Confiança da indústria em MG apresenta uma retração

A pandemia de Covid-19 e a inflação elevada interferiram de forma negativa no Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de Minas Gerais. Em fevereiro, o Icei chegou a 56,3 pontos, um recuo de 0,7 ponto se comparado com janeiro (57 pontos). Apesar da queda, o índice continua acima dos 50 pontos, o que mostra otimismo dos empresários. A queda vista em fevereiro é resultado da piora na percepção dos empresários da indústria em relação às condições atuais da economia. O componente marcou 48,8 pontos, um recuo de 1,8 ponto frente a janeiro e mostrando pessimismo.


Componente de expectativas para os próximos seis meses ficou relativamente estável entre janeiro (60,2 pontos) e fevereiro (60 pontos) | Crédito: Eduardo Rocha / Gerdau.


POR MICHELLE VALVERDE


17/02/2022 - A pandemia de Covid-19 e a inflação elevada interferiram de forma negativa no Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de Minas Gerais. Em fevereiro, o Icei chegou a 56,3 pontos, um recuo de 0,7 ponto se comparado com janeiro (57 pontos). Apesar da queda, o índice continua acima dos 50 pontos, o que mostra

otimismo dos empresários.


A queda vista em fevereiro é resultado da piora na percepção dos empresários da indústria em relação às condições atuais da economia. O componente marcou 48,8 pontos, um recuo de 1,8 ponto frente a janeiro e mostrando pessimismo.


Em comparação com fevereiro de 2021, o Icei caiu 3,5 pontos, uma vez que no mesmo mês do ano passado a pontuação era de 59,8 pontos e a confiança foi a menor para o mês desde 2017. Os dados são da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).


O Icei nacional ficou relativamente estável entre janeiro (56 pontos) e fevereiro (55,8 pontos) e sinalizou confiança dos industriais brasileiros pelo 19º mês seguido. De acordo com a analista de Estudos Econômicos da Fiemg, Daniela Muniz, os empresários da indústria mineira seguem otimistas pelo 19º mês consecutivo, porém, há receios em

relação à situação econômica, às novas variantes da Covid-19 e também em relação à inflação ainda elevada.


“O surgimento das novas variantes da Covid-19 acabou postergando a recuperação mais efetiva da economia, isto afeta a confiança dos empresários. Além disso, ainda há a questão da inflação elevada. São estas as duas principais influências na expectativa de confiança dos empresários”, explicou.


Ainda segundo Daniela, por outro lado, o empresário industrial segue otimista por alguns fatores, como o avanço da vacina contra a Covid-19. Segundo ela, a cobertura mais ampla da vacina é importante para a economia continuar funcionando.


“Com a aplicação das doses de reforço é possível que se evite o aumento das mortes e gere impactos negativos na economia. A variante Ômicron expandiu muito nas últimas semanas, houve recuo de mobilidade, mas imaginamos que será breve e que não precisará de medidas mais rigorosas. Esperamos impactos econômicos de curto prazo, retorno mais rápido da mobilidade e normalização das atividades mais prejudicadas. A Ômicron pode atrasar por algumas semanas o processo mais vigoroso de recuperação da economia, que deve se consolidar nos próximos meses”, disse.


COMPONENTES

Entre os componentes do Icei, o de condições atuais, em fevereiro, marcou 48,8 pontos, um recuo de 1,8 ponto frente a janeiro (50,6 pontos), e, pela primeira vez em 10 meses, ficou abaixo dos 50 pontos.


O resultado mostra que os industriais estão com uma percepção negativa quanto à situação atual das economias do Estado e do País e dos seus negócios na comparação com os últimos seis meses. O indicador de condições atuais da economia também caiu ante fevereiro de 2021 (53,7 pontos), em 4,9 pontos, e foi o mais baixo para o mês

em cinco anos.


De acordo com os dados da Fiemg, o componente de expectativas para os próximos seis meses ficou relativamente estável entre janeiro (60,2 pontos) e fevereiro (60 pontos) e mostrou empresários otimistas pela 20ª vez consecutiva.


Os industriais sinalizaram perspectivas positivas com relação às economias brasileira e mineira e aos seus negócios. O índice caiu 2,9 pontos frente a fevereiro de 2021 (62,9 pontos) e foi o menor para o mês em quatro anos.


Para que o empresário fique mais confiante, segundo Daniela, será preciso uma recuperação mais sólida da economia, o que só será possível com o controle efetivo da pandemia.


“O controle da pandemia é fundamental para a sustentação da confiança das empresas, mas fica o alerta sobre as incertezas em relação à economia e à inflação. A inflação elevada gera efeitos nocivos sobre as condições financeiras das empresas e também dos consumidores, inibe as compras e até mesmo os investimentos. Este ano, ainda teremos eleições que podem resultar em grandes mudanças na política nacional, aumentando o nível de incertezas e afetando a economia”, disse Daniela.


Fonte: Diário do Comércio