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Fiemg
alerta para risco de desindustrialização
LUCIANE LISBOAL.
22/03/2011 - O presidente da Federação das Indústrias
do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior,
afirmou na noite da última terça-feira que o comércio
e o setor de serviços de Minas precisam estar afinados à
indústria para assegurar o desenvolvimento sustentável
do Estado e evitar uma possível desindustrialização.
DIVULGAÇÃO / LUCIANO FIGUEIROA

Machado, da Fiemg, e Fagundes,
da ACMinas: ação conjunta
"Por
diversas razões que já venho falando há algum
tempo, como a questão da sobrevalorização cambial,
a indústria mineira vem perdendo espaço e mercado.
Por isso, é importante colocá-la em seu devido lugar,
já que ela é capaz de alavancar os demais setores",
afirmou Machado Júnior, em palestra na Associação
Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas). Foi a primeira vez que
um presidente da Fiemg esteve na sede da entidade após ser
eleito.
O dirigente
destacou que os problemas enfrentados pelo segmento empresarial
mineiro são graves, principalmente no que diz respeito aos
gargalos existentes no país, como escassez de mão
de obra, alto custo de produção e elevada carga tributária.
"Não temos dúvidas de que enquanto não
solucionarmos esses entraves vamos continuar exportando inteligência
e gerando emprego no exterior", ressaltou.
Ele
também criticou o fato de o parque industrial do Estado se
manter focado na indústria de base, com a exploração
de matérias-primas como minério de ferro e café.
"Não sou contra a exportação de commodities,
mas uma parte do que o Estado produz precisa adquirir valor. Temos
que evoluir na engenharia para que nossa indústria possa
ser valorizada", afirmou Machado Júnior.
Embora
tenha ressaltado a importância do bom resultado do Produto
Interno Bruto (PIB) mineiro - que fechou 2010 com taxa de crescimento
de 10,9%, maior patamar já registrado em 16 anos, além
de ter ultrapassado em 3,4 pontos percentuais o resultado nacional
(7,5%), segundo dados da Fundação João Pinheiro
(FJP) -, Machado Júnior criticou o fato de haver disparidade
entre os desempenhos de diferentes setores.
DIVULGAÇÃO / LUCIANO FIGUEIROA

Machado Júnior, Fagundes
e a vice-presidente da ACMinas, Cláudia Volpini
"Nós não vivemos de média. Embora o PIB
seja bom, temos que ter um levantamento setorial para saber onde
as coisas estão indo bem e onde estão os problemas",
disse, destacando que a maioria absoluta das indústrias mineiras
é constituída por micro e pequenos empreendimentos.
"Apenas 3.680 das 116 mil empresas registradas na Junta Comercial
do Estado são responsáveis por 95% dos impostos recolhidos
em Minas. Há 57 mil empreendimentos registrados sem funcionários.
Isso para mim não é empresa, é burocracia",
criticou.
Para
o presidente da ACMinas, Roberto Luciano Fagundes, a ida do presidente
da Fiemg à Associação Comercial foi muito importante,
já que a intenção é criar ambiente para
disseminação e troca de experiências entre as
importantes entidades empresariais existentes no Estado.
"Debater
sobre desindustrialização é muito relevante,
já que o problema não se limita apenas à indústria,
mas afeta toda a cadeia, que passa também pelo comércio
e serviços. Conhecendo o problema, podemos pensar formas
para podermos reverter o quadro e evitar que sejamos ainda mais
penalizados", afirmou.
Fonte: Diário do Comércio - Publicada em 19-03-2011
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