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Empresas de tissue enfrentam desafios para se adequar às novas regras da União Europeia

De acordo com a nova legislação, produtos ligados ao desmatamento serão proibidos de importar e/ou exportar com o bloco. Em consequência do despreparo de empresas europeias para atuarem em conformidade com as novas leis antidesmatamento deste ano, a escassez de papel higiênico pode estar novamente no horizonte, segundo Chris Forbes, CEO da Cheeky Panda, fabricante britânica de papel higiênico à base de fibra de bambu. As novas regras da União Europeia foram definidas para proibir produtos associados ao desmatamento a partir de maio e terão um “efeito gigantesco” no setor de papel higiênico, afirmou o executivo. Para ele, muitas empresas ainda são fortemente dependentes de celulose virgem como matéria-prima.



28/03/2023 - Em consequência do despreparo de empresas europeias para atuarem em conformidade com as novas leis antidesmatamento deste ano, a escassez de papel higiênico pode estar novamente no horizonte, segundo Chris Forbes, CEO da Cheeky Panda, fabricante britânica de papel higiênico à base de fibra de bambu.


As novas regras da União Europeia foram definidas para proibir produtos associados ao desmatamento a partir de maio e terão um “efeito gigantesco” no setor de papel higiênico, afirmou o executivo.


Para ele, muitas empresas ainda são fortemente dependentes de celulose virgem como matéria-prima e, portanto, encontrarão dificuldades para realizar as mudanças operacionais devidas em tempo de cumprir as novas regras.


“Definitivamente, haverá um aperto na disponibilidade e podemos esperar que o preço do tissue reciclado suba à medida que a demanda por alternativas aumenta”, disse Forbes.


Ainda de acordo com o líder da Cheeky Panda, a maioria dos produtos de papel tissue, como papel higiênico, lenços faciais e toalhas de papel, comercializados no Reino Unido e na União Europeia, são produzidos a partir de fibras virgens de árvores recém-colhidas.


Na contramão dessa prática, estão empresas como a Cheeky Panda e a Who Gives a Crap, que recorreram a fontes alternativas em substituição da madeira, como, por exemplo, o bambu.


SOBRE A NOVA LEGISLAÇÃO

As novas leis da União Europeia exigirão que todas as empresas que comercializam commodities como madeira, café, soja e cacau atendam a processos rigorosos de diligência para negociar com o bloco.


Os produtos ligados ao desmatamento serão proibidos de importar e/ou exportar com a União Europeia e a previsão é de que isso também afete empresas com sede ou comércio no Reino Unido.


A previsão é de que o regulamento entre em vigor no segundo trimestre deste ano, com um prazo de implementação de 18 meses para as empresas de maior tamanho e de 24 meses para as demais.


“Eliminar produtos enraizados em terras desmatadas de uma cadeia de suprimentos é normalmente um grande esforço que requer extensa devida diligência”, escreveram os pesquisadores da MSCI, empresa financeira americana, no artigo ‘Cortando o desmatamento: as restrições de mercado são reais’.


“Empresas que têm pensado no desmatamento como um problema para outra pessoa ou algum dia no futuro podem ter que lidar com isso e com pressa”, afirmam os estudiosos.


O QUE DIZEM AS EMPRESAS?

A Accrol, fabricante de tissue de marca própria para a maioria das mercearias do Reino Unido, disse estar totalmente preparada para a nova regulamentação da União Europeia e apoiar a introdução de leis semelhantes no país.


“Não prevemos escassez de suprimentos de papel como resultado dessas regulamentações, mas potencialmente um aumento na demanda por certificados FSC, PEFC e outros estoques de origem sustentável”, comentou Vikki Makinson, chefe de Marketing e Comunicação da Accrol.


Além da nova regulamentação da União Europeia, o governo do Reino Unido também emitiu, recentemente, diretrizes para que as empresas parem de comprar produtos de fibra de árvore virgem e façam a substituição para materiais reciclados.


A Kimberly-Clark, multinacional dona de marcas como Cottonelle e Kleenex, afirmou que está comprometida em reduzir pela metade o uso de fibras naturais da floresta até 2025. E que caminha para obter 90% de sua fibra de tissue de “fontes ambientalmente preferidas” no mesmo ano, complementou.


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