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Celulose:
preços têm novo aumento na América Latina
Por Renata Mercante, Editora, PPI Latin America, RISI, rmercante@risi.com,
e Fernanda Belchior, Editora Assistente, PPI Latin America, RISI,
fbelchior@risi.com
10/11/2009 - Seguindo um movimento global, os preços de celulose
na América Latina continuaram a subir em outubro. De acordo
com fontes ouvidas pela RISI, os níveis de preço da
celulose branqueada de eucalipto (fibra curta) estavam US$40-50/tonelada
mais altos em outubro em relação a setembro, puxados
pela forte demanda do mercado de papel para fins sanitários.
Um contato chileno disse que, em outubro, os preços da celulose
fibra curta e fibra longa na América Latina estavam respectivamente
US$50/tonelada e US$30/tonelada mais altos do que no mês anterior
"já que a demanda por celulose se encontra muito ativa".
RISI apurou que a demanda de papel para fins sanitários está
forte também na Argentina, o que tem estimulado o consumo
de celulose e, consequentemente, o aumento de preços.
"Ajustamos o preço de celulose de eucalipto em toda
a América Latina em outubro, refletindo a alta de preços
implementada na Europa no mês anterior", um produtor
afirmou. De acordo com a pesquisa mensal da RISI, porém,
os preços de celulose branqueada de eucalipto em outubro
de 2009 ainda ficaram cerca de 30% abaixo dos níveis praticados
há um ano.
Uma fonte na Argentina comentou que os preços da celulose
de fibra longa aumentaram US$50-60/tonelada em outubro. Outro contato
no Brasil mencionou que está importando celulose de fibra
longa de produtores na América Latina por preços US$30-40/tonelada
mais altos se comparados aos níveis de setembro. "A
oferta de celulose de fibra longa está restrita no momento,
já que os produtores, principalmente os chilenos, estão
exportando maiores volumes para a Ásia", uma fonte destacou.
No México, os níveis de preço de celulose têm
mostrado uma trajetória crescente também. Contatos
locais disseram a RISI que os preços de celulose de fibra
longa subiram US$40/tonelada entre setembro e outubro enquanto os
embarques de celulose permaneceram estáveis. No período,
os preços de celulose de fibra curta também sofreram
aumento da ordem de US$30-40/tonelada.
Previsões
As perspectivas para o mercado latino-americano são boas
e, em curto prazo, o cenário promete ser muito melhor, de
acordo com as fontes da RISI. "Há clientes que não
estavam comprando nada meses atrás e, de repente, começaram
a adquirir celulose," um produtor afirmou. "A oferta de
celulose está menor agora e aqueles que não tinham
contratos de compra estão sofrendo já que os produtores
não dispõem de volumes suficientes para atender vendas
esporádicas," o contato completou.
São esperadas novas altas de preço de celulose ao
longo de novembro e dezembro, segundo os contatos. "Provavelmente,
os preços vão subir de novo este mês nos mercados
da América Latina seguindo uma tendência de aumento
de preços mundial anunciada para outubro. E se os preços
aumentarem em novembro em todo o mundo, uma nova alta de preços
deverá ser realizada na América Latina em dezembro,"
uma fonte disse.
De acordo com um comprador, a Fibria e a Suzano estudam aumentar
o preço de celulose de eucalipto em US$50/tonelada em dezembro
devido à alta demanda e à desvalorização
do dólar. Outro contato disse que os preços podem
ser ajustados em mais US$40-50/tonelada no Brasil e em outros mercados
da América Latina.
China em foco
A China é um importante, mas obscuro fator influenciador
da demanda de celulose. Alguns especialistas acreditam que a região
continuará a crescer fortemente, ditando o consumo de celulose
em nível global, uma vez que tradicionalmente importa grandes
volumes para abastecer as novas capacidades de fábricas de
papel de imprimir e escrever e de papel para fins sanitários
que irão entrar em operação nos próximos
anos. "O futuro das fábricas não-integradas de
papel na China é duvidoso, uma vez que essas plantas estão
se estocando. É muito difícil prever como seus estoques
estarão no início de 2010 e uma queda nos níveis
chineses de consumo de celulose no próximo ano pode gerar
uma nova queda de preços como a que tivemos no primeiro semestre
de 2009," um analista de mercado disse a RISI.
Dados do Global Trade Information Services (GTIS) mostram que de
janeiro a agosto deste ano a China importou 5,1 milhões de
toneladas de celulose de fibra curta branqueada, valor 47.5% inferior
em relação ao mesmo período do ano anterior.
Do Brasil, as importações chinesas de celulose branqueada
de fibra curta aumentaram 71,9% para 1,9 milhão de toneladas.
A Indonésia é o segundo maior fornecedor desse tipo
de celulose para a China. De acordo com o GTIS, as importações
chinesas de celulose de fibra curta branqueada da Indonésia
aumentaram 31.9% para 1,3 milhões de toneladas de janeiro
a agosto deste ano contra o mesmo período de 2008. Já
o Chile, terceiro maior fornecedor da China, exportou para o país
561,587 toneladas, volume 21% superior ao praticado entre janeiro
e agosto de 2008.
Enquanto isso, o Uruguai exportou 435,942 toneladas, quatro vezes
mais que no ano anterior; o que reflete o início das operações
da fábrica de celulose da Botnia, inaugurada no final de
2007. Os dados do GTIS mostram ainda que os embarques de celulose
da Rússia para a China cresceram 12% para 219,196 toneladas.
As importações chinesas de celulose branqueada de
fibra longa também cresceram 31.7% para 4,5 milhões
de toneladas no consolidado até agosto deste ano em comparação
ao mesmo período de 2008. O segundo maior fornecedor foi
o Chile que, no período, destinou 998,687 toneladas de celulose
branqueada de fibra longa à China, um crescimento de 73,8%.
Paralelamente, os Estados Unidos enviaram 819,752 toneladas de celulose
branqueada de fibra longa à China, volume 23,1% superior
ao praticado até agosto de 2008. Já a Rússia
exportou 594,986 toneladas ou 13.9% menos que no período
anterior enquanto que os embarques da Finlândia aumentaram
26,2% para 284,678 toneladas.
Fonte: RISI. (Esta reportagem é da PPI Latin
America, uma publicação da RISI que cobre os mercados
e preços de celulose e papel na América Latina. A
PPI Latin America é publicada apenas em inglês, mas
uma versão em português será lançada
em breve. Se você tem interesse na versão traduzida,
envie um email para ppila@risi.com que entraremos em contato com
você para informar sobre quando a nova edição
estará disponível.)
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