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Especialistas analisam e debatem efeitos da pandemia no mercado de trabalho

Mudanças e desafios em diferentes setores foram apresentados por representantes da OIT e Dieese em workshop na FIEMG. Transformações profundas e desafios para trabalhadores, empresas, sistema de ensino e sociedade gerados pela pandemia da Covid-19 foram apresentados e amplamente debatidos, na FIEMG, por especialistas e pesquisadores no workshop “Futuro do trabalho: O mundo novo pós-pandemia”. Realizado pelo Conselho de Educação e Treinamento da Federação no modelo híbrido, o evento teve a importante contribuição de representantes da OIT e do Dieese-MG.



02/05/2023 - Transformações profundas e desafios para trabalhadores, empresas, sistema de ensino e sociedade gerados pela pandemia da Covid-19 foram apresentados e amplamente debatidos nesta quinta-feira (27), na FIEMG, em Belo Horizonte, por especialistas e pesquisadores no workshop “Futuro do trabalho: O mundo novo pós-pandemia”. Realizado pelo Conselho de Educação e Treinamento da Federação no modelo híbrido, o evento teve a importante contribuição de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Minas Gerais (Dieese-MG)


O especialista em políticas de emprego e mercado de trabalho do escritório OIT no Brasil, Aguinaldo Nogueira Maciente, traçou um panorama de alguns problemas potencializados pela crise sanitária no mundo do trabalho, na educação, na comunicação e nas tecnologias digitais. Na primeira questão, Maciente citou como consequência do período pandêmico a relevância dos cuidados com a saúde mental para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e, no caso das atividades em plataformas, jornadas excessivas, informalidade, falta de segurança e de benefícios previdenciários.


“Na educação houve aumento da evasão escolar, desigualdades de acesso, perda de aprendizado e problemas psicológicos afetando estudantes. Já na comunicação nós percebemos dependência tecnológica, desinformação, polarização, falta de privacidade e crimes cibernéticos”, observou. Além disso, prosseguiu o especialista, a pandemia criou e agravou desigualdades no mercado de trabalho em decorrência da idade, gênero, tipo de inserção e nível de qualificação.


“Teletrabalho não é uma possibilidade para todos porque os empregos mais qualificados são mais passíveis de serem realizados nesse formato. Foi mais fácil preservar o emprego qualificado e proteger a saúde dessas pessoas”, pontuou.



Em relação às tecnologias digitais, Maciente entende que a pandemia acelerou a adoção delas em algumas áreas, sobretudo na saúde (inteligência artificial em diagnósticos e telemedicina), transportes e manufatura e setor financeiro. O representante da OIT, no entanto, salientou que a revolução digital já estava em andamento bem antes da

pandemia.


Quais medidas tomar?

Diante desse cenário de mudanças em diferentes setores, o especialista citou alguns desafios para empresas, trabalhadores e sistema de ensino. No caso do setor privado, ele mencionou ações ligadas a investimentos financeiros, mudanças culturais, recursos humanos, questões regulatórias. Para o segmento laboral, Maciente entende como importantes a adaptação a uma nova realidade e a atualização de habilidades, enquanto o sistema de ensino deve investir na adequação dos currículos à novo realidade, formação de professores, acesso à tecnologia, cursos e programas de educação continuada.


Mercado de trabalho ontem e hoje

A economista e doutora em demografia e técnica do Dieese, Maria de Fátima Lage Guerra, falou sobre a condição do mercado trabalho no Brasil antes e depois da pandemia. Ela fez uma contextualização histórica e considera que o setor, se comparado com o dos países desenvolvidos, ainda sofre influencia da abolição da escravatura, quando, segundo ela, muitos escravos libertos ficaram sem acesso à educação e meios de sobrevivência adequados. Esse processo, prosseguiu Maria de Fátima, caracterizou "a exclusão de uma parcela da população brasileira do mercado formal de trabalho".


Maria de Fátima apresentou números sobre a informalidade e o desemprego, apontando que ambos os fenômenos aumentaram na última década e se aprofundaram na pandemia. “O que é possível fazer para mudar os rumos dessa história e projetar um futuro mais promissor para o nosso do mercado de trabalho?”, questionou.



A economista elogiou a iniciativa da FIEMG de promover o workshop. “Ao debater mercado de trabalho, tecnologia e pandemia, estamos discutindo a qualidade de vida das pessoas, a produtividade do país, a economia e a capacidade de gerar riqueza e postos de trabalho. É um debate muito importante”.


Na mesma direção, gerente de Educação e Tecnologia do SENAI MG, Ricardo Aloysio e Silva, que mediou um debate entre os palestrantes, destacou que os efeitos da pandemia no mercado de trabalho são relevantes e ainda persistem, sendo importante trazer o tema à tona por meio de debates. “Na pandemia houve ganhos, avanços na digitalização, mas as consequências dessa crise sanitária global vão se estender por anos”, acrescentou.


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Rafael Passos

Imprensa FIEMG


Fonte: FIEMG

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