Conflito militar entre Rússia e Ucrânia eleva custos e afeta preços no mercado de papel e celulose

O ano de 2022 inicia-se com o aumento dos níveis de incerteza no setor de papel e celulose, tendo em vista a escalada militar na Europa. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia tem desencadeado diversos impactos políticos e econômicos no mercado global. Um dos primeiros efeitos do conflito, iniciado em fevereiro deste ano, foi a elevação dos preços de commodities de energia. A Rússia é segundo maior produtor de petróleo do mundo e, diante das sanções econômicas impostas ao país pelos governos ocidentais – como resposta à invasão da Ucrânia – houve um movimento de redução da oferta do produto e elevação dos seus preços, com consequente aumento dos custos de produção de diversos setores da economia.


Foto: Tissue Online

29/03/2022 - O ano de 2022 inicia-se com o aumento dos níveis de incerteza no setor de papel e celulose, tendo em vista a escalada militar na Europa. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia tem desencadeado diversos impactos políticos e econômicos no mercado global.


Um dos primeiros efeitos do conflito, iniciado em fevereiro deste ano, foi a elevação dos preços de commodities de energia. A Rússia é segundo maior produtor de petróleo do mundo e, diante das sanções econômicas impostas ao país pelos governos ocidentais – como resposta à invasão da Ucrânia – houve um movimento de redução da oferta do produto e elevação dos seus preços, com consequente aumento dos custos de produção de diversos setores da economia.


O setor de papel e celulose foi impactado duplamente pelo crescimento dos preços do petróleo, tendo em vista que a commodity é utilizada tanto no processo de transformação industrial do setor quanto no transporte das matérias-primas e do produto final. A elevação no preço do diesel provocou a elevação do valor do frete e, com isso, o aumento dos custos logísticos, adicionando desafios a um mercado que já estava pressionado por dificuldades como falta de contêineres, congestionamento nos portos e estoques baixos ao longo da cadeia de valor – heranças da pandemia de Covid-19.


De acordo com dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), em 2020, o Brasil liderou o ranking mundial de exportação de celulose, sendo mais de 70% da produção doméstica voltada ao mercado externo. Tendo em vista que o principal destino das exportações brasileiras de celulose é a China, o conflito no leste europeu não deverá influenciar diretamente o volume de vendas da commodity para o país. Por sua vez, o segmento de papel destina 80% da sua produção ao mercado interno.


No mercado global, a Ucrânia não é um grande player no mercado de papel e celulose. Contudo, a Rússia é um importante produtor de papel, ocupando a nona colocação no ranking mundial em 2020. Nesse contexto, as sanções impostas à Rússia por países europeus poderão provocar escassez de papel na região no curto prazo, principalmente do tipo kraft, que foi um dos segmentos que mais cresceram durante a pandemia. Com relação à celulose, a expectativa é que não ocorram interrupções no seu fornecimento, tendo em vista que a Rússia é responsável por apenas 4% das exportações globais da commodity, das quais aproximadamente 60% são direcionadas

para a China, que não aderiu às sanções ao país.


Caso o conflito entre Rússia e Ucrânia se prolongue, o mercado mundial deverá sofrer com choques de oferta decorrentes da guerra, considerando as sanções impostas à Rússia e o aumento dos gargalos logísticos globais. O desafio para a indústria brasileira de papel e celulose será equacionar o aumento dos custos e a pressão sobre os preços advindos desse cenário. Nesse sentido, o fato do Brasil possuir relações comerciais limitadas com a Rússia deverá atenuar esse choque externo.


Elaborado pela Geysa Silva e coordenado pela Daniela Araújo


Fonte: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG