13º e férias de quem teve salário reduzido devem ser integrais

O governo federal diz que o salário será integral para quem teve redução. O mesmo não vale para quem teve contrato suspenso.. Hora de receber o 13º salário - de acordo com a lei, a primeira parcela deve ser paga no dia 30 de novembro e o restante do benefício até 20 de dezembro.


19/11/2020 -Hora de receber o 13º salário - de acordo com a lei, a primeira parcela deve ser paga no dia 30 de novembro e o restante do benefício até 20 de dezembro.


Mas em meio à pandemia, com autorização do Congresso Nacional para suspender contratos, cortar jornada e reduzir salário, e agora? O pagamento do 13º será integral? Sim e não.


O governo federal diz que sim para quem teve redução de salários. O mesmo não vale para quem teve contrato suspenso.


A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho divulgou nota técnica, nessa quinta-feira (17), esclarecendo a polêmica, gerada por uma falha do Congresso Nacional.


O governo federal orienta empregadores, nessa nota técnica, que o valor do 13º salário e das férias de trabalhadores que tiveram jornadas e salários parcialmente reduzidos devem ter as parcelas pagas com base na remuneração integral.


O mesmo, no entanto, conforme o governo, não vale para quem teve o contrato suspenso.


Contrato suspenso

Entretanto, quem teve o contrato suspenso, sofrerá com a redução do benefício de acordo com o tempo que ficou sem trabalhar.


Para o administrador Mário Avelino, há mais de três décadas especialista em FGTS e direitos dos trabalhadores, autor de livros e criador do site Doméstica legal, nesse caso específico o trabalhador deveria, tendo em vista a crise e os mais de 12 milhões de desempregados, fazer uma conta diferente para não ficar ressentido com o prejuízo.


“Ele teve o contrato suspenso, é fato, mas pode ficar em casa se protegendo da epidemia. Teve o auxílio emergencial, além de estabilidade no emprego para cada mês de suspensão e, de quebra, não perdeu o salário”, argumentou o administrador.


Prejuízo à vista

Para os contratos suspensos no âmbito do benefício emergencial, os períodos de suspensão não devem ser computados como tempo de serviço e para cálculo de 13º e férias.



A exceção é para os casos em que os empregados prestaram serviço por mais de 15 dias no mês, que já estão previstos na legislação vigente.


A diferenciação ocorre porque na redução de jornada o empregado permanece recebendo salário, sem afetar seu tempo de serviço na empresa, o que permite computar o período de trabalho para todos os efeitos legais.


Empregada doméstica

No caso das empregadas domésticas, existe uma questão burocrática a ser resolvida no e-Social para que elas não sofram cortes no 13º.


O e-Social não está calculando esse valor de forma automática, e o empregador precisa fazer o lançamento manualmente.


Para fazer o cálculo, o site domésticalegal.com.br oferece gratuitamente o passo a passo.


Férias e tempo de serviço

Avelino destaca ainda que, com a suspensão dos contratos de trabalho e, consequentemente, não pagamento de salários, o período de afastamento não é considerado não só para o pagamento do 13º, mas também para contagem de tempo de serviço, afetando assim o cálculo das férias e do 13º.


Para quem teve o salário cortado, essa regra não vale. O governo garante as férias, assim como o 13º, devem ser gozadas integralmente.


Falha do Congresso

Todo esse imbróglio, que necessitou de uma nota técnica do governo, está relacionado a uma falha do Congresso Nacional ao sancionar a Lei 14.020/2020, que aprovou a Medida Provisória 936/2020, sem definir como seria o pagamento do 13º para os empregados que fizeram acordo de suspensão temporária de contrato e/ou redução da jornada de trabalho e salário.


Fonte: Estado de Minas

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