Comércio de papel usado em alta

A empresa São Paulo, com 37 anos de mercado, está operando no limite da capacidade instalada.

JULIA DUARTE.

03/02/2011 - A São Paulo Comércio de Papel, que há 37 anos atua no mercado de compra e venda de papel usado, movimenta, mensalmente, cerca de 200 toneladas. O insumo, comprado de gráficas e indústrias da Capital e Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), é negociado para fábricas que produzem caixas de papelão, papel toalha, papel higiênico, entre outros produtos.

ALISSON J. SILVA

Segundo José Freitas, um outro galpão, próximo à sede da
São Paulo Comércio de Papel, já foi adquirido.

Quando foi fundada, a São Paulo Comércio de Papel ocupava um galpão na esquina das ruas São Paulo e Guajajaras, na região central de Belo Horizonte. Após alguns anos de atuação, o espaço ficou pequeno e um novo galpão, desta vez na avenida Antônio Carlos, na região Nordeste da Capital, foi ocupado pela empresa. Em 1985, foi feita a última mudança. A São Paulo Comércio de Papel transferiu as operações para um galpão na avenida Saramenha, no bairro Guarani, na região Norte de Belo Horizonte, atual endereço da empresa.

De acordo com o sócio-gerente da São Paulo Comércio de Papel, José da Silva de Freitas, esse ramo de atuação é difícil, pois tem altos e baixos ao longo do ano. "Em alguns períodos, as vendas são boas, pois as fábricas estão necessitando de matéria-prima para aumentar a produção e acabam comprando um volume grande por um preço mais alto. Mas quando elas têm o papel em estoque é ruim, pois quase não compram e quando o fazem é por preços baixos", explicou.

Para Freitas, o mercado de papel usado está ficando mais difícil a cada ano. "Quando a empresa surgiu, há 37 anos, eram poucas as pessoas que atuavam nesse ramo. Hoje, a concorrência é muito grande, então fica difícil conseguir comercializar o papel com uma margem de lucro maior", afirmou.

Freitas informou que o ano de 2010 foi bom para a São Paulo Comércio de Papel, porém o faturamento foi inferior ao registrado em 2009. Ele atribuiu a queda à grande concorrência do mercado.

De acordo com Freitas, o ano de 2011 não começou bem para o setor. "Os preços estão baixos, as fábricas estão estocadas." Mesmo assim ele tem boas expectativas para o restante do ano. "A partir de abril, os preços costumam aumentar", lembrou.

Freitas informou que o papel mais valorizado no mercado é o branco. O menos valorizado é o colorido, proveniente de revistas, por exemplo. A São Paulo Comércio de Papel negocia seus produtos para Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. "Já vendemos para outros estados, como Paraná, Santa Catarina e Bahia."

ALISSON J. SILVA

A São Paulo Comércio de Papel movimenta 2,4 mil
toneladas de papel/ano.

Para o sócio-gerente da empresa, o principal gargalo enfrentado é a concorrência. Porém, a carga tributária também é pesada. Ele explicou que antes do Simples, ele pagava Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) somente sobre o produto que era vendido para fora de Minas Gerais. "Então, as empresas compradoras arcavam com esse custo e dentro do Estado éramos isentos", afirmou.

Segundo Freitas, após ser enquadrado no Simples Nacional ele passou a pagar ICMS sobre todo o produto comercializado, tanto dentro quanto fora de Minas Gerais e os compradores deixaram de arcar com os custos do imposto.

Mesmo enfrentando problemas no mercado, o galpão que abriga a empresa já está operando em sua capacidade máxima. Segundo Freitas, um outro galpão, próximo à sede da empresa, já foi adquirido para a expansão do espaço físico, mas ainda não há previsão de quando isso irá ocorrer.

Fonte: Jornal Diário do Comércio