Indústrias de papel, papelão e têxtil querem lucrar com proibição das sacolas plásticas

Paulo Henrique Lobato
- Estado de Minas

20/01/2011 - A Lei 9.529, que obriga os pontos de vendas de Belo Horizonte a substituir as sacolas plásticas por embalagem biodegradável, entra em vigor em 28 de fevereiro. O texto foi aprovado pelos vereadores e regulamentado pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB) com a justificativa de proteger o meio ambiente, pois a decomposição das sacolinhas é estimada em até 500 anos. Mas a regra também causou uma corrida pelo novo nicho de mercado, atraindo diferentes setores produtivos, como as indústrias de papel, papelão e têxtil. Porém, caberá ao consumidor escolher qual tipo de embalagem o atenderá melhor. Por enquanto, a única certeza é de que a briga será boa.


O aposentado Antônio Nunes Pereira optou pelas caixas de papelão, enquanto
a dentista Maria das Graças usa sacolas de pano.

As fabricantes mineiras de embalagens de papel, por exemplo, acreditam que o consumidor estará mais consciente com as questões ambientais e que seu produto terá boa aceitação nos pontos de venda. A expectativa do setor é aumentar a produção em 30% na comparação entre 2011 e 2010. "A média mensal de toneladas passará de 982 para 1,3 mil", comemora o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão do Estado de Minas Gerais (Sinpapel), Antônio Eduardo Baggio, para quem o número de empregados do segmento, hoje em 32 mil pessoas, será ampliado em 6,5% ou 7%.

Ele já importou uma máquina dos Estados Unidos para atender a demanda que espera abocanhar em sua empresa, a Imballaggio, fundada há 117 anos. No setor de papelão, indústria cuja entidade patronal também é representada pelo Sinpapel, a estimativa é de um aumento de 6%. Em 2010, a média mensal da indústria de papelão em Minas atingiu 25,5 mil toneladas. As caixas de papelão já substituem as sacolinhas em alguns pontos de venda, como no Extra do Bairro Santa Efigênia, na Região Leste.

Lá, caixas de papelão ficam à disposição dos clientes ao lado dos caixas. Na terça-feira, o aposentado Antônio Nunes Pereira, de 60 anos, optou por colocar sua compra nesse tipo de embalagem. "É mais saudável para o meio ambiente", justificou Pereira, que ganhou a vida como cozinheiro. Já a odontóloga Maria das Graças de Assis Cardoso, de 55, prefere usar as chamadas sacolas ecológicas, feitas de pano. Ela passou parte da manhã no Mercado Central para onde levou dois destes acessórios para guardar o queijo e os outros alimentos que abastecerão sua dispensa pelos próximos dias.

"Venho toda semana aqui e, hoje, recusei de um dos comerciantes a sacolinha plástica que ele queria embalar o produto. É o mínimo que podemos fazer. As que trouxe de casa ajudam na proteção do meio ambiente. Ensinei aos meus três filhos a importância de preservá-lo", afirmou a mulher enquanto exibia, numa das sacolas de pano, a frase estampada com a seguinte pergunta: "Você sabia que o plástico demora de 400 a 500 anos para decompor?". A opção da dentista pela sacola de pano também é um indício de que a indústria têxtil já se preparou para o novo nicho.

"A nova lei é muito importante para a indústria têxtil, principalmente para as pequenas confecções. Ainda é cedo para estimar alguns números, mas a expectativa é boa, por exemplo, para a geração de empregos. É um novo nicho de mercado, que tem duas vantagens: diminui a poluição e gera empregos", reforça Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

Vantagem
O aumento da produção de sacolas de pano ainda poderá beneficiar o varejo. Neste caso, até mesmo os supermercados, que, teoricamente, seriam os pontos de venda mais prejudicados com a medida, podem sair no lucro. A Associação Mineira dos Supermercados (Amis) informa que cumprirá a lei, mas ainda não concluiu o estudo que sinalizará ao segmento qual a melhor alternativa para substituir as sacolinhas. Uma das propostas estudadas é oferecer ao consumidor a sacola ecológica ou retornável a preço de custo.

A empresa deixará de gastar com as embalagens de plástico, caso todos os clientes optem pela oferta da sacola retornável. Para se ter uma ideia, o preço médio do milheiro das sacolinhas convencionais, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Alfredo Schimit, é de R$ 25. A conta fica ainda maior quando analisado um dado surpreendente do Ministério do Meio Ambiente: os brasileiros consomem, a cada hora, cerca de 1,5 milhão de sacolas plásticas.

Fonte: Jornal Estado de Minas - publicado em 19/01/2011