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CRESCIMENTO DE 1,2% DO PIB SURPREENDE O
IBGE divulgou nesta data o PIB do Brasil aferido no segundo trimestre
de 2010, que é a soma de tudo o que é produzido no país no período.
De acordo com os dados, o PIB a preços de mercado cresceu 1,2% no
segundo trimestre de 2010 em relação aos três primeiros meses do
ano, considerando a série com ajuste sazonal. A agropecuária
registrou o maior aumento (2,1%), seguida pela indústria (1,9%) e pelos serviços
(1,2%).
Taxa de Investimento
(FBCF/PIB)- 2ºtri 2010: 17,9% Taxa de Poupança
(POU/PIB) – 2° tri 2010: 18,1% Pelo lado da demanda,
a grande surpresa ficou por conta do consumo do governo, que mostrou
expansão de 2,1% ante o trimestre anterior e de 5,1% na comparação
anual. A aceleração do consumo do governo no período está ligada
ao fim do contingenciamento de gastos realizados no início do ano. Comparativamente ao segundo trimestre de 2009, o PIB cresceu 8,8%, alavancado
pelo resultado da indústria (13,8%), seguida
pela agropecuária (11,4%) e pelos
serviços (5,6%). Todas as atividades industriais apresentaram crescimento
de dois dígitos, sendo que a maior expansão se deu na construção
civil (16,4%), em grande parte por conta da expansão do crédito
direcionado, de 34,0%, em termos nominais. Além disso, houve um
aumento de 14,1% na extrativa mineral, seguida pela indústria de
transformação (13,8%) e pelos serviços de eletricidade e gás, água,
esgoto e limpeza urbana (10,8%). Ainda comparando com o mesmo período de 2009, também
é destaque a formação bruta de capital fixo (FBCF, ou seja, os investimentos),
que teve expansão de 26,5% em relação ao segundo trimestre de 2009.
Segundo o IBGE, esse é o maior crescimento desde o início da série
histórica, em 1996. Esse resultado é explicado pela expansão dos investimentos
em andamento no País, o que, combinado com as expectativas empresariais
em alta elevou o consumo de máquinas e equipamentos em geral, puxando
a produção interna e as importações, neste último caso, favorecidas
pelo Real valorizado. A política de fomento aos investimentos praticada
pelo BNDES, com taxas de juros bastante subsidiadas para a aquisição
de máquinas e equipamentos nacionais também contribui para este
processo. Este resultado da FBCF foi influenciado também pela baixa
base de comparação do 2º trimestre de 2009. Pelo lado da demanda externa, as exportações (7,3%)
e as importações de bens e serviços (38,8%) apresentaram crescimento.
A valorização cambial ajuda a explicar o maior crescimento
relativo das importações, e os produtos que mais contribuíram para
esse resultado foram siderurgia; refino do petróleo e petroquímicos;
veículos; têxteis; borracha; equipamentos eletrônicos; extrativa
mineral; e material elétrico.
Na análise dos
últimos 12 meses o investimento e a indústria também são destaques.
O PIB acumulado nos quatro trimestres
terminados no segundo trimestre de 2010 cresceu 5,1% em relação
aos quatro trimestres imediatamente anteriores, resultado da elevação
de 4,7% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 7,6%
nos impostos sobre produtos. O resultado do valor adicionado nessa comparação decorreu
dos seguintes desempenhos: indústria (5,6%), serviços (4,5%) e agropecuária
(1,6%). Dentre as atividades industriais, destaque para a extrativa
mineral (7,6%), seguida pela indústria de transformação (5,9%),
construção civil (5,5%) e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza
urbana (4,1%). Tendências para 2010 Esse resultado veio acima da projeção do mercado,
cujas expectativas variavam de 0,3% a 1,1% segundo a Agência Estado.
Na comparação anual, o PIB mostrou expansão de 8,8%, e no acumulado
dos últimos quatro trimestres apresentou expansão de 5,1%. Na abertura pelo lado da oferta, o maior destaque
foi o crescimento expressivo do PIB industrial, que teve expansão
de 1,9% frente ao trimestre anterior e de 13,8% ante o mesmo período
de 2009. Apesar da indústria de transformação ter mostrado desaceleração,
em linha com os resultados da Produção Física Industrial do período,
os componentes de construção civil e indústria extrativa aceleraram,
crescendo, respectivamente, 16,4% e 14,10% na comparação anual. Com relação à contribuição externa, também não houve
surpresas. O crescimento das importações foi bastante expressivo,
e muito acima da expansão das exportações, mantendo a tendência
da absorção doméstica crescer muito acima do PIB. Segundo a Tendências Consultoria, esse resultado positivo
ficou acima do esperado, e as boas perspectivas para a atividade
econômica no segundo semestre puxada pelos condicionantes como crédito,
renda, emprego e confiança, levaram à revisão das projeções do PIB
de 2010 de 6,6% para 7,2%.
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