Lojistas aprovam proibição de sacola

Lojistas aprovam proibição de sacola Vendas não caíram no comércio de Belo Horizonte com a nova legislação, aponta pesquisa da CDL-BH.

APARECIDA LIRA, especial para o DC.

21/06/2011 - Neste sábado a lei que proíbe a utilização de sacolas plásticas não degradáveis no comércio de Horizonte completa dois meses de vigência. Neste período foi possível perceber que a nova regra é bem-aceita e incomoda muito pouco os comerciantes e os consumidores. Pesquisa realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) mostra que 70,13% dos empresários concordam com a norma e que 82,94% deles não notaram queda nas vendas.

ALISSON J. SILVA

Os consumidores da capital mineira ainda estão se adaptando ao uso obrigatório de sacolas ecológicas.

Na Casa do Cabeleireiro, em Belo Horizonte, o único incômodo foi pagar mais caro por sacolas recicláveis, que custam R$ 0,83 a unidade, contra R$ 0,23 das antigas sacolinhas brancas. Mas a loja encontrou uma boa opção com o uso de embrulhos de papel. "Só não usamos o pacote de papel quando o produto é pesado, como um secador, ou quando existe o risco de vazar, casos dos xampus", explica a gerente de Marketing Isabella Campos. Mas a loja começa a estudar a possibilidade de vender sacolas retornáveis, já que quase nenhum cliente entra ali prevenido para carregar as compras.

Os consumidores estão se adaptando gradativamente à mudança de hábito, aponta a pesquisa da CDL-BH. Segundo os empresários entrevistados, 54,04% dos clientes já estão indo às compras com suas próprias sacolas, 9,93% pagam pelas sacolas oferecidas pelo estabelecimento e 4,04% levam carrinhos de compras. Há ainda um contingente (31,99%) que transporta suas mercadorias por outros meios. Destes, 39,62% não levam recipiente algum.

É o que acontece com freqüência na Jeito de Joias, da empresária Marizete Pereira Lanza, que vê muitas de suas clientes simplesmente abrirem a bolsa e guardar lá dentro as bijuterias que adquirem na loja. "Nós já usávamos caixinhas para embrulhar as mercadorias, mas adotamos até saquinhos de pipoca como alternativa", observa a empresária. O que ela percebe é que mesmo que as pessoas fiquem incomodadas, todas estão de acordo com a lei.


Sacos de papel - Dentre os empresários entrevistados pela CDL-BH, 53,61% disseram que seus clientes veem positivamente a lei, já 40,21% acreditam que o consumidor a considera negativa, por gerar mais despesa e desconforto. O gerente do Rei do Chocolate, que vende muita miudeza, admite que escuta queixas, mas nunca perdeu vendas por isto. Sua opção, além das sacolas retornáveis, é embalar as mercadorias vendidas em sacos de papel.

Outras alternativas empregadas pelos lojistas são organizar as compras em caixas (24,53%), em sacolas de papel (16,98%), em embrulhos de papel (13,25%), em sacolas de papel (9,93%), em sacolas convencionais (7,28%), em sacolas oxibiodegradáveis ((1,66%), em sacola reciclável (1,32%), sacolas ecobag (0,66%) e até envelopes (0,33%). Além disto, 9,27% não oferecem nenhuma alternativa e 0,66% dos clientes levam suas próprias sacolas.

Entre os lojistas, 17,06% acreditam que as vendas caíram depois da lei. Dentro deste percentual, 39,58% estimam ter perdido até 5% dos negócios. Já 29,17% estimam perdas entre 6% e 10%, 14,58% venderam 11% a 15% menos e 16,67% calculam que a queda foi de 15% ou mais.

Fonte: Diário do Comércio - 18/06/2011