O mundo, o Brasil e Minas Gerais devem fechar 2011 com resultados discretos no crescimento do Produto Interno Bruto – estima-se 2,96% para a economia mundial, 2,9% no Brasil e 2,6% em Minas. Para 2012, estudos realizados pela FIEMG indicam desempenho igualmente deprimido: a economia global crescerá ao redor de 3,1%, o Brasil terá uma expansão de 3,3% e Minas Gerais de 2,8%. Ainda mais grave é constatar que a transição de 2011 para 2012 ocorre em um cenário econômico global que apresenta um claro processo de deterioração, potencializado pelo agravamento da crise fiscal na Europa e nos Estados Unidos.

Todos os indicadores apontam para um ambiente econômico internacional ainda mais restritivo e instável, que tende a permanecer por um período mais prolongado do que se imaginava, principalmente porque sua reversão exige mudanças socioeconômicas de caráter estrutural que dificilmente serão equacionadas no curto prazo. Na Zona do Euro, a mudança do quadro fiscal de muitos países implica na discussão e definição de um modelo de união fiscal para a região que, por sua vez, se condiciona à capacidade política de cada país rever suas próprias políticas sociais e protecionistas. Nos EUA, o desemprego e o nível de endividamento das famílias permanecem em patamares elevados, o que dificulta a retomada do consumo e da produção.

Como não existe espaço para ilhas de prosperidade neste cenário global de desaquecimento e recessão, já se observa, no Brasil, o início de um processo de retração do ritmo de atividade econômica, ainda amenizado pela forte demanda interna, pelo vigor do mercado de trabalho e pela expansão da renda e do crédito - como consequência do trabalho realizado nos últimos anos, o Brasil se encontra em posição diferenciada no contexto da economia mundial. Neste período recente, o traço mais marcante foi o compromisso com a continuidade das ações de governo e a preservação das premissas fundamentais da política econômica.

Também fomos capazes de converter o crescimento econômico dos últimos anos em eficaz instrumento de transformação social, com a inclusão de camadas menos favorecidas da população, pela via da geração de renda e emprego, aos mercados de crédito e consumo, criando um poderoso mercado interno. Por tudo isso, o Brasil está no centro da atenção mundial e é reconhecido como ator estratégico na busca de soluções para a crise econômica internacional.

Em um mundo de economia debilitada, o Brasil é visto como um porto seguro do ponto de vista institucional, da estabilidade econômica e de grandes oportunidades de investimento – com o pré-sal, no setor de infraestrutura e com todos os desdobramentos de negócios e investimentos proporcionados pela realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Devemos, portanto, tomar a crise internacional como uma grande oportunidade, aproveitando as condições favoráveis de que desfrutamos em um cenário mundial hostil para a maioria dos países que não fizeram no tempo certo as reformas que a realidade exigia.

Neste começo de um novo ano, devemos nos mobilizar para construir uma agenda positiva que viabilize as reformas estruturais necessárias para reduzir as taxas de juros e a carga tributária, que viabilizem uma legislação trabalhista moderna, que nos conduza à inovação e ao desenvolvimento tecnológico por meio de políticas educacionais, inclusive profissionalizantes, compatíveis com o mundo do século XXI. Nosso País tem um compromisso inadiável e urgente com as reformas estruturais que vêm sendo postergadas ao longo de muitas décadas – a tributária, a fiscal, da previdência, a reforma das relações do trabalho e a reforma política.


Especificamente para a indústria, um caminho complementar, necessário e urgente, passa por políticas que fomentem investimentos no aumento da produtividade das plantas industriais e da inovação em produtos, processos e gestão. São necessárias, igualmente, políticas promotoras de consolidações em vários setores, elevando a escala de produção da indústria, políticas mais agressivas para a exportação, inclusive visando à internacionalização de empresas brasileiras, bem como estímulos para investimentos nacionais ou internacionais que promovam maior integração e agregação de valor nas cadeias produtivas e a ampliação do conteúdo tecnológico. É nesta direção que a indústria trabalha, buscando sempre a parceria sinérgica com todos os segmentos da sociedade.