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Texto
do Código é aprovado em meio a violência contra
estudantes
Senadora Marinor Brito (Psol-PA) foi única
a votar contra.
10/11/2011
- O texto do substitutivo que propõe mudanças ao Código
Florestal foi aprovado nas comissões de Ciência e Tecnologia
e de Agricultura e Reforma Agrária do Senado nesta terça,
8 de novembro. Os placares das votações foram 12 a
1 na CCT e 15 a 0 na CRA. O único voto contrário foi
o da senadora Marinor Brito (Psol-PA), que ainda tentou, sem sucesso,
um pedido de vistas da matéria, uma vez que o texto sofreu
alterações em relação à última
reunião.
Além da aprovação de um texto que anistia crimes
ambientais e tem o potencial de provocar novos desmatamentos, os
presentes assistiram a cenas truculência nos corredores do
Senado. Segundo nota do WWF Brasil, dezenas de estudantes e representantes
do movimento social, que haviam sido impedidos de entrar no local
da seção e que protestavam de forma pacífica
no corredor, foram espancados por integrantes da Polícia
do Senado e também por um segurança particular não
identificado.
"Um estudante da UnB - Rafael Pinheiro Rocha - foi imobilizado
de forma violenta e, já dominado por quatro policiais, ainda
sofreu um disparo por arma de choque. Desacordado, ainda foi arrastado
e algemado pela Polícia do Senado", destaca nota.
A senadora Marinor Brito foi à Delegacia da Casa e se mostrou
indignada com a postura da Polícia do Senado. "Um estudante
que protestava de forma pacífica foi algemado. Vamos tomar
as atitudes necessárias para que isso seja apurado e já
colocamos um advogado nosso para intervir. É claro que houve
excesso, não se pode dar choque e algemar alguém que
não ofereceu resistência", criticou.
Em relação ao indivíduo não identificado
que também agrediu manifestantes, Marinor Brito foi incisiva.
"Não é estranho que capangas do agronegócio
circulem nos corredores do Senado", afirmou a senadora.
Ainda de acordo com Marinor Brito, o debate sobre as mudanças
no Código Florestal não têm conseguido esclarecer
para a população as reais implicações
que a aprovação da atual proposta causaria. "O
grande agronegócio tem conseguido impor seus interesses à
sociedade brasileira. A aprovação do texto no Senado
reflete uma política ambiental do governo de cumprir acordos
feitos com os ruralistas", lamentou a senadora.
De acordo com Kenzo Jucá, analista de Políticas Públicas
do WWF-Brasil, tanto a votação do texto nas comissões,
sem a análise de emendas e destaques, bem como a ação
violenta da Polícia do Senado contra estudantes refletem
a postura arbitrária com que o Código Florestal tem
sido discutido. "As mudanças propostas por cientistas,
pesquisadores, estudantes, agricultores familiares e pelo movimento
social têm sido sistematicamente ignoradas, tanto na Câmara
quanto no Senado. E quando a sociedade protesta, acontece a barbárie
que presenciamos nesta terça-feira no Senado", criticou
o representante do WWF-Brasil.
A CCT e a CRA ainda devem votar destaques e emendas antes de encaminhar
a matéria para a Comissão de Meio Ambiente, que fará
a apreciação final do texto antes da votação
no plenário da casa, que poderá acontecer ainda em
novembro.
Os seguintes senadores, da Comissão de Ciência e Tecnologia,
votaram a favor do texto apresentado pelo senador Luiz Henrique
(PMDB-SC), relator da matéria: Ângela Portela (PT-RR),
Aníbal Diniz (PT-AC), Antônio Carlos Valadares (PMDB-SE),
Ciro Nogueira (PP-PI), Cyro Miranda (PSDB-GO), Eunício Oliveira
(PMDB-PE), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF),
Sérgio Souza, Valdir Raupp (PMDB-RO) e Walter Pinheiro (PT-BA).
Apenas Marinor Brito (Psol-PA) votou contra.
Na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, todos
os 15 integrantes presentes votaram a favor do texto do relator:
Ana Amélia (PP-RS), Ângela Portela (PT-RR), Antônio
Russo (PR-MS), Benedito de Lira (PP-AL), Blairo Maggi (PR-MT), Casildo
Maldaner (PMDB-SC), Cyro Miranda (PSDB-GO), Flexa Ribeiro (PSDB-PA),
Jaime Campos (DEM-MT), Reditário Cassol (PP-RO), Rodrigo
Rollemberg (PSB-DF), Sérgio Souza (PMDB-PR), Valdir Raupp
(PMDB-RO), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Walter Pinheiro (PT-BA).
Fonte: CeluloseOnline
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