Entenda os motivos para a alta nos custos do papel tissue

A produção de papel tissue envolve muitos fatores e também diversos tipos de insumo – e todos eles vêm sofrendo com reajustes. Já é de conhecimento do mercado que os produtores brasileiros de papel tissue estão em alerta devido à alta de custos dos insumos usados na fabricação de seus produtos. Algumas empresas já começaram a praticar novos preços, como a Damapel e a Santher. Demostrando que a alta dos preços vem ocorrendo também internacionalmente, a portuguesa Navigator também anunciou um reajuste nos valores de seus produtos em virtude do aumento “generalizado e significativo” dos preços em muitos dos seus fatores de custo.



30/03/2021 - Já é de conhecimento do mercado que os produtores brasileiros de papel tissue estão em alerta devido à alta de custos dos insumos usados na fabricação de seus produtos. Algumas empresas já começaram a praticar novos preços, como a Damapel e a Santher.


Demostrando que a alta dos preços vem ocorrendo também internacionalmente, a portuguesa Navigator também anunciou um reajuste nos valores de seus produtos em virtude do aumento “generalizado e significativo” dos preços em muitos dos seus fatores de custo.


A produção de papel tissue envolve muitos fatores e também diversos tipos de insumos – e todos eles vêm sofrendo com reajustes. Desde matérias-primas para a fabricação do papel, como celulose e aparas, até a maculatura, usada na produção dos tubetes, o plástico para as embalagens e os químicos, aplicados em diversas etapas, os aumentos vêm atingindo toda a cadeia e prejudicando as empresas de tissue, que não têm conseguido repassar esses custos ao mercado. Entenda, abaixo, a alta de cada um desses insumos e de que forma ela vem afetando o setor como um todo:

CELULOSE


Em um relatório, a Ágora Investimentos afirmou que os estoques de celulose devem ficar apertados pelo menos até o terceiro trimestre de 2021, mantendo os preços da fibra em alta. Com isso, os produtores de tissue continuarão sofrendo com o repasse mais lento.


De acordo com Sérgio Canela, gerente geral de vendas de celulose para América Latina da Klabin, os aumentos de preços nos diferentes tipos de celulose estão associados a uma combinação de fatores. Entre eles, estão a redução de oferta de celulose devido às paradas anuais de manutenção concentradas nos últimos meses – em decorrência da pandemia –, atrasos nos retornos dessas paradas, além da redução de produção em algumas regiões da América do Norte devido a fatores climáticos e das paradas temporárias e permanentes por parte de alguns fabricantes graças aos custos elevados.


“Houve, ainda, a redução na oferta de aparas pós-covid pela menor atividade em alguns segmentos de papel. Adicionalmente, a partir de janeiro de 2021, o governo chinês estendeu a proibição da importação de aparas para todos os tipos, provocando aumento na demanda por fibra virgem. Outro fator importante que ocorreu na China refere-se ao aumento da demanda no segmento de papéis de imprimir e escrever e embalagens, especialmente Ivory Board, um tipo de cartolina utilizada para segmento gráfico/escolar e Ivory Fold Board, usado para embalagens finas. Esses cartões também utilizavam aparas e passaram a substituí-las por celulose virgem. As autoridades chinesas também vêm pressionando o mercado para a substituição de embalagens plásticas descartáveis de uso único. Neste ano, é comemorado o centenário do Partido Comunista na China, o qual vem produzindo muita propaganda em mídia impressa, alavancando também a demanda por celulose”, pontua.


E para completar o cenário, Canela aponta que “armadores reduziram linhas marítimas não lucrativas no segundo semestre de 2020, efeito da redução de oferta de cargas durante a pandemia, gerando redução na oferta de containers e forte elevação nos fretes marítimos” – tudo isso impactou fortemente no equilíbrio entre oferta e demanda de celulose neste primeiro semestre.

Além de tudo isso, o preço da commodity também está suscetível às variações cambiais, sobretudo, ao valor do dólar, a moeda em que ela é negociada. Portanto, conforme ocorrem essas variações, sua precificação sofre alterações no Brasil – em caso de valorização da moeda, como no atual contexto, o preço da fibra sobe.


APARAS

Dentro do segmento de tissue, utiliza-se muito aparas vindas de papéis para imprimir e escrever e, de acordo com o presidente da Anap (Associação Nacional dos Aparistas), Pedro Vilas Boas, “2021 promete ser um ano difícil para o abastecimento das fábricas de papel tissue e com relação às aparas brancas”.


Um dos motivos para isso é o fato de o volume de papéis para imprimir e escrever, que podem ser utilizados como aparas, vir apresentando uma forte tendência de queda, com o papel perdendo mercado para os meios eletrônicos de comunicação.


“Em 2020, foram colocados no mercado brasileiro, 1,4 milhão de toneladas de papel branco, o que representou uma queda de 24,8% em relação ao ano anterior e, se considerarmos o ano de 2010 como base, a disponibilidade de papel no mercado para recuperação na forma de aparas, caiu 52,3%”, comenta Vilas Boas.