapel reúne 326 empresas em Minas, sendo que 50 delas respondem por 97% do faturamento do setor no Estado. São empresas grandes do setor de celulose, como a Cenibra. Ao todo, a atividade ocupa 15 mil funcionários diretos.


Depois de quase vinte anos dirigido por Antônio Eduardo Baggio, o sindicato tem novo presidente. A nova diretoria tomou posse em 4 de junho e tem à frente o empresário Alexandre de Miranda Gonçalves. “Foi uma sucessão de continuidade, com a base da diretoria mantida. Vamos sempre enaltecer o brilhante trabalho executado pelo ex-presidente Antônio Baggio, que continua como vice e responsável pela administração financeira”, explica Gonçalves.


“Vamos avançar, aumentando a base de associados e trazendo cada vez mais benefícios, principalmente os oferecidos pelo Sistema Fiemg, atualmente com foco total no desenvolvimento e no futuro da nossa indústria, através da gestão do Flávio Roscoe”, acrescenta.


Alexandre Gonçalves é formado em Direito e, desde os 14 anos, atua no setor de panificação e embalagens, por influência do pai, Edson Gonçalves de Sales, também membro da diretoria do sindicato.


Sua trajetória profissional começou ainda adolescente, na padaria Belopães, de propriedade do pai. Aos 18 anos, começou a se envolver com as atribuições da Casa Sol, indústria criada em 1980 e que fabrica sacos de papel, bobinas, papel impresso e guardanapos.


Em 2004, Alexandre e a irmã, Rita, assumiram oficialmente o controle da empresa Casa Sol e desde então permanecem à frente dos negócios.


Fonte: jornal Diário do Comércio