Segmento aposta no segundo semestre

Indústrias instaladas no Estado projetam crescimento de 3% neste exercício.

RAQUEL GONDIM.

13/09/2011 - A chegada do segundo semestre deu fôlego novo ao setor de papel e papelão, que registrou desaquecimento na primeira metade deste ano, devido à acirrada concorrência com importados. Embora a valorização do real seja um entrave para o segmento, os resultados de julho a dezembro devem ser suficientes para as empresas fecharem 2011 com pequena expansão nos negócios. Conforme o Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel-MG), a alta no exercício deve ser de 3% em relação a 2010.

ALISSON J. SILVA


As empresas de Minas Gerais operam hoje com
cerca de 30% de ociosidade


O presidente da entidade, Antônio Baggio, explica que os últimos seis meses do ano representam 60% das operações das 330 empresas do setor em Minas. Com isso, ele acredita ser possível recuperar a retração de 15% percebida no primeiro semestre.

Porém, o segmento continua preocupado com o câmbio, que afasta os consumidores das indústrias nacionais. Devido a esse cenário de pouca competitividade do mercado interno, Baggio salienta que a capacidade ociosa está aumentando. Hoje, cerca de 30% do potencial produtivo das empresas não estão sendo utilizados.

Embora o presidente do Sinpapel-MG tenha descartado a necessidade de investimentos no setor, as empresas estão aportando, na tentativa de conquistar uma fatia maior do mercado. O proprietário da Klapex Embalagens, sediada no bairro São Gabriel, região Nordeste da Capital, Celso de Souza, por exemplo, vai aplicar cerca de R$ 100 mil na compra de uma impressora de duas cores, para estampar caixas de papelão.

A inversão será feita considerando, sobretudo, as expectativas de aquecimento dos negócios na segunda metade do ano, quando, tradicionalmente, a Klapex registra alta de até 70% das vendas. Isso porque o carro-chefe da indústria são as caixas de papelão destinadas às fábricas de picolés e sorvetes, que aumentam as compras com a aproximação do verão.

Para o acumulado do ano, Souza prevê crescimento de 10%. Além do mercado de Belo Horizonte, a fábrica tem clientes no Espírito Santo e no Distrito Federal. Hoje, a produção atinge 15 mil quilos/mês.

O proprietário da Papéis Fátima, que produz artigos para festas, localizada em São Lourenço (Sul do Estado), Pedro Santos, também está investindo R$ 100 mil. O aporte será feito na compra de uma máquina para a fabricação de guardanapos, produto que ainda não faz parte do mix da empresa, composto por 15 itens.

O objetivo é garantir mais espaço no mercado, especialmente em um momento de acomodação dos negócios. Entre janeiro e junho, a Papéis Fátima contabilizou uma pequena expansão, de 1,5%. Isso apesar do enfraquecimento do dólar que, de acordo com Santos, reduziu o preço da celulose. Porém, o presidente do Sinpapel-MG garante que a valorização do real não beneficiou o segmento. "Nossa matéria-prima é toda nacional", enfatiza.

Hoje, as indústrias de papel e papelão de Minas ocupam a terceira posição do ranking nacional, ficando atrás de São Paulo e do Paraná. Conforme Baggio, o movimento percebido no Estado se repete em todo o país e ainda é cedo para fazer previsões sobre 2012. Antes, diz ele, é necessário analisar o impacto das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo federal e os efeitos da crise internacional.

Fonte: Diário do Comércio