Pesquisas revelam dúvida do setor industrial

Dados mostram o comportamento da indústria em janeiro.

01/02/2011 - Em sondagem feita pela Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), revelou que o índice que mede a satisfação com o ambiente atual dos negócios caiu 5,4%, para 120 pontos, o ponto mais baixo desde novembro de 2009, com piora da demanda interna e da externa, ao passo que o nível de utilização de capacidade instalada recuou de 84,9% em dezembro para 84,7% em janeiro, feito o ajuste sazonal.

Já o Índice Gerente de Compras do HSBC (PMI, na sigla em inglês) subiu de 52,4 em dezembro para 53,1 pontos em janeiro, o nível mais alto em nove meses, puxado pelos indicadores de produção e novas encomendas.

Para o coordenador de sondagens da FGV, Aloísio Campelo, o começo do ciclo de alta dos juros e a importação em alta ajudam a explicar a piora do ambiente atual dos negócios. A proporção de empresas que classificam como boa a situação dos negócios recuou de 31,6% em dezembro para 26,1% em janeiro, ao passo que a parcela das que a avaliam como fraca subiu de 4,7% para 6,1%. Esse resultado teve papel importante para a queda de 3,5% do Índice de Situação Atual (ISA).

"De 14 gêneros industriais, houve queda do ISA em nove", diz Campelo, citando os segmentos de minerais não metálicos (que inclui materiais de construção), material de transporte (como a indústria automobilística), celulose e papel, química, matérias plásticas, têxtil, vestuário, produtos alimentares e os chamados outros produtos.

Houve uma piora considerável na demanda interna. A fatia dos que relataram um nível de demanda doméstica forte ficou em 21,7% em janeiro, bem abaixo dos 30,1% de dezembro. O nível de utilização de capacidade instalada também não corroborou a recuperação esboçada na sondagem de dezembro. Para Campelo, a queda de 84,9% em dezembro para 84,7% reflete a moderação da atividade na indústria e também alguma maturação de investimentos feitos ao longo dos trimestres anteriores. Segundo ele, os números da sondagem de janeiro sugerem uma perda de fôlego da "reaceleração" iniciada no mês anterior, fruto da maior incerteza, num cenário de aumento de juros.

Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online