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Plástico
dá lugar ao papelão
Com proibição, fábricas de embalagens ecologicamente
corretas preveem boom nas vendas.
JULIA DUARTE.
12/04/2011 - Com o lançamento da campanha "Sacola Plástica
Nunca Mais" e a entrada em vigor, em caráter educativo,
da Lei Municipal nº 99.529/2008, que proíbe o uso de
embalagens plásticas convencionais no comércio varejista
de Belo Horizonte, os fabricantes de sacolas ecológicas -
feitas a partir de material biocompostável e/ou retornáveis
- já registram aumento na demanda e preveem boom nas encomendas
nos próximos meses.
ALISSON J. SILVA

Para Baggio, sacola de papel é a única
alternativa plausível à proibição
A lei
municipal começará a valer, em caráter definitivo,
a partir do dia 18 de abril e todo o comércio da capital
mineira deve se adaptar, sob pena de multa pelo não cumprimento
das novas regras. Até lá, as fabricantes de embalagens
que são uma alternativa à restrição
do uso da sacola plástica estão operando "a todo
o vapor".
Na
Imballaggio Ltda, fabricante de sacos e sacolas de papel com planta
no Condomínio Industrial do Papel (CIP), em Lagoa Santa,
na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), já
foi apurada uma alta de 30% na demanda desde que a medida educativa
entrou em vigor.
O presidente
da Imballaggio, Antônio Eduardo Baggio, atribui esse índice
( 30%) ao aumento da procura por sacolas/sacos de papel. Ele, que
também é presidente do Sindicato das Indústrias
de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel-MG),
prevê que, após o dia 18, a demanda dobre em relação
ao mesmo período de 2010.
Baggio
afirma que a Imballaggio já está preparada para aumentar
a produção. Em junho do ano passado, a empresa inaugurou
uma nova fábrica, no CIP, com equipamentos de última
geração. O parque produtivo da Imballaggio foi o primeiro
a entrar em operação no CIP. As outras oito empresas
que já confirmaram presença no condomínio devem
dar início às atividades a partir de 2012.
Sacos de papel - Para Baggio, a sacola de papel é
a única alternativa plausível à proibição
do uso de sacolas plásticas. "Apenas 10% da população
utiliza sacolas retornáveis", afirma.
A Imballaggio
produz sacos e sacolas de papel desde 1893. De acordo com Baggio,
a demanda maior é de redes varejistas como drogarias, lojas
de material de construção e de pequenos supermercados.
As empresas que trabalham com entrega em domicílio também
demandam grande quantidade de sacos de papel.
Na
Embol Distribuidora, empresa revendedora de embalagens e material
descartável com três filais em Belo Horizonte, três
na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) e outra
em Cariacica, no Espírito Santo, a procura por sacolas biocompostáveis
e retornáveis cresceu cerca de 40% desde que entrou em vigor,
em caráter educativo, a lei municipal.
O que
impulsionou a demanda na Embol, segundo a diretoria da empresa,
foi uma parceria com a Associação Mineira de Supermercados
(Amis), que tornou a empresa distribuidora oficial de sacolas biocompostáveis
e retornáveis do projeto "Sacola Ecológica Permanente",
uma iniciativa do Sindicato e Associação Mineira da
Indústria de Panificação (Amipão), Associação
Comercial de Minas (ACMinas), Amis, Câmara de Dirigentes Lojistas
de Belo Horizomte (CDL-BH), Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio
Minas), Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais
(MDC-MG), Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) e Procon
Municipal.
O supervisor
de vendas da Embol Distribuidora, Leonardo Garcia, destacou que
a venda de sacolas biocompostáveis e retornáveis não
garantem rentabilidade aos negócios, "mas, por meio
da demanda que tem surgido para esses itens, também é
possível fechar bons contratos para outros segmentos da empresa".
Ele
destacou que, antes da medida educativa entrar em vigor, a procura
por essas sacolas era muito pequena. "Hoje, avançou
40%, após o dia 18 será ainda maior."
Retornável - A Valbags Embalagens Flexíveis,
com planta em Itamonte, no Sul de Minas, está investindo
para oferecer mais uma opção aos consumidores, a sacola
retornável. A empresa, que tinha como carro-chefe a sacola
plástica convencional, investiu, em dezembro último,
na compra de equipamentos para a produção das retornáveis.
O maquinário ainda não chegou à empresa. A
previsão é de que a produção comece
em junho.
O sócio
e diretor da Valbags, Stefano Gerônimo, destacou que as sacolas
retornáveis terão o plástico como matéria-prima
e que a empresa se preocupa em conscientizar os consumidores para
que eles utilizem o material de maneira correta. "Estudos comprovam
que o plástico é o material que menos agride o meio
ambiente quando bem utilizado", observou.
Mesmo
tendo clientes de peso, como Carrefour, Walmart e o Grupo Pão
de Açúcar, a empresa foi motivada pela proibição
do uso de sacolas plásticas em Belo Horizonte para realizar
o investimento, de valor não revelado, em produção
de sacolas retornáveis. Mas Gerônimo afirmou que a
produção de sacolas plásticas convencionais
irá continuar. "A sacola retornável é
apenas uma alternativa que vamos oferecer aos nossos clientes",
disse.
Fonte:
Diário do Comércio - publicado em 08/04/2011
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