Sacolas
gratuitas serão banidas
Consideradas vilãs da natureza, grandes cidades têm projetos
de lei para proibir uso.
27/01/2011
- São Paulo - As maiores redes de supermercado do país
já se preparam para o fim da distribuição de
sacolas plásticas gratuitas em suas lojas.
Consideradas
"vilãs" da natureza pelos ambientalistas, grandes
cidades, como São Paulo, Belo Horizonte e Ribeirão
Preto, têm projetos de lei para proibir seu uso.
No
Rio, já vigora norma que não proíbe as sacolas,
mas obriga o comerciante a dar desconto de R$ 0,03 a cada cinco
produtos comprados sem o uso delas.
Outros
países, como Itália, França, Alemanha, China
e África do Sul, baniram as sacolas ou cobram por seu uso.
A Associação
Paulista de Supermercados (Apas) declara ser favorável aos
projetos e já implantou um plano-piloto em Jundiaí,
visando a expansão do modelo.
"Existe
uma cobrança por parte dos segmentos ambientais, que dão
a imagem de vilão ao supermercado", disse o vice-presidente
e diretor de comunicação da Apas, Orlando Morando.
A Associação
Brasileira de Supermercados (Abras) estima que o país consuma
cerca de 12 bilhões de sacolas ao ano, ou 63 por habitante.
Não
só os ambientalistas aprovam a readequação
do modelo atual. Pesquisa feita em 2010 pelo Walmart em parceria
com o Ministério do Meio Ambiente mostra que 60% da população
é a favor de leis que proíbam a distribuição
de sacolas.
"A
um movimento inexorável 'o fim das sacolinhas'. Vai acontecer",
disse o diretor de sustentabilidade do Carrefour, Paulo Pianez.
Alternativas - As três maiores empresas varejistas
do país já trabalham para extinguir ou diminuir o
uso de sacolas e oferecem alternativas aos clientes.
O Carrefour
tem como meta banir as sacolinhas em quatro anos. Para isso, vende
sacolas retornáveis e oferece caixas de papelão para
o transporte de compras.
O Pão
de Açúcar tem estratégia similar, e bonifica
os clientes de seu programa de fidelidade que não usarem
sacolas plásticas.
Já
o Walmart dá desconto em produtos e tem caixa preferencial
para quem não usa os sacos. A empresa pretende reduzir em
50% o uso do plástico em três anos.
Custo do produto - O custo com as sacolas - que varia de
0,3% a 0,7% do faturamento bruto, segundo a Apas, pode encarecer
o produto na gôndola, já que os varejistas o repassam
ao consumidor. "O cliente esquece que está pagando por
isso", explicou Morando.
Segundo
o Procon, o varejo pode cobrar pelas sacolas para desestimular o
uso, desde que informe os consumidores previamente.
A redução
de custo decorrente da diminuição do uso das sacolas,
disseram as redes, é revertida em ações de
sustentabilidade, como a colocação de estações
de reciclagem nos pontos de venda.
"Bode expiatório" - Relatórios sobre
a composição do lixo no Brasil mostram que as sacolas
plásticas representam parte pequena do que é descartado.
Das 61,5 milhões de toneladas de lixo produzidos ao ano,
789 mil são sacolas: 1,3%.
Mesmo
só entre os plásticos, elas não representam
mais do que 35% do total jogado fora. Os números, do "Panorama
dos Resíduos Sólidos no Brasil", da Abrelpe (associação
de empresas de limpeza pública), batem com estudos de outros
países.
Cientistas
vinculados ao governo australiano, por exemplo, concluíram
que 60% das sacolas são reutilizadas para colocar lixo (especialmente
as sacolas de mercado, mais frágeis) ou para transportar
outras coisas (as de loja, mais fortes).
O receio
é que, caso as sacolinhas fossem vetadas, o bônus ambiental
seria perdido. Foi o que aconteceu na Irlanda, que cobra pelas sacolas
desde 2002. A venda daqueles sacos pretos de lixo (mais danosos
ao ambiente porque mais energia é gasta para fazê-los)
subiu 400%.
Uma
sugestão era que as sacolinhas fossem trocadas por sacos
de papel - o plástico demora mais de 100 anos para se decompor,
e o papel, cerca de seis meses -, que são ruins para pôr
lixo, pois molham e podem rasgar.
Para
o especialista em desenvolvimento sustentável da Universidade
de Brasília (UnB), Alexandre Maduro-Abreu, "diminuir
impacto ambiental é bom", mas as sacolas viraram bode
expiatório. "São um grão de areia na praia,
mais importante é o que você carrega nelas."
Para
substituir as sacolas plásticas, há as biodegradáveis,
feitas a partir de amido de milho, que se decompõem em poucos
meses, mas a demanda pode aumentar o preço do alimento.
Existem
as sacolas oxibiodegradáveis (com metal na composição),
mas estudos indicam que elas não desaparecem por completo.
Uma
alternativa é aumentar a reciclagem das sacolas. Por serem
impermeáveis, elas ajudam a entupir a rede de esgoto e causam
danos à vida marinha. (FP)
Fonte:
Diário do Comércio
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