Indicadores do Setor de Aparas – artigo de Pedro Vilas Boas, Presidente Executivo da ANAP

Estamos sem novidades no mercado de aparas marrons, ou seja, o material continua escasso, as fábricas de papel estão com um bom volume de pedidos em carteira e, seguindo a irrevogável lei da oferta e demanda, os preços estão em alta.



15/10/2020 - Estamos sem novidades no mercado de aparas marrons, ou seja, o material continua escasso, as fábricas de papel estão com um bom volume de pedidos em carteira e, seguindo a irrevogável lei da oferta e demanda, os preços estão em alta. Em julho o valor médio das aparas de ondulado II foi de R$ 704,65 a tonelada fob depósito. Mas, é importante lembrar que no final de 2016, mais precisamente em novembro, o valor foi de R$ 719,54 a tonelada fob depósito o que, se considerarmos a inflação no período, seria um valor ainda maior que o atual. O que acontece é que as embalagens de papel marrom, em uma característica única, são matérias-primas de si mesmas, ou seja, o papel miolo e o teste liner, que compõem de 70% a 80% da caixa de papelão ondulado brasileira, é produzido a partir da sua reciclagem cumprido o ciclo de vida da caixa, o que confere uma fortíssima elasticidade-preço ao produto, o que sempre provocou fortes variações em seu valor para cima e para baixo que, contudo, tendem a ser rápidas, pois, o ajuste entre oferta e demanda também é rápido. Embora rápidos, no tempo que duram, a forte oscilação de preços é terrivelmente prejudicial a aparistas e fabricantes de papel, e minimizar estas variações sempre foi um objetivo ainda que, como dissemos no início, a lei da oferta e demanda é, para tristeza de alguns, irrevogável.

De qualquer forma, podemos dizer que até vínhamos logrando algum sucesso nessa empreitada. Neste artigo estamos ampliando os horizontes da curva de preços das aparas marrons e fica visível que, nos últimos anos, conseguimos aplainar a curva o que, sem dúvida, foi fruto de uma maior profissionalização dos aparistas que melhoraram sua estrutura operacional ganhando agilidade para reagir às realidades impostas pelo mercado. Nesse contexto, fomos atingidos pela COVID-19 que trouxe um novo fator de desequilíbrio: o fechamento ou forte redução nas atividades de grandes fornecedores de material como os shoppings, lojas de rua, e algumas categorias de indústria que, em condições normais, geram grande quantidade de material. No auge da crise chegamos a perder 50% do nosso volume de coleta. Complicando um pouco mais a situação, a indústria de embalagens de papel está bastante ativa, com um bom volume de pedidos em carteira e acelerando sua produção e esse fato, sozinho, já provoca escassez de aparas e alta nos preços, o que nos dá uma real dimensão do atual problema que o setor de aparas marrons está enfrentando.

Com as atividades comerciais sendo reestabelecidas, já estamos melhorando nossa coleta e conseguindo abastecer as fábricas, acreditando que, até o final do ano, quando normalmente a demanda por caixas diminui, teremos conseguido atender, ainda que minimamente, a demanda por aparas e os preços tenderão a se equilibrar, mas, com a expectativa de um ano de 2021 de recuperação econômica, acreditamos que o mercado de aparas deve continuar trabalhando sob pressão.

LEIA TAMBÉM: IBÁ – RELATÓRIO ANUAL 2020

Fonte: presidência da ANAP

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