Dólar sobe e fecha a R$ 5,7121 com tom duro do Fed e preocupação fiscal

Pela manhã, do dia 05/01, o mercado até ensaiou um movimento de realização parcial de lucros, após a alta de 2,05% da divisa nos dois primeiros pregões do ano. O tom duro da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e a cautela diante do temor de piora das contas públicas, em meio à onda de reivindicação de reajuste salarial por servidores públicos federais, não apenas jogaram o dólar para cima como fizeram o real amargar um dos piores desempenhos entre as divisas emergentes na sessão desta quarta-feira, 5, atrás apenas do rublo e da lira turca.


Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


06/01/2022 - O tom duro da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e a cautela diante do temor de piora das contas públicas, em meio à onda de reivindicação de reajuste salarial por servidores públicos federais, não apenas jogaram o dólar para cima como fizeram o real amargar um dos piores desempenhos entre as divisas emergentes na sessão desta quarta-feira, 5, atrás apenas do rublo e da lira turca.


Pela manhã, do dia 05/01, o mercado até ensaiou um movimento de realização parcial de lucros, após a alta de 2,05% da divisa nos dois primeiros pregões do ano. Em sintonia com o movimento expressivo de queda da moeda americana lá fora, a taxa de câmbio rompeu a linha de R$ 5,65 e desceu até a mínima de R$ 5,6428.


Mesmo antes da divulgação da ata do Fed, contudo, o dólar já ganhava força por aqui, embora ainda se mantivesse em leve queda, na casa de R$ 5,68.


Segundo operadores, após movimentos de ajustes e realização de lucros pela manhã, investidores remontavam posições defensivas, à espera do BC americano e de olho na movimentação do funcionalismo público. Pesou no mercado a notícia de que 150 auditores-fiscais do Trabalho já deixaram postos de chefia ou coordenação, seguindo a toada de servidores da Receita Federal e do Banco Central, que entregaram cargos de chefia. Categorias diversas pressionam por reajustes após o governo reservar espaço de R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 contemplar apenas polícias federais.


A pá de cal sobre a moeda brasileira veio com a ata do Fed. O documento informou que dirigentes do BC americano consideram que pode ser necessário "elevar os juros mais cedo e a ritmo mais rápido". E mais: alguns dirigentes até "consideraram apropriado reduzir o balanço após a alta de juros". Em resumo, o Fed não vai apenas deixar de injetar dinheiro (com o fim do programa mensal de compra de bônus) como iniciará a alta de juros e estuda começar a enxugar a liquidez do sistema. Embora se pondere que é preciso avaliar os riscos de novas variante do coronavírus, como a Ômicron, a avaliação é de que o crescimento americano seguirá robusto em 2022. A leitura de que a inflação é um fenômeno transitório foi abandonada.


As apostas em alta de juros nos EUA em março ganharam ainda mais força e as taxas dos Treasuries renovaram máximas. o índice DXY - que mede a variação do desempenho do dólar frente a seis moedas fortes - diminuiu rapidamente o ritmo de queda e voltou a trabalhar acima da linha dos 96,100 pontos. A moeda americana também reduziu a baixa em relação à maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, com leve alta frente ao peso mexicano, o principal par do real. O dólar subiu mais de 2% em relação a lira turca e ao rublo, que já vinham apanhando mesmo antes da ata do Fed.


Por aqui, a moeda não apenas trocou de sinal como passou a trabalhar acima da linha de R$ 5,70. Com renovação de sucessivas máximas na última hora de pregão, quando atingiu R$ 5,7131, o dólar à vista fechou a R$ 5,7121, em alta de 0,39%. Com isso, a divisa acumula valorização de 2,44% nos três primeiros pregões deste ano.


Para o gestor Sergio Zanini, sócio da Galapagos Capital, está claro que o real apresenta um desempenho pior que a maioria dos emergentes porque "questões idiossincráticas" do Brasil estão "pesando muito"