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Consumidor
se antecipa à lei e dispensa sacolas plásticas
A seis dias de entrar em vigor, legislação que
retira de supermercados embalagens plásticas já é
cumprida por donas de casa.
12/04/2011 - Uma nova realidade vem sendo observada nos supermercados
de Belo Horizonte. Às vésperas de entrar em vigor,
a proibição do uso de sacolas plásticas, que
começa segunda-feira, está levando para os centros
de compra velhos conhecidos: os carrinhos e as sacolas retornáveis.
De novo em cena, eles prometem por fim ao uso de sacolas plásticas
descartáveis feitas à base de petróleo, em
cumprimento à Lei Municipal 9.259/08. A nova legislação
determina a substituição de sacolas e sacos convencionais
por produtos ecológicos na cidade, iniciativa pioneira no
país. Com isso, a expectativa é de que 450 mil sacolas
deixem de ser consumidas diariamente em BH. Por ano, a conta é
assustadora. São cerca de 167 milhões de sacolas plásticas.
Saiba mais...
Lei
que proíbe sacolas plásticas em BH é premiada
em Brasília Indústrias de papel, papelão e
têxtil querem lucrar com proibição das sacolas
plásticas
As sacolas produzidas com petróleo, que hoje custam cerca
de R$ 0,03 para os supermercados são distribuídas
gratuitamente para os clientes. Como opção de embalagem,
o cliente que não tiver a sacola retornável poderá
adquirir o modelo compostável, feito a base de amido, como
milho e mandioca, mas terá que pagar R$ 0,19. Esse tipo de
material tem decomposição em até 180 dias.
Mas
para quem vai às compras, a substituição promete
ser um grande desafio. "Já compro sacolas retornáveis,
mas tenho que me habituar a mantê-las no carro para não
esquecer. Hoje adquiri seis", afirmou a engenheira civil Cristiane
Fernandes Teixeira, de 36 anos, durante compras segunda-feira no
Verdemar, no Bairro São Pedro, Região Centro-Sul da
capital. A rede de supermercados vende modelo criado por estilista
por R$ 2,98. A opção de TNT sai a R$ 1,98.
A mudança,
de acordo com o diretor comercial da rede, Alexandre Poni, está
tendo boa aceitação. "Pelo apelo ambiental que
a proposta tem, a aceitação está sendo extraordinária.
Já vendemos desde julho. Na primeira coleção,
vendemos 110 mil unidades. Lançamos a segunda neste mês
e somente nos cinco primeiros dias vendemos cerca de 30 mil",
disse. O empresário Marcelo Savassi, de 39, ainda não
se adaptou à nova regra e na segunda-feira fez compras no
Super Nosso, no Bairro São Bento, mas adianta: "Essa
é uma ótima oportunidade para revermos a questão
do consumo".
Hábito
A mudança de hábito, no entanto, vai exigir muito
comprometimento da população, segundo o chefe de gabinete
da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Saulo Ataíde. Ele
afirma que no país apenas 14% da população
está habituada a usar produtos retornáveis. Na Bolívia,
país vizinho, o hábito já é praticado
por cerca de 86% da população, conforme Ataíde.
À SMMA ficará a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento
da norma. Serão 35 fiscais que vão fazer o trabalho
em campo em 1,2 mil supermercados. Os estabelecimentos que não
se adequarem serão notificados e multados em R$ 1 mil. Se
houver reincidência, a multa passa para R$ 2 mil. Caso se
repita, o estabelecimento será interditado e o comércio
terá o Alvará de Localização e Funcionamento
de Atividades cassado.
"As
embalagens produzidas com petróleo liberam produtos tóxicos
poluentes do solo e cursos d'água e têm tempo de decomposição
que pode chegar a até 400 anos", explica o vereador
Arnaldo Godoy (PT), autor do projeto de lei. Segundo ele, a ideia
de criar a proposta partiu do alto grau de degradação
da sacola plástica para o meio ambiente. "Elas entopem
bueiros, provocando enchentes. Aumentam a produção
de lixo, agravando o problema do tratamento de resíduos na
cidade e ainda provocam morte de animais por sufocamento, depois
da ingestão", afirmou. Sancionada pelo prefeito Fernando
Pimentel em 2008, a lei estabeleceu prazo de três anos para
o comércio se adaptar à mudança.
Apesar
da divulgação e da antecipação dos centros
de compras em disponibilizar a sacola retornável para venda,
a substituição do modelo convencional pelo biodegradável
vai depender de uma grande mudança de hábito. "As
pessoas já estão adquirindo as retornáveis,
mas como ainda podem usar as convencionais não se preocupam
tanto. As pessoas vão ter que passar por uma mudança
de cultura, de comportamento e de hábito muito grande",
explica o diretor comercial da rede de supermercados Verdemar, com
cinco unidades na capital.
Fonte: Jornal Estado de Minas
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