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Biochip
de papel barateará exames e análises
05/10/2008
- Testar a qualidade da água e fazer exames clínicos
para identificação de microorganismos causadores de
doenças agora pode ser tão simples quanto escrever
com uma caneta sobre um pedaço de papel. O pesquisador George
Whitesides e seus colegas da Universidade de Harvard, nos Estados
Unidos, perceberam que os microcanais naturalmente presentes no
interior do papel podem substituir os microcanais construídos
com alta tecnologia nos biochips atuais.
Os
microcanais são utilizados para que minúsculas quantidades
do líquido a ser examinado - água, sangue, suor, urina
etc. - possam entrar em contato com os reagentes corretos, na ordem
adequada, dando os resultados do exame instantaneamente.
Já
começam a surgir os primeiros biochips descartáveis
mas, caso esses microlaboratórios possam ser mais baratos,
eles poderão chegar justamente aos locais onde eles são
mais necessários - às localidades remotas onde não
há laboratórios clínicos ao alcance da população.
Esses
microlaboratórios são conhecidos como biochips justamente
por serem fabricados com a mesma tecnologia com que são feitos
os chips de computador. Contudo, o que representa uma vantagem em
termos de precisão, torna-se também o responsável
pelo seu ainda elevado custo. O Professor Whitesides percebeu que
os microcanais, construídos por meio de fotolitografia ou
com moldes de alta precisão, podem ser substituídos
pelos canais internos naturalmente presentes no papel.
Tudo
o que é necessário fazer é prover esses canais
com paredes impermeáveis, para que os fluidos a serem examinados
fiquem contidos em seu interior e fluam por capilaridade. Eles conseguiram
tornar impermeáveis as paredes dos microcanais do papel utilizando
um polímero líquido que se endurece quando exposto
à luz ultravioleta - esse polímero é tecnicamente
conhecido como fotorresiste e é largamente usado pela indústria
eletrônica.
Biochip
de papel
Para construir o biochip de papel, os pesquisadores mergulharam
uma folha de papel comum no fotorresiste, cobriram um dos lados
com uma transparência e desenharam os microcanais no outro
lado utilizando uma caneta.
Quando
o papel foi exposto à luz do sol, o fotorresiste endureceu,
exceto nos pontos onde a tinta da caneta impediu que os raios ultravioletas
o atingissem. A transparência foi então removida e
o papel lavado, para retirar excesso de polímero que ficou
sob os canais desenhados.
O
resultado é uma folha de papel impermeável contendo
uma rede de microcanais permeáveis em seu interior, ou seja,
um dispositivo microfluídico, com a mesma funcionalidade
que os biochips ou microlaboratórios construídos com
a mais alta tecnologia.
Uma
vez testado o conceito, os canais microfluídicos agora poderão
ser impressos com impressoras a laser, fazendo os canais muito mais
precisos do que é possível fazendo-os à mão.
"Os
dispositivos microfluídicos de papel provavelmente não
serão sensíveis o suficiente para detectar todas as
doenças, mas eles são sensíveis o suficiente
para a maioria das aplicações práticas,"
afirmou Andres Martinez, que também participou da pesquisa,
à revista New Scientist.
Fonte:
Site Inovação Tecnológica. Adaptado por Celulose
Online
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