Fábrica de celulose do Uruguai gera nova polêmica

11/01/2010 - O governo do Uruguai investigará supostas irregularidades em sua embaixada na Argentina, que seriam consequência do conflito diplomático existente entre os países desde 2007 devido à instalação de uma fábrica de celulose próxima à fronteira binacional.

O chanceler uruguaio, Pedro Vaz, declarou desconhecer qualquer tipo de irregularidade, mas assumiu que deve "analisar e investigar e, em função disso, adotar as decisões sobre o caso".

Uma revista semanal divulgou que, nos últimos anos, "manifestantes de Gualeguaychú invadiram por um dia o Consulado". A publicação ainda ressalta que "a Embaixada de Buenos Aires também tem sofrido com ameaças de atentados e o desaparecimento de pastas informáticas consideradas confidenciais".

Questionado sobre o assunto, o embaixador uruguaio na Argentina, Francisco Bustillo, afirmou que "cada uma das dificuldades foram devidamente informadas tanto às autoridades argentinas como às uruguaias".

Desde 2007, a fábrica de pasta de celulose construída pelo grupo Botnia e vendida em dezembro à UPM - ambas empresas de origem finlandesa - funciona na cidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do fronteiriço rio Uruguai.

O conflito entre os dois países vem da alegação feita pelos argentinos de que a fábrica polui as águas do rio. Com isso, ambientalistas da cidade de Gualeguaychú, do outro lado da fronteira, bloqueiam desde 2006 a ponte internacional General San Martín, localizada entre os dois países.

Buenos Aires argumenta que a construção da indústria foi autorizada de forma arbitrária por Montevidéu, o que violaria um tratado bilateral que se refere ao rio Uruguai. A expectativa é que a decisão do tribunal saia no início de 2010.

O presidente eleito do Uruguai, José Mujica, confirmou a um emissário do governo argentino que se reuniu recentemente com ambientalista para tentar solucionar o impasse.

Fonte: Jornal do Brasil. Adaptado por Celulose Online