BC eleva Selic a 12,75% ao ano

O Banco Central subiu a Selic em 1 ponto percentual, ontem, a 12,75% ao ano, em linha com o esperado pelo mercado, e disse ser provável uma extensão do ciclo de alta dos juros com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião. “O Comitê nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação”, afirmou o comunicado do Copom da autarquia. Esta foi a décima elevação consecutiva da Selic, que agora atinge o nível mais alto desde janeiro de 2017, quando estava em 13% ao ano. O documento do BC afirma que o ambiente externo seguiu se deteriorando desde a reunião de março, com intensificação da inflação diante de nova onda de Covid-19 na China e a guerra na Ucrânia.


Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino


05/05/2022 - O Banco Central subiu a Selic em 1 ponto percentual, ontem, a 12,75% ao ano, em linha com o esperado pelo mercado, e disse ser provável uma extensão do ciclo de alta dos juros com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião.


“O Comitê nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação”, afirmou o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) da autarquia.


Esta foi a décima elevação consecutiva da Selic, que agora atinge o nível mais alto desde janeiro de 2017, quando estava em 13% ao ano.


O documento do BC afirma que o ambiente externo seguiu se deteriorando desde a reunião de março, com intensificação da inflação diante de nova onda de Covid-19 na China e a guerra na Ucrânia, além do aumento de incertezas relacionadas à política monetária em economias avançadas.


Entre os riscos de alta para a inflação, o BC citou uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do Brasil, parcialmente incorporada nas expectativas de inflação e nos preços de ativos.


No sentido oposto, o Copom avaliou que está mantida a previsão de uma possível reversão do aumento nos preços de commodities, além de uma desaceleração da atividade econômica mais forte do que a projetada.


O BC enfatizou novamente que diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista.


O comunicado do Copom era aguardado pelo mercado, com foco na sinalização para os próximos passos da política monetária diante de novas pressões inflacionárias desde a última reunião do Copom.


Fiemg e CDL/BH apontam desequilíbrio

Representantes da indústria e do comércio em Minas Gerais afirmaram entender que os impactos de mudanças no cenário internacional, sobretudo com a guerra entre Ucrânia e Rússia, têm reflexos inflacionários em todo o mundo, inclusive no Brasil, o que força a elevação nos juros. Porém, indicam que há um desequilíbrio entre os sucessivos aumentos da Selic e seus impactos na contenção dos preços no País.


“Tudo indica que há uma longa defasagem entre as alterações na taxa de juros e a resposta da inflação no País. Por esse motivo, insistimos que a relação entre o custo e o benefício dos movimentos de elevação dos juros precisa ser reequilibrada pelo Banco Central. O nível de desemprego e os riscos de recessão são potencializados diante do ritmo e da intensidade das altas dos juros no Brasil. É fato que a economia brasileira convive com uma doença antiga, a inflação, mas o tratamento não pode ameaçar a vida do paciente, tal como está ocorrendo”, afirmou a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em nota.


O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, afirmou que o setor precisa de um ambiente econômico seguro, capaz de atrair investimentos diretos e com responsabilidade fiscal.


“Com a taxa em patamares mais elevados, as empresas, responsáveis por gerar emprego e renda, reduzem os investimentos, o crédito encarece, a inadimplência avança. Tudo isso, diminui a renda em circulação, prejudicando a retomada do crescimento. Por isso, esperamos que o governo federal utilize a política monetária para conter o avanço dos preços, mas sem comprometer o crescimento econômico”, afirmou Silva.


Fonte: jornal Diário do Comércio