Conheça a história da celulose

O principal insumo da indústria papeleira é usado desde a antiguidade, tendo grande importância para diversos setores da economia. A celulose é o principal componente da parede celular das plantas e está presente em quase todos os seres do reino vegetal. É uma molécula química formada por uma cadeia complexa de açúcares (glicose) usada desde a antiguidade, cuja fórmula química só foi determinada em 1838 por um químico francês chamado Anselme Payen. Hoje, sabe-se que esse componente está presente na madeira, sendo a matéria-prima responsável pela criação do papel, além de ter grande importância econômica. Mas qual a história por trás desse material tão importante para a indústria papeleira?


Foto: Tissue Online


10/02/2022 - A celulose é o principal componente da parede celular das plantas e está presente em quase todos os seres do reino vegetal. É uma molécula química formada por uma cadeia complexa de açúcares (glicose) usada desde a antiguidade, cuja fórmula química só foi determinada em 1838 por um químico francês chamado Anselme Payen.


Hoje, sabe-se que esse componente está presente na madeira, sendo a matéria-prima responsável pela criação do papel, além de ter grande importância econômica. Mas qual a história por trás desse material tão importante para a indústria papeleira?


Diferentemente do uso empregado atualmente, mas usada como uma matéria-prima, a celulose já estava presente quando o funcionário da corte imperial chinesa T’sai Lun criou o papel, em 105 d.C, sem saber o que ela era. Na época, o processo de extração era manual, e misturava materiais que possuíam fibras vegetais em sua composição, como cânhamo, cascas de amoreira, pedaços de roupas e cal para ajudar no desfibramento.


O processo consistia em um cozimento forte das fibras, que eram batidas e esmagadas em seguida. A pasta obtida pela dispersão das fibras era depurada e uma folha era formada sobre uma peneira. Só então, as folhas eram prensadas para perder mais água e, posteriormente, colocadas uma a uma em muros aquecidos para a secagem. O resultado era uma camada fina de massa que seca seria o papel.


Séculos depois, em 1838, a descoberta de Payen, que isolou a celulose da matéria vegetal, determinou a sua fórmula química (C6H10O5). Após essa revelação, foi possível aprimorar a manipulação desse material e, a partir de então, surgiram outras tecnologias e usos.


A celulose foi usada para produzir o primeiro polímero termoplástico de sucesso, celulóide, pela Hyatt Manufacturing Company, em 1870. A produção de rayon (“seda artificial”) a partir da celulose começou na década de 1890, e o celofane foi inventado em 1912. Em 1893, Arthur D. Little de Boston, inventou mais um produto celulósico, o acetato, e o desenvolveu como um filme. Os primeiros usos têxteis comerciais para acetato em forma de fibra foram desenvolvidos pela Celanese Company em 1924. Hermann Staudinger determinou a estrutura do polímero da celulose em 1920. O composto foi sintetizado quimicamente (sem o uso de quaisquer enzimas derivadas biologicamente) em 1992, por Kobayashi e Shoda.


USOS DA CELULOSE

O uso da celulose é amplo. Suas fibras são utilizadas na indústria têxtil, por exemplo, juntamente com algodão, linho e outras fibras naturais. Quando processadas, suas fibras também podem dar origem a outros tipos de materiais.


A celulose ainda serve como matéria-prima para diversos tipos de papel, fraldas descartáveis, tecidos, papel higiênico, absorventes, enchimento de comprimidos, emulsionantes, espessastes e estabilizantes de alimentos industrializados, adesivos, biocombustíveis, materiais de construção, entre outros. No entanto, hoje o seu principal uso comercial é a fabricação de papel.


Atualmente, outros estudos sobre a celulose e sua extração em diversos organismos são conduzidos a fim de compreender maneiras mais sustentáveis de produção, incluindo o reaproveitamento de resíduos sólidos da cadeia agrícola.


TIPOS DE CELULOSE

Para a produção industrial de papéis, diferentes tipos de fibra de celulose são utilizados em diferentes produtos. O eucalipto, que gera a fibra curta, tem como principal uso a fabricação de papel tissue, enquanto o pinheiro (pínus), que gera a fibra longa, tem o uso voltado para a fabricação de papel de embalagem.


A celulose de fibra curta é ideal para produção de papel higiênico, lenços faciais, guardanapos, além de poder ser usada na produção de papéis de imprimir e escrever, papel cartão, embalagens e papéis especiais. É a mais utilizada no Brasil.


A celulose de fibra longa, que é feita a base de pínus, é encontrada principalmente na produção de embalagens e papéis especiais, como filtros e produtos de fibrocimento.


O que diferencia as duas são suas características principais. Enquanto a fibra curta garante resistência à tração e ao estouro, maciez, resistência à passagem de ar, opacidade e printabilidade, a fibra longa é caracterizada por sua resistência, absorção, volume específico e porosidade.


Há, ainda, a celulose fluff, fabricada a partir da fibra longa, que é muito utilizada para produtos de higiene pessoal como absorventes femininos, fraldas, lenços umedecidos e outros. Ela possui baixa energia de desfibramento, alta capacidade e velocidade de absorção, retenção de líquido e uniformidade.


Já a celulose solúvel é utilizada na produção de fibras de viscose, modal e liocel. Entre as suas muitas aplicações, estão roupas, calçados, produtos de higiene e beleza, vernizes, esmaltes, pneus, cápsulas de remédios, alimentos como iogurtes e sorvetes e telas de LCD.


NANOCELULOSE

A evolução dos estudos sobre a matéria-prima possibilitou a descoberta da nanocelulose, que é a menor e mais resistente unidade da biomassa. Ela pode ser usada em uma ampla gama de aplicações que abrangem diversos setores da indústria como papel, têxtil, construção civil, alimentícia, biomédica, farmacêutica, cosméticos, automotiva, eletrônica e outras, pois possui uma alta performance e versatilidade, além de ser uma matéria-prima renovável. O potencial desse material é ilimitado, por ser resistente, leve e biodegradável.


Existem dois tipos de nanopartículas: a celulose nanocristalina, que é obtida a partir de fibras nativas por hidrólise ácida, e a nanofibrilada que é um pseudo-plástico e possui a propriedade de alguns géis ou fluidos.


RELEVÂNCIA DA CELULOSE

O Brasil tem se destacado entre os maiores produtores de celulose, ficando atrás apenas dos Estados Unidos na fabricação, porém, é o maior exportador da commodity no mundo. O país atingiu 21 milhões de toneladas fabricadas em 2020 e possui grandes produtoras do insumo, como Suzano, Klabin, CMPC e Veracel. Além de movimentar a economia, o setor gera milhares de empregos no país.


A celulose é um material essencial para a indústria brasileira, tanto para exportação quanto para cadeias produtivas variadas, por servir de matéria-prima para inúmeros produtos. Mesmo após séculos de sua primeira utilização, e com os avanços de estudos sobre sua aplicação, continua sendo um dos materiais mais versáteis utilizados no mundo e fazendo parte do dia a dia das pessoas sob a forma de diversos produtos essenciais.


Fonte: Tissue Online