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Portugueses
criam transístor de papel
15/09/2008
- Ecrãs de papel, etiquetas ou pacotes inteligentes são
algumas das possibilidades que nascem com a invenção
dos novos transístores com uma camada fina de papel. À
frente desta investigação está uma equipe de
cientistas portugueses do Centro de Investigação de
Materiais (Ceninat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia
da Universidade Nova de Lisboa, coordenados por Elvira Fortunato,
o 'cérebro' por detrás do projeto.
Os
transístores são os equipamentos que vieram substituir
as válvulas nos anos 40. Estão hoje presentes nos
circuitos integrados da maioria dos dispositivos eletrônicos
que usamos todos os dias. Para Elvira Fortunato, defini-los é
simples. "Um transístor não é mais que
um interruptor, que liga e desliga. No fundo é uma chave."
Um mostrador de uma máquina fotográfica, por exemplo,
utiliza uma matriz ativa que faz o endereçamento dos pixels
e casa pixel e é comandado por um transístor de película
fina (TFT). Um transístor convencional tem o silício
como material de suporte.
A
grande novidade aqui é que "utilizamos o papel como
material funcional, onde o papel é usado como suporte físico
do transístor e simultaneamente como componente electrónico,
ou seja, um isolante", diz Elvira Fortunato. O papel tem aqui
uma dupla função.
Também
a base, que é a parte ativa que faz o transístor funcionar,
é uma inovação. "Usamos o óxido
de zinco, um material barato, usado em várias aplicações
entre elas produtos de cosmética e farmacêutica."
Tem a grande vantagem de poder ser produzido à temperatura
ambiente. As experiências já foram feitas em papel
vegetal, reciclado ou cartão. Os resultados são sempre
os mesmos. "Funciona na perfeição."
Quanto
às futuras utilizações, ainda estão
por descobrir. Por ser uma tecnologia onde os materiais utilizados
são de baixo custo, "pensamos que pode ter uma aplicação
muito grande na área da electrônica descartável",
explica Elvira Fortunato.
Por
enquanto, ainda são idéias por concretizar, mas estes
transístores permitem fazer desde sensores a etiquetas, ou
por exemplo serem usados no papel-moeda. Para a engenheira "este
é um campo por descobrir. Quando temos uma coisa nova ainda
é difícil definir as aplicações que
vão aparecer no futuro".
Neste
momento, ainda não existe nenhum projecto financiado para
desenvolver os transístores de papel. "Queremos primeiro
otimizar o desempenho dos transístores, aprofundar os conhecimentos
sobre o seu modo de funcionamento."
Apesar
da idéia ter partido da cientista, o projeto foi trabalhado
por uma equipe que tem se ocupado da área da electrônica
transparente dentro da universidade. Dela também fazem parte
Rodrigo Martins, chefe do laboratório, Nuno Correia (que
fez os transístores), Pedro Barquinha, Gonçalo Gonçalves
e Luís Pereira.
"O
transístor de papel vem um bocadinho por acréscimo.
Já trabalhávamos com estes materiais à temperatura
ambiente e tínhamos as condições reunidas para
poder usar o papel", esclarece Elvira Fortunato.
O
primeiro transístor foi feito em Dezembro de 2007, mas apenas
divulgado em Julho deste ano, depois de já terem submetido
a patente. Dois dias depois desta notícia ter começado
a percorrer o mundo (milhares de entradas no Google), a cientista
ganhou um prémio de 2,5 milhões de euros, na área
da electrónica transparente, atribuído pelo European
Research Council (ERC). O dinheiro ganho já tem destino.
"Vai permitir consolidar a equipa, financiá-la durante
os próximos cinco anos e comprar um grande equipamento da
área da nanotecnologia com características únicas,
que ainda não existe em Portugal."
Fonte:
Diário de Notícias. Adaptado por Celulose Online
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