Promessas de ‘net zero’ precisam ir além do marketing, diz CEO da Klabin

Para Cristiano Teixeira, governo e empresas precisam se mexer antes da COP6, em novembro, por um mercado de carbono que monetize as florestas brasileiras. Única empresa brasileira a participar dos debates do setor privado que antecedem a próxima conferência do clima da Organização das Nações Unidas, marcada para novembro, a Klabin está encarregada de convencer o maior número de companhias brasileiras a se comprometerem a se tornar neutras em carbono. Mas não serve qualquer compromisso.



Por Vanessa Adachi


08/04/2021 - Única empresa brasileira a participar dos debates do setor privado que antecedem a próxima conferência do clima da Organização das Nações Unidas, marcada para novembro, a Klabin está encarregada de convencer o maior número de companhias brasileiras a se comprometerem a se tornar neutras em carbono. Mas não serve qualquer compromisso.


“Fico muito impressionado com esse vale tudo que está acontecendo. Quem parar para analisar vai ver que muito do que está sendo dito é puro marketing. Afinal, qual a instituição independente que vai validar a sua autoproclamação?”, diz o CEO da Klabin, Cristiano Teixeira.


Para aderir ao compromisso perante a ONU, é preciso que os compromissos de redução de emissões sejam definidos seguindo os critérios da Science Based Target Initiative (SBTi), que faz uma auditoria das metas e ações propostas para aprovar ou não o plano.


Além de lançar a campanha Race to Zero no país para engajar as empresas, a companhia está em conversas com a Rede Brasil do Pacto Global da ONU para “democratizar o chamado”, segundo Teixeira.



A ideia por trás da iniciativa é adotar critérios científicos para limitar o aquecimento global a 1,5°C.


Em 2019, a Klabin foi uma das primeiras empresas brasileiras a aderir, mas ainda sem se comprometer a ser neutra em carbono até 2050 — passo que foi dado no início deste mês.


Na verdade, hoje a companhia já é carbono-positiva, porque suas áreas de florestas nativas e plantadas capturam CO2 mais que suficiente para compensar as emissões industriais.


Mas os esforços são no sentido de descarbonizar a operação o máximo possível, para só então se buscar compensar o que resta.


Em conversa com o Reset, Cristiano Teixeira disse considerar que existe uma chance de 50% de a COP26 conseguir entregar um acordo para se criar um mercado global de carbono.


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