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Reintegração
Social - Liberdade para um futuro mais limpo
30/06/2011 - Elas já ouviram falar
que Belo Horizonte deu seus primeiros passos para ser ecologicamente
correta. Souberam que supermercados e padarias mudaram rotinas e
apostam na preocupação dos belo-horizontinos com o
meio ambiente. Daqui a poucos dias, ao cruzar as portas do presídio
de Vespasiano, na Grande BH, rumo à liberdade, depois de
quase dois anos de detenção, Izabel Cristina Martins,
de 38 anos, e Jacioni do Amaral, de 25, esperam encontrar a capital
como uma capital da sacola biodegradável, título que
faz parte da história que elas ajudaram a construir. Desde
abril, quando a lei municipal da sacolinha plástica entrou
em vigor em Belo Horizonte, 15 mulheres do presídio de Vespasiano
começaram a participar da produção das sacolas
ecológicas, recebendo, em troca, três quartos do salário
mínimo e remissão de pena, reduzindo um dia na sentença
a cada três trabalhados. É no galpão da unidade
prisional que elas se unem para trabalhar. Cada uma delas faz o
acabamento de 1 mil sacolas por dia. Feitas de papel, as embalagens
são para grandes lojas da capital, como a Livraria Leitura.
Enquanto põem a mão na massa, afastando da mente 'fantasmas',
como elas mesmo dizem, elas colocam o papo em dia e até cantam.
"A nossa meta é produzir 2 mil sacolas por dia, a gente
vai chegar lá. Sei que lá fora estão todos
conscientes da importância das sacolas ecológicas.
Quando sair daqui, aposto em ver uma cidade bem mais limpa",
comenta Izabel. De acordo com dados da Associação
Mineira de Supermercados, um mês depois da vigência
da lei municipal, 13 milhões de sacolinhas deixaram de ser
despejadas no ambiente, sete em cada 10 consumidores estão
levando suas sacolas retornáveis às compras. A iniciativa
de produção das embalagens no presídio é
fruto de parceria da unidade com a empresa Imballaggio, especializada
na produção de sacolas ecológicas. "Desde
2007, fazemos acabamento manual de embalagem com os presos da Penitenciária
José Maria Alckmin, em Ribeirão das Neves, na Grande
BH.

Quando
foi sancionada a lei das sacolas plásticas em BH, iniciamos
o serviço no presídio de Vespasiano. Há seis
meses, essas mulheres estavam paradas, sem fazer nada e com muita
vontade de trabalhar", conta a gerente de Recursos Humanos
da Imballaggio, Letícia Rocha Baggio, dizendo que, com a
alta demanda para o produto, elas estão correspondendo às
expectativas, escoando a produção.
A seleção
para a mão de obra feminina foi feita pela Comissão
técnica de classificação da unidade prisional.
Foram levados em consideração o comportamento e habilidade
das internas. Antes de começar a trabalhar, elas passaram
por um período de treinamento e capacitação,
oferecidos pela própria empresa, pela Secretaria de Estado
de Defesa Social (Seds) e pela Secretaria de Estado de Educação.

EMPREGO
A esperança das mulheres é que, ao sair dali, encontrem
na empresa um emprego. Segundo Letícia Rocha Baggio, esse
sonho pode se tornar realidade. "Quem estiver determinada a
isso, as portas estão abertas", afirma. É o que
espera Izabel, que em julho deixa o presídio, depois de um
ano e seis meses de detenção. "Sou cabeleireira,
mas aqui aprendi um novo serviço. Isso me animou a buscar
novos caminhos", diz, entusiasmada. "Eles nos deram a
oportunidade de mostrar à sociedade que não somos
um bicho de sete cabeças". O ócio, segundo destaca
o diretor de Atendimento e Ressocialização da unidade,
Edson Caldeira, é o grande inimigo do sistema prisional.
"Empresas que fazem esse tipo de parceria dão oportunidade
de reintegração na sociedade e melhoram a autoestima
das pessoas que participam."

Fonte:
jornal Estado de Minas - publicado no dia 28/06/2011
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