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Indústria
do papel precisa de Plano B, para se recuperar
Debate da Anave apontou
dificuldades da indústria papeleira, mas criou alertas para
que dirigentes encontrem soluções pertinentes para
conduzir o avanço do setor.
Por
Luciana Grili
04/08/2011
- O presidente da Anave (Associação Nacional dos Profissionais
de Venda em Celulose, Papel e Derivados) presidiu ao lado do diretor
de relações da entidade, Valdir Premero, o 36º
Fórum Anave nesta terça-feira (3/8), em São
Paulo. Os dois conduziram um tema polêmico e que dói
no calcanhar da indústria papeleira: o possível sucateamento
que o setor pode vivenciar - ou que pode já estar vivenciando,
como afirmou o economista da (FGV) Fundação Getúlio
Vargas, Paulo Sandroni, durante o debate.
Apesar
de todas dificuldades que o setor passa, apresentadas no fórum,
como alta carga tributária, competição com
players do mercado asiático, alta taxas de juros, a guerra
do papel imune, entre outros, o presidente da entidade saiu do evento
com tom otimista e disse que acredita que a indústria papeleira
tem condições de encontrar soluções.
Borges destacou a importância da Anave promover este tipo
de debate e possibilitar reflexões para que o setor reaja
com mais representatividade. Sobre a concorrência que o segmento
enfrenta principalmente com o avanço das papeleiras chinesas
que conquistam o mercado brasileiro, o executivo disse que sempre
acha que a concorrência é boa, mas alertou que os dirigentes
brasileiros devem estar atentos ao que o país chinês
faz e ter um plano de desenvolvimento. "Precisamos detectar
o que eles estão fazendo que nós não e aí
sim agirmos", manifestou.
Valdir Premero destacou que de fato a indústria nacional
tem muitos problemas e dificuldades, mas afirmou que são
pontos a serem resolvidos. "É preciso olhar estes problemas
e enfrentá-los, não há outro caminho. As pessoas,
as empresas têm que encontrar soluções eficientes
para eles", comentou.
O
gerente da Papirus, Eduardo Gianini, que esteve na plateia do evento,
avaliou que o País passa por um momento oportuno para se
refletir sobre a temática tratada no 36º Fórum
Anave. Na opinião dele, os gargalhos do setor são
a elevada carga tributária e o próprio cenário
de empresas que tinham ativos e tiveram que se desfazer por conta
da questão da transformação do papel e da concentração
de algumas empresas na questão de base florestal e produção
de celulose. "Eu acho que o importante deste fórum é
que levou o público a refletir e apresentou que há
a necessidade do setor continuar a fazer pressão em cima
do Governo, principalmente no que se refere a desonerar a carga
tributária", expressa.
Geraldo
Pereira, executivo da APP, multinacional chinesa, também
participou e avaliou que apesar de todos obstáculos que o
Brasil enfrenta é sempre preciso lembrar que há uma
relação entre o setor privado e o Estado. No que se
refere ao efeito de importações de papel no Brasil
e chegada da China neste mercado, o executivo pontuou que existe
no cenário nacional uma falta de investimentos ou ainda investimentos
errados e sinalizou que acredita que cada País terá
que definir o que cada um faz melhor e centrar suas estratégias
neste foco. "A China exporta papel hoje porque ela está
garantindo uma produção para atender à sua
demanda futura de mercado, só que ela não se atreve
a produzir celulose, o que ela faz é ter alguma alternativa
neste sentido. Já o Brasil não investe mais em papel
porque o produto gera um Ebtida de 26%, enquanto a celulose gera
um ebtida de 40%, mas acredito que nosso País jamais vai
deixar de fabricar papel", afirmou.
O
fórum reuniu cerca de 150 executivos durante todo o dia.
Formado por quatro painéis apresentadas por nomes representativos
e especialistas em economia e nas questões tributárias
que estrangulam o setor, o evento reuniu nove palestrantes, com
espaço para debate com a plateia. Entre os destaque da programação,
o público assistiu no período da tarde, a palestras
"Como variáveis externas afetam a dinâmica do
mercado doméstico", com Edgard Avezum da Klabin; "Imprimir
e Escrever: Desafios para Exportação e mercado interno",
com Leonardo Grimaldi da Suzano; "Embalagem: Como ficam os
mercados com as novas capacidades anunciadas?", com Eduardo
Scalese da MWV Rigesa; "Desafios do setor gráfico perante
às novas mídias", com Fábio Arruda Mortara,
presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria
Gráfica" e "Desafios da Distribuição
de Papel", com Victor Paulo de Andrade da Andipa (Associação
Nacional dos Distribuidores de Papel).
Fonte:
CeluloseOnline
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