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Meio
ambiente ganha com crise
09/10/2008
- A desaceleração da economia mundial pode trazer
alívio para um planeta sufocado pelas emissões de
gás carbônico responsáveis por alterar o clima,
afirmou ontem um cientista ganhador do Prêmio Nobel.
O pesquisador
Paul J. Crutzen, que já sugeriu no passado a possibilidade
de bombardear a atmosfera com partículas de enxofre a fim
de esfriar a Terra, disse que as nuvens negras formadas sobre a
economia mundial poderiam tornar menos pesado o fardo ambiental
carregado pelo planeta hoje em dia.
Uma
menor expansão da economia no mundo todo ajudaria a brecar
a emissão de gases do efeito estufa e provocaria uma utilização
mais cuidadosa dos recursos energéticos. De outro lado, porém,
a crise econômica poderia desviar os esforços do combate
às mudanças climáticas, afirmou Crutzen, vencedor
do Prêmio Nobel de Química em 1995 por seu trabalho
sobre a diminuição da camada de ozônio.
"Isso
é algo cruel de se dizer. Mas, se olharmos para a desaceleração
da economia, haverá menos combustíveis fósseis
queimando, de modo que, para o clima, isso representaria uma vantagem",
disse o cientista em entrevista à Reuters.
"Poderíamos
verificar um acúmulo muito mais lento de gás carbônico
na atmosfera. As pessoas começariam a poupar (mais energia).
Mas as coisas também podem piorar, já que haveria
menos dinheiro para a pesquisa e isso seria algo grave".
As
emissões de CO2, geradas pela queima de combustíveis
fósseis em usinas de energia, fábricas, lares e veículos,
elevam-se em cerca de 3% ao ano. O Painel Intergovernamental sobre
as Mudanças Climáticas (IPCC) prevê que a temperatura
média da Terra vai subir entre 1,8 e 4 graus Celsius neste
século.
O grupo
das oito potências industrializadas (G8) acatou em julho a
meta de, até 2050, diminuir pela metade o volume das emissões
mundiais. Crutzen deu a entrevista em Chipre, para onde viajou a
fim de participar de um encontro no Instituto Chipre, uma fundação
de pesquisa.
O cientista
provocou polêmica quando, em 2006, publicou um artigo sugerindo
a disseminação de enxofre, um poluente comum, na estratosfera
terrestre (a cerca de 16 quilômetros de altitude), como uma
forma de combater o efeito estufa. Crutzen acredita que a dispersão
de 1 milhão de toneladas de enxofre na estratosfera a cada
ano, por meio de balões ou foguetes, ajudaria a rebater a
luz do Sol e a esfriar o planeta.
Pesquisadores
observaram que a temperatura média do globo caiu 0,5 grau
centígrado quando, em 1991, o monte Pinatubo (Filipinas)
entrou em erupção, lançando dióxido
de enxofre na atmosfera. Crutzen disse que a idéia havia
sido sugerida por um cientista russo cerca de 30 anos atrás.
"Não
estou dizendo que deveríamos fazer isso. Mas essa é
uma das nossas opções caso continuemos a enfrentar
uma situação como a de hoje. Deveríamos estudar
essa possibilidade", afirmou. "Se olharmos para daqui
a 10 anos, 20 anos, e nada tiver sido feito (para enfrentar o aquecimento),
então teremos um problema muito grave a ser enfrentado."
O enxofre
é um dos componentes da chuva ácida, fenômeno
que produz efeitos danosos sobre plantas e sobre os seres aquáticos.
"A chuva ácida é provocada pelas emissões
de dióxido de enxofre vindas do solo, das chaminés,
e essas emissões são de 50 milhões de toneladas
por ano. O experimento na estratosfera envolveria 1 milhão
de toneladas de enxofre por ano. O montante seria insignificante",
disse.
O empreendimento
representaria algo extremo a ser adotado no caso de uma situação
extrema, afirmou Crutzen. Em um relatório de 2007, o IPCC,
órgão ligado à Organização das
Nações Unidas (ONU), disse que tais opções
de geoengenharia mostravam-se especulativas e não contavam
com provas materiais, além de seus efeitos serem, em certa
medida, imprevisíveis.
Fonte:
Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online
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