CRESCIMENTO DO PIB É INFLUENCIADO PELA DEMANDA DOMÉSTICA

Os dados do PIB do fechamento do ano, publicado pelo IBGE, mostraram expansão de 7,5% em relação a 2009. O resultado foi impulsionado especialmente pela demanda interna.  Em relação ao terceiro trimestre do ano, o acréscimo foi de 0,7%, impulsionado pelo setor de serviços, que cresceu 1,0% no período. Já a indústria (-0,3%) e a agropecuária (-0,8%) registraram queda no último trimestre do ano, em relação ao trimestre imediatamente anterior.   

Período de Comparação

Indicadores

PIB

Agropecuária

Indústria

Serviços

FBCF

Consumo Famílias

Consumo Governo

4ºTri / 3ºTri

0,7%

-0,8%

-0,3%

1,0%

0,7%

2,5%

-1,3%

4°Tri10 / 4ºTri09

5,0%

1,1%

4,3%

4,6%

12,3%

7,5%

1,2%

2010/2009

7,5%

6,5%

10,1%

5,4%

21,8%

7,0%

3,3%

Val.Correntes (R$ bi)

3.675

180,8

841,0

2.113,8

677,9

2.226,1

778,0

 

No lado da oferta, o crescimento de 7,5% do PIB em 2010, foi provocado pelo desempenho do setor de serviços,  que acumulou um montante de R$2.113 bilhões, e mostrou expansão de 5,4% no ano. O resultado foi impulsionado pelas atividades de intermediação financeira e seguros e comércio, que cresceram 10,7%.

A indústria cresceu 10,1% no ano, com destaque para a indústria extrativa (15,7%). A construção civil aferiu acréscimo de 11,6% enquanto a expansão na indústria de transformação foi de 9,7%. No tocante à indústria de transformação, os segmentos de máquinas e equipamentos, produtos de metal, siderurgia, metalurgia e veículos foram os principais responsáveis pelo crescimento.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias foi destaque no ano de 2010, com expansão de 7,0%. Vale ressaltar que em relação ao terceiro trimestre, o crescimento de 2,5% no consumo das famílias foi bem superior ao desempenho da indústria (-0,3%), agropecuária (-0,8%) e serviços (-1,0%). Esse resultado demonstra que o  consumo tem crescido bem a frente da oferta, embasado pela expansão do emprego, da renda e do crédito, fomentando o desequilíbrio entre a oferta e a demanda, e forçando o Banco Central a um ajuste da política monetária. Outro fator que mostra essa necessidade do BACEN conter o consumo está nos resultados da balança comercial, com o relevante crescimento das importações. Em 2010, as exportações cresceram 11,5% e as importações 36,2% o que dá uma contribuição negativa ao PIB de 3,1 pontos percentuais (p.p.).

PIB x Investimento

 (média 1995=100)

 

A despeito do desequilíbrio que vem se apresentando entre oferta e demanda, é importante ressaltar que a FBKF (investimento) vem crescendo acima do PIB, mostrando que o país está criando condições para um crescimento sustentável no médio e longo prazo.

Especula-se que o carry-over (efeito de carregamento do crescimento deste ano para o ano posterior) para 2011 seja por volta de 1% ou 1,2%, bem abaixo dos 3,1% do ano anterior. Isto é efeito da alta base de comparação criada este ano o que provavelmente levará a um crescimento abaixo de 5% em 2011.

Em linhas gerais, 2010 foi mais um ano em que a economia foi impulsionada pela demanda doméstica. De acordo com a Tendências Consultoria, para 2011, a expectativa é de uma expansão mais moderada, de 3,9%, não só por causa da elevada base de comparação, mas também pelo aperto das condições monetárias, dado pelas medidas macroprudenciais e o movimento de elevação da taxa básica de juros praticada pelo Banco Central.

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