Com novos projetos, setor florestal tem alta procura por madeira e áreas de plantio

Demanda aquecida elevou o preço dos insumos florestais e pode atrasar início de operações. De acordo com cálculos feitos pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o setor de base florestal tem R$ 58,8 bilhões em investimentos planejados até 2028 no país, o que acelerou a corrida para adquirir terras e madeira – que vêm ficando mais caras com o aumento de projetos em diferentes estados. Hoje, se todas as fábricas, planejadas ou anunciadas, iniciassem suas atividades, haveria um déficit de pelo menos meio milhão de hectares de eucalipto cultivado somente em Mato Grosso do Sul, estado que concentra a maior parte dos investimentos. Diante desse cenário, existem apostas de que nem todos os projetos estarão em operação na data prevista.



14/07/2022 - De acordo com cálculos feitos pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o setor de base florestal tem R$ 58,8 bilhões em investimentos planejados até 2028 no país, o que acelerou a corrida para adquirir terras e madeira – que vêm ficando mais caras com o aumento de projetos em diferentes estados.


Hoje, se todas as fábricas, planejadas ou anunciadas, iniciassem suas atividades, haveria um déficit de pelo menos meio milhão de hectares de eucalipto cultivado somente em Mato Grosso do Sul, estado que concentra a maior parte dos investimentos.


Diante desse cenário, existem apostas de que nem todos os projetos estarão em operação na data prevista. “Hoje, não tem madeira para todo mundo”, declarou uma fonte da indústria, em condição de anonimato, e acrescentou que as terras para cultivo de eucalipto ainda estão disponíveis, mas a preços ascendentes.


No ano passado, Marcelo Schmid, sócio-diretor do Grupo Index, empresa que atua em consultoria florestal e ambiental, apontou que havia riscos de um “apagão” de madeira em Mato Grosso do Sul, o que vem se confirmando com os preços do metro cúbico no estado custando mais do que o dobro em comparação com 2020.


“Neste momento, não há floresta plantada para todos”, afirmou o executivo. Para Schmid, os preços da madeira devem seguir elevados em razão da demanda aquecida e o plantio escasso nos últimos anos. “Terra tem, mas está cara. Madeira, é mais difícil”, reitera.


No entanto, ainda há espaço para produção de celulose no estado, que atualmente produz cerca de 5 milhões de toneladas por ano entre as fábricas existentes de Suzano e Eldorado. O governo estadual aponta um potencial produtivo de até 15 milhões de toneladas anuais.


Schmid indica ainda que os estados com atividade florestal e industrial como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais são os favoritos para novos projetos. Ele cita como exemplo de comparação o estado de Tocantins, que possui uma área plantada interessante, mas dificuldades logísticas.


Dentre as empresas que estão buscando terra e madeira em Mato Grosso do Sul estão a Eldorado e sua sócia minoritária Paper Excellence (PE), Suzano, Arauco, Bracell, Euca Energy e Paracel, que vai operar no Paraguai. Algumas dessas empresas buscam esses insumos de maneira pública, enquanto a PE e a Bracell participam dessa corrida por fora da pista “oficial”. A sócia minoritária da Eldorado busca assegurar uma futura expansão de sua fábrica, enquanto a produtora de Lençóis Paulista busca preparar terreno para uma futura nova unidade, segundo fontes da indústria.


A Suzano está investindo R$ 19,3 bilhões em Mato Grosso do Sul, com o Projeto Cerrado, e já possui 100% da madeira necessária para começar a produção no segundo semestre de 2024, e iniciou o plantio para o segundo ciclo de eucalipto. Em entrevista, o presidente da companhia, Walter Schalka, destacou que 2022 será marcado pelo plantio recorde, de até 850 mil árvores por dia, para garantir os atendimentos às operações atuais e ao projeto.


Já a Arauco, que recentemente anunciou a construção de uma nova fábrica em Mato Grosso do Sul, o Projeto Sucuriú, ainda tem de ser aprovado pelo conselho de administração do grupo chileno e depende de algumas condições precedentes, entre elas a disponibilidade de madeira. A companhia já possui 60 mil hectares no estado, tendo 40 mil plantados, precisando alcançar um total de 380 mil hectares em área bruta para desenvolver o projeto. Em entrevista, o presidente da companhia no Brasil, Carlos Altimiras, disse que há várias frentes de negociação em andamento e a expectativa é chegar a 2024 com 70% a 80% da área total já assegurada.


A demanda crescente chamou a atenção de fundos nacionais e estrangeiros, e de “family offices”, despertando interesse em investir no setor florestal. Conforme Schmid, a transição para uma economia de baixo carbono também contribui para maior atratividade dos ativos florestais, que ajudam a sequestrar carbono.


Apesar do foco na região Centro-Oeste, também há competição no Sul e Sudeste por áreas de plantio de pinus e eucalipto, além da alta de preços. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em maio, o valor médio das madeiras in natura e semiprocessadas de eucalipto e pinus subiu até 15% ante abril. Segundo fontes da indústria, o Norte do país poderá ser um novo destino para investidores em ativos florestais e produtores de celulose e papel.


Outras gigantes no país, Klabin e CMPC também estão comprando “o que é possível” na região Sul, segundo fontes. O Projeto Puma II, maior investimento da história da Klabin, levou a empresa às compras de madeira e áreas para plantio.


Já a CMPC, segundo o diretor-geral Mauricio Harger, tem foco no Projeto BioCMPC. “Hoje, possuímos a base florestal necessária para abastecer nossa unidade industrial com madeira. Sobre os recentes anúncios de novos projetos, eles deixam evidente o quanto o setor está dinâmico. Esse crescimento demonstra o protagonismo global que temos no setor”, declarou.


Fonte: Tissue Online