Emergentes se unem em acordo climático

15/06/2009 - Nos últimos minutos da reunião preparatória de Bonn, o Brasil liderou uma manobra tática para impedir que o Protocolo de Kyoto morra depois de 2012. Junto com outras 37 nações apresentou uma proposta de redução de 40% nas emissões dos gases-estufa dos países ricos entre 2013 e 2020, quando expira a vigência de Kyoto. A intromissão no terreno do vizinho foi uma estratégia dos países em desenvolvimento para avançar as negociações climáticas.

Até aquele momento, os industrializados não haviam apresentado nenhuma meta de corte dos gases de efeito-estufa para o intervalo 2013- 2020. O risco era perder o prazo de 17 de junho, data estabelecida pela ONU para que estejam na mesa todas as propostas que se quer discutir na conferência de Copenhague, daqui a seis meses. Na sexta-feira, a Rússia havia vetado qualquer nova meta dos países industrializados.

Os ricos, que são os grandes poluidores do passado, querem um novo acordo em Copenhague, com a inclusão de novos atores na lista de cortes e abandonar Kyoto. O bloco dos países em desenvolvimento, onde estão as economias emergentes e grandes poluidoras do presente, não querem. China, Brasil, Índia e África do Sul concordam que a trajetória de crescimento de suas emissões seja contida, mas sem metas internacionais obrigatórias.

Há uma confusão de números neste momento no debate do clima. A recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, é que os cortes de emissões em 2020 fiquem entre 25% e 40%, em relação aos volumes de 1990, para que a temperatura do planeta aumente no máximo 2°C no fim do século. A UE fala em 20% a 30% desde que outros façam o mesmo e considera 1990 como ano-base. Os EUA trabalham com menos 17% em 2020, mas tem 2005 como ponto de referência. Segundo a ONU, as promessas de cortes até agora variam de 16% a 26% em relação a 1990, o que é considerado insuficiente. Na conta das ONGs estes números estão errados e representam entre 6% e 13% na melhor das hipóteses.

No meio do encontro de Bonn os negociadores souberam que estava havendo uma reunião bilateral sobre mudança climática entre China e EUA, na China. Os dois países respondem por 40% das emissões de gases-estufa do mundo.

Fonte: valor Econômico. Adaptado por Celulose Online