CRESCIMENTO DE 1,2% DO PIB SURPREENDE  

O IBGE divulgou nesta data o PIB do Brasil aferido no segundo trimestre de 2010, que é a soma de tudo o que é produzido no país no período. De acordo com os dados, o PIB a preços de mercado cresceu 1,2% no segundo trimestre de 2010 em relação aos três primeiros meses do ano, considerando a série com ajuste sazonal. A agropecuária registrou o maior aumento (2,1%), seguida pela indústria (1,9%) e pelos serviços (1,2%).

Período de Comparação

Indicadores

PIB

Agropecuária

Indústria

Serviços

FBCF

Consumo Famílias

Consumo Governo

2ºTri / 1ºTri

1,2%

2,1%

1,9%

1,2%

2,4%

0,8%

2,1%

2°Tri10 / 2ºTri09

8,8%

11,4%

13,8%

5,6%

26,5%

6,7%

5,1%

2010/2009

8,9%

8,6%

14,2%

5,7%

26,2%

8,0%

3,6%

Val.Correntes (R$ bi)

900,7

54,2

206,0

509,2

160,8

545,4

173,1

Taxa de Investimento (FBCF/PIB)- 2ºtri 2010: 17,9%

Taxa de Poupança (POU/PIB) – 2° tri 2010: 18,1%

 

Pelo lado da demanda, a grande surpresa ficou por conta do consumo do governo, que mostrou expansão de 2,1% ante o trimestre anterior e de 5,1% na comparação anual. A aceleração do consumo do governo no período está ligada ao fim do contingenciamento de gastos realizados no início do ano.

Comparativamente ao segundo trimestre de 2009, o PIB cresceu 8,8%, alavancado pelo resultado da indústria (13,8%), seguida pela agropecuária (11,4%) e pelos serviços (5,6%).

 

Todas as atividades industriais apresentaram crescimento de dois dígitos, sendo que a maior expansão se deu na construção civil (16,4%), em grande parte por conta da expansão do crédito direcionado, de 34,0%, em termos nominais. Além disso, houve um aumento de 14,1% na extrativa mineral, seguida pela indústria de transformação (13,8%) e pelos serviços de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (10,8%).

Ainda comparando com o mesmo período de 2009, também é destaque a formação bruta de capital fixo (FBCF, ou seja, os investimentos), que teve expansão de 26,5% em relação ao segundo trimestre de 2009. Segundo o IBGE, esse é o maior crescimento desde o início da série histórica, em 1996.

Esse resultado é explicado pela expansão dos investimentos em andamento no País, o que, combinado com as expectativas empresariais em alta elevou o consumo de máquinas e equipamentos em geral, puxando a produção interna e as importações, neste último caso, favorecidas pelo Real valorizado.

A política de fomento aos investimentos praticada pelo BNDES, com taxas de juros bastante subsidiadas para a aquisição de máquinas e equipamentos nacionais também contribui para este processo. Este resultado da FBCF foi influenciado também pela baixa base de comparação do 2º trimestre de 2009.

Pelo lado da demanda externa, as exportações (7,3%) e as importações de bens e serviços (38,8%) apresentaram crescimento.  A valorização cambial ajuda a explicar o maior crescimento relativo das importações, e os produtos que mais contribuíram para esse resultado foram siderurgia; refino do petróleo e petroquímicos; veículos; têxteis; borracha; equipamentos eletrônicos; extrativa mineral; e material elétrico.

Taxas (%)

2º tri 2009

3° tri 2009

4° tri 2009

1º tri 2010

2º tri 2010

Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior

-1,9

-1,7

-0,2

9,0

8,9

Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores

1,0

-1,0

-0,2

2,4

5,1

Trimestre / mesmo trimestre ano anterior

-1,6

-1,2

4,3

9,0

8,8

Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)

1,5

2,1

2,4

2,7

1,2

Na análise dos últimos 12 meses o investimento e a indústria também são destaques.  O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados no segundo trimestre de 2010 cresceu 5,1% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, resultado da elevação de 4,7% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 7,6% nos impostos sobre produtos.

O resultado do valor adicionado nessa comparação decorreu dos seguintes desempenhos: indústria (5,6%), serviços (4,5%) e agropecuária (1,6%). Dentre as atividades industriais, destaque para a extrativa mineral (7,6%), seguida pela indústria de transformação (5,9%), construção civil (5,5%) e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (4,1%).

Tendências para 2010

Esse resultado veio acima da projeção do mercado, cujas expectativas variavam de 0,3% a 1,1% segundo a Agência Estado. Na comparação anual, o PIB mostrou expansão de 8,8%, e no acumulado dos últimos quatro trimestres apresentou expansão de 5,1%.

Na abertura pelo lado da oferta, o maior destaque foi o crescimento expressivo do PIB industrial, que teve expansão de 1,9% frente ao trimestre anterior e de 13,8% ante o mesmo período de 2009. Apesar da indústria de transformação ter mostrado desaceleração, em linha com os resultados da Produção Física Industrial do período, os componentes de construção civil e indústria extrativa aceleraram, crescendo, respectivamente, 16,4% e 14,10% na comparação anual.

Com relação à contribuição externa, também não houve surpresas. O crescimento das importações foi bastante expressivo, e muito acima da expansão das exportações, mantendo a tendência da absorção doméstica crescer muito acima do PIB.

Segundo a Tendências Consultoria, esse resultado positivo ficou acima do esperado, e as boas perspectivas para a atividade econômica no segundo semestre puxada pelos condicionantes como crédito, renda, emprego e confiança, levaram à revisão das projeções do PIB de 2010 de 6,6% para 7,2%.


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